Friday, November 21, 2008

knock knock

anyone there?

1 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Saturday, December 09, 2006

O Diablo em pessoa

O homem jogava com o Diablo e entretia uma multidão. Devia ter entre 20 e 30 anos e a sua dinâmica e energia enchiam a cheia praça da Catedral. Crianças riam com as suas palhaçadas, dançava com o diablo e, ao som da musica, fez-nos rir e rimo-nos com ele.

Dizia

"niños: estudien si no acabán como yo, en la calle! No que sea mal, pero no me gusta competencia (concorrencia)"

Tive pena das velhas estáticas estátuas, rodeadas de nada, e aquele jovem, rodeado de tudo.
Sem querer, provavelmente, foi um mestre de estratégia. .

Quando todos os outros artistas de rua olhavam numa direcção (fazer de estatua, fazer magia, cantar, tocar, ou ainda vender pensamentos profundos escritos à mão em papel de cartão) ele olhava para outra. Fazer dinheiro a brincar com uma coisa com que todos já brincaram (os mais pervertidos aqui vão parar e reler, pelo menos foi isso que eu fiz)
Toda a gente brincava com o Diablo la na escola, ah e que fortes sentimentos me transmitem aqueles recreios no pátio lá da escola, em que Diablos saltavam e voavam .tão alto no céu que quase chegavam a Deus. Mas ele foi mais longe. Treinou. É , seguramente, o mestre do Diablo.
E, olhem que sorte, é também um entertainer nato. Dança com ele. Fala connosco.

Sem querer, foi ao publico com maior disponibilidade a pagar, as crianças. Enquanto muitos destes artistas conseguem reunir multidões que quando chega a hora de verdade, a hora de dar a moeda , se pisgam, este faz com que crianças corram enquanto ele faz mais uma palhaçada.

Algum mais generoso lhe dá cinco euros. Estende a nota para o céu e certifica-se que não é falsa. Só depois agradece.

Acaba com dois Diablos a voar alto enquanto um mar de pessoas disputa a lata de ananases para la poder deixar cair uma moeda.


Mas não foi por isto que eu decidi usar tempo a escrever sobre este tema.
Foi porque me fez pensar.

Porque eu gostava de ser como ele.
E náo é por ele brincar bem ao Diablo.

Porque ele depois de ter ganho mais de 100 euros em menos de uma hora só volta a faze lo quando já gastou tudo o que tem. Não é o dinheiro que o move. É como um macaco, que quando tem fome, trepa para conseguir uma banana, mas nunca armazena.

Gostava de ser assim. Mais animal. Mais descontraido. Mais deixa andar. Mais ingenuo. ~
Menos ambicioso.

porque quando queres menos a probabilidade de que tenhas tudo o que queres aumenta.

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Monday, September 11, 2006

Adeus, Pai

Este é um post que visa única e exclusivamente mostrar o apreço e carinho que tenho por todos os nossos bloggers. Se por alguma razão algum dos leitores achar que siginfica um retomar da actividade regular do blog, desenquivoque-se.

Como muitos sabem (e muitos não), três dos nossos vão para Erasmus neste semestre. A sua presença física é insubstituível, pelo que muitos dos nossos programas e convívios ficaram automaticamente MORTOS.

Tenho, porém, uma ideia revolucionária que poderá resolver os nossos problemas no que diz respeito à sua presença cibernáutica, já que este blog não o fará (por motivos que todos já conhecem e que não vale a pena referir).
Proponho fazermos um novo blog, de morada desconhecida publicamente, e a qual só diremos a quem bem quisermos. Seria uma maneira dos nossos 'erasmers' (*) relatarem todo e qualquer episódio que acharem pertinente, e mais uma maneira de nos mantermos em contacto, presumindo que não nos telefonarão muitas vezes.
Sei que já foi falado várias vezes mas desta vez temos um motivo de força maior, geralmente exigido neste tipo de situações.

A parte do apreço já foi. Passando à parte do carinho.

Oh meus queridos! Fiquem! Não se vão embora! Vamos ter tantas saudades vossas! Ai tão longe! Pedro não saias à rua sem casaco que Viena pode ser muito frio! Peixe não comas spacecakes antes de ir para as aulas que a professora pode querer comer-te a seguir! Costa não fales castelhano que ainda levas uma sova!

Pronto, acho que isto demonstra mais ou menos o que sinto em particular por estes três. Lamento ter enganado o leitor ao dizer que ia mostrar o apreço e carinho por todos os nossos bloggers quando afinal só o fiz para três. Os outros também são queridos, mas em Portugal não faz assim tanto frio nem há spacecakes. Quanto ao falar castelhano, é provável que levem uma sova portanto fiquem com esse conselho!

Comentem com a vossa opinião.

(*) Nota: É provável que esta palavra não exista.

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Thursday, June 22, 2006

apenas uma adivinha..

Opino sobre o que outros escrevem,
qual metediça e peganhenta.
Não admira o quão poucos me devem
e que me apelidem de putinha nojenta.

