Thursday, June 23, 2005

pensamentos sobre acções

Racionalidade ou emocionalidade? Eis a questão.
Devemos nós, seres racionais, mover-nos principalmente pela razão ou pelas emoções? O termo seres racionais poderia levar a que se pensasse que a pergunta é supérflua, mas não. O facto de sermos racionais significa apenas que temos consciência lógica das consequências das nossas acções. É perfeitamente racional nós optarmos por seguir as nossas inclinações emocionais, por exemplo; e no entanto, será que isso é mesmo ser emocional, já que foi uma escolha racional? A mim parece-me que a racionalidade é uma linha de orientação mais global e menos concreta; não na própria implementação da nossa escolha, mas puramente em termos do nosso comportamento. Isto porque nós pensamos primeiro racionalmente, mas agimos primeiro emocionalmente. Agora, porque e que não agimos de acordo com aquilo que pensamos - ou, posto de outra maneira, se os nossos actos são resultados dos nosso pensamentos, porque é que existe a dicotomia acima descrita? Ou será que não existe dicotomia nenhuma, e que é apenas mais uma mania humana de separação e classificação, sendo que a racionalidade está já intrinsecamente ligada às emoções? Esta última opção é de facto a mais fácil, e portanto também a mais perigosa - quando se tenta resolver o problema, muitas vezes descobre-se que o problema como estava formulado não existe (pelo menos filosóficamente) e portanto não há conclusão possível. Já noutro plano, é evidente que também se trata de uma saída fácil...
Voltando à questão principal, Jonathan Swift (autor de Gulliver's Travels) considerava que nós não somos racionais; ele distinguia entre animale racional e rationis capax, crendo que fazemos parte deste último grupo, não totalmente racionais mas apenas com capacidade para racionalizar. Quererá então ele dizer que há de facto uma mistura de racionalidade com emoções no comportamento que efectuamos. Parece-me razoável. Na minha opinião, e por aquilo que me recordo de quando faço alguma coisa, nunca se faz, nem se consegue fazer alguma coisa baseando-se puramente na razão ou puramente na emoção. Repare-se que isto não é o mesmo que questionar a dicotomia; é reconhecer que existe uma diferença clara entre as duas coisas, e elas podem ser separadas. Acontece é que se encontram sempre juntas.
Em que ficamos? Confiamos em Swift? E agora, assumindo que a minha argumentação vos convenceu minimamente, se eu vos disser que Swift teve num manicómio durante anos, que tinha de ter os braços presos porque a sua condição mental era tal que queria arrancar os seus olhos...? Haverá um lado racional que vos diz que até os loucos podem filosofar correctamente e que o que eu disse acerca de Swift não importa? Que questiona o conceito da loucura? Ou haverá um efeito emocional que desconfia deste estranho, que era um padre e um depravado e um louco? Ou não haverá nada disso...? Racionalidade ou emocionalidade?

"és bueda strange" -quem me conhece

3 Comments:

Blogger Miguel Costa quis bondosamente e, com certeza, por puro respeito e apreço pelo autor deste post opinar o seguinte...

Racionalidade emocional e emoçao racional.
É o que nos distingue dos outros animais. Para esses é tudo Instinto.
(gostaram do jogo de palavras?)

2:07 AM  
Anonymous Anonymous quis bondosamente e, com certeza, por puro respeito e apreço pelo autor deste post opinar o seguinte...

n

12:14 PM  
Blogger Miguel Costa quis bondosamente e, com certeza, por puro respeito e apreço pelo autor deste post opinar o seguinte...

O comentador abaixo do meu primeiro comentário é um perfeito idiota. Um idiota. Um idiota anónimo.

6:27 PM  

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