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Sunday, June 11, 2006

E ao Tri-Centésimo Trigésimo Terceiro Dia,

Quando Feliciano José voltou a acordar já os seus genitais haviam encerrado em si a bala que os atentara sem pudor.
Trezentos e trinta e três dias havia Feliciano José dormido como que morto depois do atentado de que fora vítima. E embora ao quarto dia já um olho tivesse aberto em plena consciência de si, resolveu quedar-se por mais trezentas e vinte e nove manhãs com o outro cerrado, pois que lhe parecia ser esse o período de convalescença cuja referência mais apropriadamente serviria, à corrente de bisbilhotice que mais tarde se haveria de criar em torno do tema da sua primeira morte.
Conviviam agora não dois mas sim três felpudos irmãos, entre as duas pernas de Feliciano. E embora um fosse falso e metálico e tilintasse até quando chocalhado, de fora em aparência todos eles pareciam ser enormes testículos em forma de ninhos de rato de tanta e tão farfalhuda barba. Passaram pois também a ser três as necessidades fisiológicas dos homens de Nação, conforme previsto nas entrepernas do Santo do Conhecimento (assim deviam ser lidas as Sagradas Escrituras: por linhas e entrelinhas por pernas e entrepernas, pois se Feliciano José ordenava o conhecimento por palavras que proferia também o fazia nos actos que praticava)
Imaginem que efeitos colaterais não terá causado esta mudança nos cânones da anatomia humana: é que se alguns testículos os havia para quem deles precisasse como prótese, não os havia em tão grande abundância que se pudesse satisfazer com prontidão esta súbdita vontade de todos os homens, de fazer nascer mais um irmão entre as pernas. Houve gente que chegou a aplicar cola UHU abaixo da bexiga e então colado uma bola de pingue pongue, disfarçada de colhão a canetas de feltro, junto de seus outros irmãos. Houve até quem, em desespero de causa, tenha baleado a sua própria genitália a ver se a cicatrização corria tão bem quanto a do Senhor do Saber, ou cortado à catanada e a sangue frio aquela que já tinha, a ver se a moda pegava e superava a Ordem Divina.
O que é certo é que aquele novo apetrecho em nada favorecia a vida quotidiana masculina. Uns queixavam-se que era incómodo porque se entalavam com inconveniente frequência; uns outros lamentavam-se que o excesso de munições pusera em causa a logística dos canhões e que por isso as mulheres os haviam deixado; outros ainda queixavam-se de que o peso era excessivo e que lhes enjoava andar assim, tão perto do chão; havia também quem, com uma mão nas costas e outra em concha à frente da boca, vociferasse cognomes aviltantes não às suas hérnias, mas a esse Deus terreno que havia ressuscitado ao tri-centésimo trigésimo terceiro dia.
No seu Palácio das janelas embaciadas, Feliciano José vivia absorto em sua própria felicidade. Nada o parecia incomodar nesta nova ordem de vida. Não tinha hérnias nem comichões, nem dificuldades logísticas, nem sequer conseguia ouvir as queixas que morriam no embaciado de suas janelas. E quando de novo lhe arrombaram a porta do Palácio do Santo Conhecimento, os trinta e três revoltosos de há trezentos e trinta e três dias atrás, agora com as costas curvadas, o nariz no chão, os três tomates a arrastarem-se em suas entrepernas e as caçadeiras armadas na riste que lhes era possível, Feliciano José não deixou de lhes sorrir, também ele de arma em riste e apontada não para os revoltosos mas para a sua própria genitália...

"As rãs não são boas de se domesticar, porque às tantas só apetece esborrachá-las" - Anónimo

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Friday, June 09, 2006

Manifesto de um Português

Depois de tão prolongada ausência houve um assunto que não me forçou a escrever, na pior das hipóteses, mais um post! Não se trata do começo do Mundial 2006 (e que grande começo, com um jogo de futebol como todos deviam ser, com muitos e espectaculares golos), nem para vos comunicar, amigos, que alcancei os objectivos académicos a que me propus, nem tão pouco para vos dizer que vou partir dia 13 para a Alemanha para apoiar a Nossa Selecção. Não. Não foi nada desta. O assunto desta vez é outro. E o assunto é sério.
Amanhã é dia 10 de Junho, dia de Portugal. Não quero falar do dia de Portugal, quero falar do que representa para mim (entre outras coisas, vá lá, não quero passar por pouco patriota) o dia 10 de Junho. E para mim dia 10 de Junho é Portugália. E porquê? Por causa de uma bela campanha que desde há uns anos levam a cabo.
Acontece que este ano me deixaram indignados! Aumentaram o preço da cerveja 5, CINCO, vezes. E eu não ganho nem mais um centimo do que ganhava o ano passado.
Cambada de Chulos! É o que voçês sáo, oh directores de marketing da Portugália. Alguém me explique porque é que de um ano para o outro, e sem que a inflação o explique, o preço da cerveja aumenta de 1 para 5 centimos? Pois, bem me parecia. É de facto uma vergonha e mostra bem que os portugueses estão sempre a querer sacar mais um bocadinho onde podem, nunca estão contentes! Chulos

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Saturday, April 22, 2006

"A Streetcar Named Desire"

Arrumo na minha cabeça, em estantes, armários e caixotes, os livros que leio e os filmes que vejo. Guardo também música, algumas peças que vi ou concertos a que assisti e, felizmente, o espaço que sobra é muito maior do que o ocupado. Por vezes percorro estas estantes em busca de referências passadas, onde tento evitar que o pó se acumule e onde, por vezes, encontro memórias mal tratadas e folhas rasgadas.

No meio destes arquivos, aos quais só eu tenho acesso, há um salão nobre, muito maior que qualquer outro, unicamente dedicado ao cinema, arte maior, que aqui se superioriza às outras 6.

Este salão, devido à sua dimensão, encontra-se dividido em salinhas e saletas, onde a burocracia leva a que tudo se catalogue por nome de filmes, realizadores, actores, banda sonora, argumentistas ou ano de produção.

Das prateleiras desta sala saltam as personagens e personalidades que me marcaram percorrendo as salas com uma liberdade total, misturando-se entre si e convivendo umas com as outras, sem qualquer noção de tempo ou era que as distancie.

Aqui ou ali Hitchcock convive com Godard e Truffaut. A um canto Visconti dá umas palavras a Burt Lancaster que se distrai com a beleza de Claudia Cardinale. Esta última encontra-se com Brigitte Bardot que acaba de conhecer Jack Nicholson. Tarantino anda perdido, e foca-se numa conversa entre Bernard Herrmann e John Williams. Woody Allen passeia-se a tocar clarinete e tudo se confunde numa espessa nuvem que ao longe se assemelha a uma massa acinzentada.

Este enorme convívio passa ao lado de uma personagem que devido ao seu brilhantismo se agigantou demasiado para caber nos pequenos espaços reservados àqueles que são mortais nesta cabeça

Marlon Brando, esse(!), o maior de todos…, aquele que nunca morreu. Brando vive aqui, imortalizado, não só pelo génio em que se transformou enquanto Terry Maloy, Don Vito Corleone ou Coronel Kurtz, mas também pela controvérsia duma personalidade que nunca se conformou com convenções.

Porque uma personalidade não é só uma carreira, mas também um conjunto de atitudes que a faz distinguir daqueles que se contentam com o medíocre. Brando soube abdicar do protagonismo vaidoso, que leva tantos a cair no ridículo, em nome de causas maiores que lhe custaram fracassos na vida.

Brando é uma gritante vontade de mudança!
Brando é mesmo o maior de todos!
Ver Brando em cinema é um autêntico privilégio. A sua presença, essa que vai muito para além da sua projecção, mas que se projecta por toda a sala num realismo e numa vivacidade fora do comum é, por si só, cinema.

Brando foi um pioneiro. Foi a demonstração do “método” da Actor’s Studio idealizado por Lee Strasberg. Foi o instrumento que desencadeou a mudança.

E é numa sala grande que guardo Brando, esse gigante, dentro da minha cabeça.
E nesta sala guardo o Brando que já vi e o Brando que já li em registos que se acimentam num bloco de admiração e constante surpresa.

E renovo esta sala com memórias que possa recolher no mundo que está à minha mão.

Foi o que fiz na passada terça-feira.

“A Streetcar Named Desire” (“Um Eléctrico Chamado Desejo”) foi o segundo filme de Brando. A peça de Tennessee Williams, transformada em filme por Elia Kazan, o mestre, lançou Brando, no papel de Stanley Kowalski, definitivamente na porca indústria cinematográfica. Aquela que nunca foi suficientemente grande para ele.

É este o início de Brando (aquele que me faltava conhecer). É aqui que podemos ver o primeiro Brando enquanto actor, porque aquele que apareceu no Barrymore Theatre em 1947, foi uma dádiva concedida apenas a poucos.

É aqui que se percebe que Brando é cinema.



"Parecia que a maior parte dos homens realmente bons perdiam o autocarro. A vida é só uma, e se se perde o autocarro fica-se sozinho no passeio com a carga de todos os fracassos."
D.H.Lawrence

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Sunday, April 02, 2006

último título

Há certas coisas que têm um prazo de vencimento...

Blogociclos: um blogue cujo nome nunca ninguém percebeu, cujos autores nunca se chegaram a conhecer totalmente entre si, cujo conteúdo nunca nos deixou indiferentes, cujos participantes nunca se entenderam, cuja memória... bem, para isso temos os archives!!

Cujo: um cão raivoso num livro do Stephen King

O circo nunca pode ficar no mesmo sítio muito tempo... os palhaços ficam irrequietos e os espectadores ficam fartos...

Isso e eu sempre fui fã do feminismo literário.

"of pickle-jars and cracks-beneath-the-bones... i must tell my story" -Saleem Sinai

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Wednesday, March 15, 2006

olha, fica bem men!

Life goes on... ("a vida não para," para todos aqueles inteligentes leitores que só devido às más intenções do professor é que não passam a inglês desde o quinto ano).
Mas é inquestionável que a acção (porventura precipitada) do nosso estimado bernie assinala o fim de um cíclo literário que tem fascinado o ciberespaço desde o seu salto para a celebridade, salto este propulsionado pelo sucesso que foi o nosso primeiro blogue (porra... como é que se chamava? esta interrupção estraga completamente a beleza da frase que eu estava en trains de imortalizar! - haha, ainda deu para fazer um bocadinho!)
É que, divulgando agora alguma informação até ao momento reservada à administração deste espaço, (não, nem todos os membros têm esse privilégio) o josé era o administrador com funções mais activas no que se refere à infraestrutura e layout cá do sítio. Arriscamo-nos agora a ficar parados no tempo... ou será que a desgraça do Glorioso é história e presságio?
Despedimo-nos também daquele que era o poeta do grupo; característica esta bem visível nas suas múltiplas personagens e personalidades, e longos textos intermináveis escritos exemplarmente para análise por alunos do décimo-segundo (malta burra...ta quase!).
Castrô, a tua falta será sentida; não será vista, porque na verdade não podemos ver uma coisa que não está, embora esta esteja não estando!
E olha men, fica bem!

Quanto ao(s) que fica(m), eu pelo menos sou (um) (d)ele(s). Promet(em)o(s) continuar a escrever maravilhosamente mal e acreca de temas interessantemente aborrecidas, mesmo sem o feliciano, lá isso é uma garantia! (garantia válida por um ano, com uso e contúdo limitado; para mais detalhes passe pelo concessionário renault mais próximo de si ou vá ao site www.istonãoédarenault.com)

"so long... farewell... auf wiedesen, goodbye... goodbye... goodbye!" -The Von Trapp Family Singers

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Sunday, March 12, 2006

Adeus

Há jarros que devem ser vertidos para dentro dos copos à bruta ou o seu conteúdo cola-se ao vidro e por ele escorrega pelo lado de fora, chorando frasco abaixo a sua separação. Se for à bruta não há lugar para choros nem comoções: todo o conteúdo do jarro se esbarra no fundo do copo onde espuma de sofoco e se quebra em mil salpicos. Há pois certos líquidos que se não devem colocar em certos jarros, ou certos jarros que contêm certos líquidos que se não devem quebrar se o seu conteúdo não pretenderem condenar.
Este blogue vertia bem! Mas houve alguns engraçadinhos que o esbofeataram e o pontapearam na boca, pelo menos aqui deste lado onde eu escrevo. Hoje em dia apenas verto à bruta porque assim tem que ser se ainda um restinho do que tenho para escrever quero aproveitar. Mas não tem resultado. O que tenho a escrever é delicado e sensível, é uma obra-rima de macieza e brandura que deve ser vertida para este bloque com todo o cuidado e suavidade. Por isso não escrevo mais.
Adeus.

"À galinha da vizinha não se olha o dente." - Wittgenstein

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Thursday, March 09, 2006

Mundo Meu

Ontem foi o dia da mulher... isto leva implicitamente à conclusão de que os restantes 364 são dos homens. Acho muito bem, mas também não estou eufórico: os dias pertencem-nos todos, quem disse que as mulheres também podiam ter um??
Por um lado, designar um dia do ano para certos grupos parece-me bem na medida em que nos chama à atenção para a existência desse grupo e nos incita a celebrar tudo aquilo que esse grupo já fez - e que muitas vezes não é reconhecido. No entanto, quando é o caso de um grupo menos reconhecido (no presente ou até históricamente) não me parece que o dia especial do grupo lhe atribua o mesmo nível que a restante sociedade (os não-pertencentes ao grupo e que não precisaram do dia para serem reconhecidos) porque fica sempre no ár a ajuda "especial" que parece que necessitaram. Quero eu dizer com isto: o dia da mulher, por exemplo, enfraquece (a meu ver) a luta femininista porque parece que a mulher só é reconhecida por lei ou estatuto ou lá como é que se atribui um dia... Não é por as mulheres terem o dia delas que vão passar a ter os mesmos direitos práticos e as mesmas oportunidades - se isso acontecer é por outro caminho que não este, porque este permite aos homens o patriotismo de "ah...coitadinhas, precisam de um dia próprio para que se lembre delas" um pensamento que pode nem ser explícito - a minha frase inicial, embora irónica, é completamente verdade.
E não é só com mulheres, acontece com qualque minoria, seja ela minoritária em poder, número ou representação. Agora, será que a solução passa por abolir a atribuição de dias? (Não, porque nem todas as atribuições são a estes grupos, e o awareness em si já é uma coisa boa...)

"HP Photosmart 330, 380, 470 series printer" -o cd ao meu lado

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Monday, March 06, 2006

Hoje, na aula de Estratégia

"Esta professor é um pálhaço"
"Porquê?"
"Pá é um pálhaço"
"Mas porquê, explica mal, tem a mania de lixar os alunos?.... Tem uma bola no nariz?"
"Não, Não... É um pálhaço pronto... É só um pálhaço".

Bem vindo a Portugal

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Saturday, February 18, 2006

Porque é que um poste que até pode ser visto como não-estupido pode ser escrito por alguém que é, de facto, estupido?

Porque é que os bons alunos com má caligrafia são benificados enquanto que os maus alunos com má caligrafia são prejudicados?
E porque é que os árbitros preferem, em caso de duvida, marcar fora-de-jogo a deixar seguir, como mandam as regras?
Porque é que é não existem bons professores no liceu?
E por ultimo...Porque é que eu não vou responder a nenhuma destas perguntas, excepto a esta?

Em primeiro lugar porque não sou o Steven D. Levitt. Se tentasse responder a estas perguntas estava a expor-me às reacções do leitor e isso até poderia não ser um entrave caso eu achasse que o que eventualmente tinha a ganhar fosse suficientemente vantajoso para me submeter ao deboche. Isto é, o jogo dos incentivos não joga a favor das respostas. Se por um lado pouco ou nada tenho a ganhar por responder a estas perguntas: primeiro visto que mesmo que fossem boas respostas as unicas pessoas que nos leem não gostam de nós e o máximo que poderia ganhar seria o rótulo de pretencioso, ou algo do género, e segundo porque muito provavelmente as respostas não seriam, efectivamente, boas e ai estaria a fazer figura de parvo, e eu não gosto de fazer figura de parvo quando não sei ao certo quem está a assistir.Além disso não sou pago para dar estas respostas nem poderei vir a ser pelo facto de as dar..Por outro lado tinha muito a perder: No minimo tempo, e tempo é dinheiro e meus amigos, o tempo é de crise. Portanto creio que o melhor a fazer é não responder, nem tentar, a nenhuma das perguntas acima referidas. Até porque se coloca aqui uma problema de informação assimétrica: apesar do counter eu não tenho a certeza se alguém visita este site, podem ser simplesmente os refresh dos outros colaboradores, e nesse caso responder seria o mesmo a estar a falar sozinho, ou equivalentemente, a pensar. Entre escrever e pensar o mais facil é certamente pensar. Pensar é mais fácil e mais rápido.

E "tempo é dinheiro"

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Friday, February 17, 2006

O Triunfo da Avóline

No outro dia li um livro muito interessante sobre a vida no campo. Só estranhei não haver ilustrações no início de cada capítulo, embora também por este facto tenha ficado orgulhoso pois havia lido um livro para adultos!

O livro de que falo chama-se O Triunfo dos Porcos. Este fala de uma quinta muito antiga onde vivem porquinhos, galinhas, vaquinhas, cavalinhos, ratinhos, cãezinhos talvez todos sem um 'inho' no fim, que não eram especialmente alegres na quinta em que viviam porque comiam um bocado mal e ficavam com dores de barriga coitadinhos, para além de levarem açoites quando se portavam mal ou quando bebiam água demais ou de se deitarem muito cedo e de acordarem muito cansados. Alguns até morreram pobrezinhos. Os animaizinhos até eram felizes, mas às tantas fartaram-se de acordar tão cedo e de não poderem brincar quando queriam e então revoltaram-se e fizeram um grande chinfrim! A avó ficou surda e fugiu com as mãos nos ouvidos, correndo aos zig-zag's pelas estradas de terra batida, enquanto os porcos e os cães e os cavalos e as galinhas e os ratos e as vacas, talvez todos com 'inhos' no fim, acharam que era melhor arrumar a casa para que a avó não ficasse zangada no dia em que voltasse. No entanto os animaizinhos eram tão brincalhões que correu tudo mal e a quinta da avó ficou virada do avesso! Foi uma grande festarola quando a avó se foi embora, mas o juizinho faz sempre falta! E assim morreram os porquinhos e os outros todos! Porquê? Porque estava tudo desarrumado e isso...

A grande lição que eu aprendi com este livro muito bonito (só é pena a falta de ilustrações) foi que os animais são muito queridos e que também são nossos amigos, porque, no final de contas, eles só queriam ajudar a avó a arrumar a casa.

"Quem estuda por gosto não cansa" ou "Quem se cansa é porque concerteza não estuda por gosto" - Ditos de Feliciano José

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Monday, February 13, 2006

Queria esclarecer uma coisa

Vida de um Comunista:
Queridos Camaradas, vou-vos contar o que é para mim um dia normail. Ao acordar às cinco da manhã com a sirene do meu prédio de betão tomo um banho frio (partilhado com os meus camaradas baratas) e um pequeno almoço de pão preto e duro de há duas semanas com um gostinho de boloro. Visto a minha farda cinzenta, e antes de sair do meu apartamento (leia-se dois metros quadrados e meio com um colchão) faço uma saudação à bela imagem de Mao e Lenin de mãos apertadas - apesar de não ter electricidade e portanto de não a poder ver sei bem onde ela está pois faço esta saudação todos os dias à mesma hora há vinte anos.
Apanho o eléctrico número 2267 para a fábrica de pregos onde trabalho, juntando-me aos trezentos camaradas companheiros que já lá estavam sentados, e oiço a rádio da capital a anunciar mais um comício do nosso Estimado Partido para celebrar o facto de estarmos a apenas 80 anos dos países não-comunistas em termos de desenvolvimento. Que postitivo! As melhores expectativas apontavam para que o verdadeiro número fosse 81!
Blá blá blá... almoço é papas de aveia... volto a casa às onze da noite, faço mais uma saudação à imagem e acabou-se-me outro dia, camaradas.

Vida de um fascista:
Caros amigos e compinchas, é com deleite que vos reconto o que é para mim um dia típico. Pois bem como é costume um meu criado vem me acordar suavemente às dez horas, trazendo já o meu pequeno almoço num tabuleiro. Este consiste de mão fresco caseiro, ovos mexidos com tomate, um bolinho, leite, e sumo fresco natural. De seguida dão-me um banho de meia hora e vestem-me para o meu exercício matinal, que consiste em cavalgar pelas minhas propriedades a verificar o estado geral das coisas. Por vezes dou uma palavrinha ao meu steward, outras vezes sigo para casa para tomar um café com croissants e queijo. Tomo outro banho, e depois sigo para o meu escritório, onde normalmente passo duas horas em leitura. Após o almoço com a família jogo um gamão, seguido directamente por uma sesta. Para acordar é-me servido um chá de camomila e uns scones também caseiros, que antecedem uma sessão de tiro aos pratos; afinal, a época de caça está prestes a começar, e tenho de manter a minha reputação. Enfim... a seguir a isso o mais normal é voltar a tomar banho, e vestir-me para qualquer que seja a festa dessa noite. Bom meus caros, isto passa-se é na primavera, como é claro... não vos quero maçar com as outras épocas, até porque para ter a certeza teria de consultar o meu secretário...


Agora... qual é que era o insulto em ser chamado fascista (segundo esta imagem tão mal formada mas que será concerteza a dos nossos queridos comentadores, que nos acusam de o ser)??! Ahhh... têm razão, era melhor ser comunista! Lógico.

"viva el-rey! hoje, amanhã, e para sempre!" -um bom monárquico

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Friday, February 03, 2006

Homofobia - medo de homens

É com infelicidade e baseado nas estatísticas que afirmo que é moda ser gay.
É inclusivamente a moda que pegou em Portugal, dado que aproximadamente 10% de 'nós' o somos.

Antes que me tomem por um homofóbico, e é bem provável que o façam dado que a UE ultimamente parece que alterou um bocado o significado da palavra, quero desde já esclarecer que não tenho nada contra os gays. Apesar da vontade da sociedade, do que não me podem convencer é que é normal ser gay. Por muito que evolua a civilização há uma, e só uma, maneira de fazer as coisas bem feitas. Por mais que se façam inseminações artificiais e apesar de haver vantagens a nível clínico, a método para fazer filhos é o que se conhece. Não se escolhe, é o que sai na rifa que fica. Da mesma maneira, que por muito que dois homens se amem (só dizer isto faz confusão), não é normal que se unam e muito menos casem ou contribuam para os impostos como casal. Mas, uma coisa é ser normal ou convencional, outra é ser aceitável. Quero com isto dizer que, com os padrões da sociedade actual, não fazia sentido condenar.mos os gays e depois aceitar uma data de outras coisas igualmente más. Mas uma outra coisa é ser aceitável e ainda outra é simplesmente abusar da paciência e boa vontade das pessoas. O problema é que, hoje em dia, as pessoas fazem género em ser gay e gritam para os quatro ventos que o são. É esse tipo de atitude que eu condeno. Metrossexuais que se arranjam mais do que gajas e que se metem aos beijos no Chiado, em frente de quem quer ver e de quem não quer. Que os gays sejam gays é, como já disse, aceitável; que queiram ter os mesmos direitos que as pessoas para as quais as regras foram feitas é impensável. Qualquer dia estão a adoptar crianças não?

Quem escolhe viver à margem da lei, arca com as consequências.

Analisemos o caso Teresa/Lena. Duas mulheres que têm uma vida conjugal, dentro do que permite a lei. Descontam para a segurança social, IRS e essas coisas das quais eu não percebo ponta como um casal convencional. Já se lhes deu tudo o que pudesse trazer vantagens financeiramente e, a meu ver até foi de mais. Esta gente quer sempre mais do que se lhes dá e, portanto vem fazer um escândalo na televisão porque o tribunal não lhes quer conceder o casamento. Isto, pouco tempo depois da UE considerar homofóbico qualquer estado que não aceite esta consumação. Aonde é que vai parar o mundo?

"A lei não proíbe o casamento de homossexuais. Proíbe o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo."

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Excêntricidades de um estudante de economia

Quando eu ganhar o EuroMilhões daqui a bocado vou dar uma lição ao mundo e realizar um fetiche. De uma só acentada.
Vou queimar o dinheiro, em publico. Em frente às cameras.
As pessoas hão de perceber que a felicidade e 40 milhões de conto são coisas totalmente independentes.
Um coelho já está morto.
Agora o segundo: Quando queimar o dinheiro vou ser, nesse instante, uma autoridade monetária. Digam-me quantos de nós poderão algum dia ser uma autoridade monetária? Eu.
Quando queimar o dinheiro estarei a retirar moeda da economia. Vou diminuir a massa monetária. Vou contrair a curva LM.
Isto vai ter dois efeitos. Um é bom e outro é mau. O bom é que o PIB vai cair. Vai haver mais desemprego, logo as pessoas vão trabalhar mens. O mau é que as taxas de juro vão subir. Portugueses e portuguesas amigos do crédito: Estão tramadinhos! Graças a mim.
Mas calma. Como em quase tudo na vida, a história não acaba aqui.
Esta ameaça apenas terá de ser credivel. Não a vou ter de aplicar. Basta-me que voçes endividados e endividadas portugueses acreditem que o vou fazer. Sob essa ameaça vão pagar-me em euros para que não o faça! E eu vou ser um Monopolista. Vou vos sacar o máximo que estão dispostos a pagar por cada milésima de juro, vou sacar-vos o excedente todo, vou chular-vos até ao tutano.
Agora só falta juntar as peças do puzzle. Vou ficar Euromilionário duas vezes. Uma pelo prémio em si. Outra à conta dos muitos endividados portugueses.

"amigos amigos, negócios à parte"

3 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Monday, January 30, 2006

9 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Sunday, January 29, 2006

Fiódor Tolstoiévski

São flocos desagregados, mais em pingos que em cristais, que se esbarram contra a minha janela chorando em lágrimas de morte lenta e pedindo ao frio que os mantenha gélidos. Fogem com o vento e não caem ou fazem birras ao cair, em corridas que travam rodopiando na horizontal e desafiando a gravidade. Fazem-no porque temem o calor do chão e das mãos indrédulas de quem vai à janela comprovar aquilo que os rios de água disfarçam lá em baixo, porque têm medo da superfície escorregadia dos chapéus de chuva que agora são de neve e que assim se encontram indecisos na sua função, como que com dúvidas existenciais, fogem aflitos temendo os vómitos dos escapes sobre a calçada disfarçada aqui e ali de alcatrão, ou fogem porque receiam cair inadvertidamente nos depósitos de água dos chafariz que os engolem nos seus canos.
Está um grau em Lisboa.
Um grau Celsium é quanto basta para que se esbata a brancura dos flocos na transparência da àgua; Para que seja apenas mais real o sonho improvável de que se esconda Lisboa por debaixo das barbas do Pai Natal; Para que me impeçam a providência e a sobriedade, dum sonho ébrio em que desço a rua de São Domingos, cortada em três não pelos carris dos eléctricos mas pelos rastos surpresos dos meus esquis.

Nevar assim é fogo de vista. Tudo isto não passa de uma visão.

"É o sangue a batalhar dentro de ti. Quando o sangue não tem saída começa a ficar a modos que coalhado, a pessoa começa a ter visões." - Fiódor Tosltoiévski em Crime e Castigo. Prometo que para a próxima cito Liev Dolstoi

19 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Raridades

Hoje acordei e liguei a televisão.
Reparei que está a never por esse Portugal fora, menos cá em Lisboa... E achei estranho.
Mas lembrei me que um rafeiro Sporting ganhou a um impotente Benfica na luz.
Assim já fáz sentido.
É um dia raro. Aproveitem Sportinguistas e façam o dois em um: festejem a vitória (mais efusivamente que quando ganham um campeoanto, que não ganham, mas se ganhassem) e aproveitem para fazer leões de neve. Acreditem em mim: é um dia irrepetivel

2 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Monday, January 23, 2006

"Cão como tu!" - Mário Soares parafraseando um título dum livro de Manuel Alegre

Mário Soares ficou ontem um bocadinho aborrecido, porque se julgava - num intervalo de zero a seis biliões de pessoas - o mais ruim de todos, o mais golpes-baixos, o mais facadinha nas costas, o mais "falar da vida pessoal dos rivais para os derrotar em segundas voltas", o mais tinhoso, o mais rafeiro, o mais cão por assim dizer. Porém veio-se ontem a confirmar a suspeita de que afinal Mário Soares é só um menino ao lado de outros gigantes pisa-empecilhos. E Manuel Alegre até o avisou escrevendo-lhe um livro com um título bastante contundente: Cão Como Nós. Era o prólogo da batalha de Alegre: "Podes ser um cão rafeiro e raivoso, mas eu sou ainda pior!".
E assim foi:
Manuel Alegre candidatou-se e passou por cima de Soares, ignorando os proeminentes caninos na sua bocarra aberta que se lhe meteu à frente. Não satisfeito, esquartejou-o em 6 biliões de partes e engoliu-lhe mais de 6% dos votos.
Mário Soares não teve outro remédio senão ir para casa chorar soluçando frases como "Cão como tu!".

"Para a próxima é que é: não hei de morrer sem ser 1% de Presidente desta merda deste país!" - Garcia Pereira.

11 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Sunday, January 22, 2006

E o grande perdedor do dia foi a TVI

Manuela Moura Guedes é irritante e estou ansioso para ler os comentários do Ruca, ele vai dizer o que eu não tenho coragem de dizer:
Ela opina.
Ela levanta a voz.
Ela cala os convidados.
Ela não respeita a opinião dos outros.
Ela goza!!!
Ela é fuçanga.
Ela e a Constança Cunha e Sá numa só noite é dose aturar! Parece que querem falar à força!
Se os espanhóis estiverem atentos ela volta a desaparecer.
Podia escrever aqui tudo o que ela disse e que me irritou, mas não consigo. São tantas. Vou deixar uma:

"Não? Por amor de Deus.." - reacção à resposta de um dos convidados...

5 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Wednesday, January 18, 2006

Originalmente este post ia ser sobre ligres, que são animais híbridos verdadeiros fruto da mistura de leões e tigres...

Sabiam que há wrestling de camelos?? Não, eu sei que no WWF e no RAW são todos uns camelos (a minha falta de desculpas sinceras a todos os que vêem essa telenovela)...

Tou a falar a sério... e mais!: há audiências de muitos milhares a assistir, pois a realidade é que existem torneios desta modalidade desportiva, com cobertura televisiva e tudo. A cadeia televisiva é a Khalé-Mohammed-bin-Sadaam, (é normal que não a conheçam).

vejam só: http://www.guinnessworldrecords.com/content_pages/record.asp?recordid=56083

Outra coisa séria e portanto sobre a qual eu não vou expandir; sabiam que há tráfico de crianças para os países arabes cuja finalidade é ser jockey de camelos? Parece que as corridas de camelos até são coisas perigosas... Ouvi dizer que são as velocidades loucas dos animais, há triliões de anos criados para ser tão aerodinámicos, que acabam por desfazer os putos...

agora uma frase em código: wppcs hcjt,fw wppcs!

"suck it in suck it in 'cause you're rin-tin-tin or anne belin..." -Blues Travelers

12 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

O dogma da opiniao

Conhecimento, cultura geral, sagacidade, inteligência, coerência são todas elas qualidades, à partida, bastante apreciáveis num ser humano.
A opinião é o método que nos permite pesar, tentando ou não equilibrar, estes “artifícios” e transformá-los em expressão compreensível aos outros.
A opinião é, por isso, desejável e é, por si só, uma arma poderosa.
A opinião reflecte num espelho de água turva aquilo que queremos passar de nós. Deve por isso ser bem usada e manipulada.
A opinião, quando mal empregue, faz-nos perder palmo e meio de altura. Até desaparecermos! Cuidado com a opinião!

Jules, (que acaso de coicindência ainda não conhecera Jim) sabia o que queria e tinha-se em consideração suficiente para não se achar mais que os outros.

Chet, apesar de alienado, era talentoso.

Mario, tinha o dom da escrita, mas não os sete alqueires bem medidos.

Bralon, era, apesar de não se perceber, imortal.

Estes quatro, e mais quatro, nada tinham a ver uns com os outros, nem tão pouco se conheciam. E o que tinham em comum resumia-se unica e exclusivamente ao valor que davam à OPINIÃO.

Fruto (qual deles?) do acaso, os oito encontraram-se na mesa grande do café Octávia, que dista sete jardas das portas grandes de Brandenburgo.

Cada qual, a seu canto da mesa redonda, parou por uns segundos para observar que coelho sairia da cartola dos outros sete.

Um nono chegou. Ficou de pé e observou, porque era tímido!

Nenhum deles se achava mais ou melhor que qualquer outro que por ali já tivesse passado.

Após um silêncio respeitador fizeram uma vénia e acordaram que, nas suas diferenças, ouvirião a OPINIÃO de cada um, expondo também a sua, porque ali o respeito era imperativo.

A ideia era boa e a hora era certa. Mas o local não!

O problema dos cafés, para além da verdadeira (não) limpeza que o balcão oculta, é a existência de pessoas estranhas ao serviço.

É lógico, que quem não pertence à comitiva desconhece as regras da casa, e deste modo, todos os outros clientes que bebiam cafés, bem como os cafés que bebiam clientes, arregalaram os olhos à oportunidade de dar opinião.

Ainda assim, os outros 9 não se importaram. Era assim que queriam jogar.

Todos eles, de muito bom grado se deram a conhecer uns aos outros construindo a sua pequena torre de OPINIÕES.

Acontece que os abutres sedentos das mesas vizinhas, tinham também eles opiniões, que tiveram o cuidado de atirar à desbravada para a mesa que agora se mostrava pouco resistente ao peso de tanta OpInIãO.

Aqueles que não valorizam a OPINIÃO, para além de não saberem que perdem palmo e meio de altura cada vez que a usam mal, desconhecem que esta pesa cerca de sete vezes a massa de meia girafa. É portanto pesada.

A mesa vacilou, torceu-se e contorceu-se, agarrou-se à barriga com dores de cabeça, mas não caiu. O peso das opiniões dos abutres não chegou para a deitar abaixo.

Os 9 continuaram respeitosamente a dar OPINIÕES!

“As maquetas são como os iogurtes: devem ser do dia!”,
Nuno Miguel Feio

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Tuesday, January 17, 2006

Sondagens

Depois de ter ouvido o Manuel Alegre dizer aos socialistas que se queriam um socialista na presidência deviam votar na sua pessoa e não em Mário Soares, dei por mim a pensar nas sondagens e no que elas representam.

Perante as sondagens, o que fazer? É a questão do voto util... Imaginemos uma pessoa que quer votar no Mário Soares, que é essa a sua intenção de voto, desde cedo. Imaginemos que a sua lista de prioridades é ter o MP3 seguido de evitar Cavaco. Neste caso, e perante as sondagens, e pondo de lado a hipótese de esta pessoa ainda acreditar que Mário Soares possa vencer as eleições, talvez o melhor fosse votar em Alegre, talvez este fosse o voto "util" na medida em que só ele permitiria alcançar pelo menos um dos objectivos, evitar Cavaco, estando a verdadeira prioridade, eleger Mário Soares, posta de lado.

Ou seja... Acho que as sondagens não são simples prognósticos, mas muito mais do que isso.
Não poderão as sondagens ter o poder de manipular votos, de alterar o resultado?!?

E mais... Porque será que não costumam falhar? Será que fazem uma leitura perfeita da realidade, será que recolhem amostras perfeitas e perfeitamente representativas do universo eleitor, ou será que fazem uma leitura geral da realidade e graças a esta leitura geral manipulam o pormenor?
Encaro as sondagens como uma estrada de dois sentidos para a realidade, em que por um lado camptam informação (perfeita ou não) e por outro enviam informação (perfeita ou não) que pode influenciar e consequentemente alterar a informação que anteriormente recolheram.

A tal pessoa se já não tivesse expectativas de ver Mário Soares como presidente e que tivesse expectativas de que Manuel Alegre podia viabilizar a não eleição de Cavaco, tudo graças à informação das sondagens, poderia chegar mesmo a votar Alegre, não a acharia estupida por isso.
As sondagens podem mexer com as expectativas das pessoas que podem mexer com as suas intençoes de voto.
Podem existir muitas pessoas assim. Podem decidir-se eleições assim...

Afinal, porque existem as sondagens? Para encher as noticias? Para dar que falar? Ou exactamente para tornar o voto de cada pessoa mais "util".

Farão as sondagens parte do jogo das eleições?
Eu acho que sim. Acho que é legitimo perguntar-me onde acaba a correlação e onde começa a causualidade.

"Quando chove há menos acidentes mortais, logo a chuva torna as estradas menos perigosas"

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Monday, January 16, 2006

Que se vai cantar o fado

O silêncio é um som ou a falta dele? Ou será isto apenas uma questão de definições? Não! Quer dizer, para mim é importante... porque se quando existe, no meu campo auditivo, silêncio, gostava de saber se há ausência de som, e se eu não estou a ouvir (nada) ou se de facto estou a ouvir (nada). Parece-me uma pergunta não só pertinente como re grande relevância; pois com base na definição de que eu não estou a ouvir nada, nesse caso sou surdo!
Vamos lá ver: eu estou aqui no meu computador e (para que não haja confusão, eu não estou dentro do meu computador, estou a escrever no meu quarto; o meu CPU está apróximadamete a 15cm da minha cadeira numa posição descrita pelo vector <0,-1,-1> ) e há silêncio. Mas este verbo haver já condiciona a resposta; será portanto "há silêncio" ou "consigo ouvir silêncio"... ou ainda "consigo ouvir o silêncio"?
Meus senhores (e minhas senhoras, não quero que me acusem de falta de educação - acusações de machismo eu suporto!) calem-se um bocadinho... ouviram?? CALEM-SE!!!!!

assim está melhor... conseguem ouvir/sentir (o) silêncio?

...


Outra coisa; se o silêncio é de facto um som, será que eu o posso gravar? Isto é, posso ouvir o som do silêncio (a verdade é que posso, se tiver um cd do Simon&Garfunkel - the sound of silence) com uns auscultadores quaisquer? E se puder, e aumentar o volume, isso quer dizer que posso abafar outros sons com o silêncio? Quer dizer que o silêncio pode ser mais alto que o barulho... Eu tenho uns "noise-reducing headfones" o que é que isso quer dizer?

"Alguém NÃO está confuso?!"

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Sunday, January 15, 2006

Uma lição: Como cair em cheio no ridiculo.

Olá malta

Recebi no meu telémóvel, faz alguns minutos, a seguinte mensagem (que podemos considerar desde já a citação deste poste):

"Carreg. 10.00 Eur, Bonus: 00.00 Eur, Saldo Actual : 12.22 Eur. manda este sms a 10 91 e receberás 10 euros* em 10 minutos. Eu ja recebi, nao tou a brincar"
*(na mensagem vinha o simbolo do euro, simbolo esse que eu não consigo encontrar no teclado)

Pelo respeito que me sobrou à pessoa que me mandou esta mensagem não vou mencionar o seu nome.

Achei por bem, ou apeteceu-me, como queiram, tecer algumas considerações sobre a mesma:

Vou supor na minha análise, por absurdo, que o conteudo da mensagem é verdadeiro, ou seja que quem enviar a mensagem a 10 assinantes da Vodafone recebe efectivamente os 10 euros.
Reparemos pois que não só está explicito que se recebe dez euros como está também explicito que depois desta operação milagrosa se fica com um saldo de 12.22 Euros, o que deixa implicito que toda a gente tenha de ter como saldo 2.22 Euros, antes de se aproveitar da promoção, o que eu acho bastante improvável.
Admitindo, ainda assim e de boa fé que tal é possivel, como se uma das condições para o feitiço resultar fosse ter esse saldo antes de se começar a operação. A pessoa em questão, na mensagem que me manda, e porque me manda esta mensagem eu pressuponho ser uma das dez pessoas escolhidas para o efeito, diz também que já recebeu os 10 euros, que não está a perder o seu tempo com brincadeiras parvas. A minha boa fé acaba aqui. Ora se a mensagem me foi enviada eu sou, à partida, um dos dez visados. Admitindo que eu fui o ultimo dos comtemplados, a mensagem diz que só passados dez minutos é que se recebe os 10 euros...Ora, na própria mensagem esta pessoa faz-me querer acreditar que já recebeu, como é possivel se só agora eu recebi a mensagem e nem dez segundos passaram?
Além de ser uma estupidez, é uma estupidez mal feita e insustentada que faz passar por parvos os que nela acreditam...

Mas pronto, eu posso pensar que a pessoa que me mandou a mensagem tenha tido mais boa fé do que eu, ou que na altura não tivesse nada mais interessante para fazer... Ainda assim, o problema não acaba aqui.
Esta pessoa não nutre qualquer respeito por mim, na medida em que não tem medo, ou vergonha, do que eu vá pensar dela por me incomodar por tal disparate. Só pode ser uma pessoa que me tem em baixa estima, estilo "deixa cá enviar isto a 10 palermas, se não der é indifrente", e fá-lo sem medo de ser julgado. Pelo menos era assim que eu pensaria: Isto pode ou não ser verdade, se não for vou estar a fazer figura de estupido...Ora ora.. À frente de quem é que eu não me importo de fazer figura de estupido..de outro estupido ou de alguém para quem me esteja absolutamente a cagar".

Bom, queria acabar salientando que esta mensagem faz ainda menos sentido numa altura em que é sabido que muita gente não paga mensagens para 91, o que deita por terra qualquer possibildiade de se tratar de uma campanha da Vodafone, Vodafone esta que nada tem a ganhar com sequer levantar esta hipótese, visto que nem os que acreditam lhes pagam pelo envio das dez mensagems.

A unica solução que eu consigo deslindar é que se trata de um anti-campanha da TMN ou da OPTIMUS que acabam por conseguir que os clientes da vodafone sejam incomodados com disparates e como tal o seu bem-estar diminui. Ora se está explicito na mensagem que só 91s é que vão receber as mensagens fica no subconsciente a mensagem: "se não fosses 91, não te chateavam, não tinhas de estar a dissertar durante quinze minutos sobre uma estupidez, porque ela nem teria chegado a acontecer."

Um abraço e até a próxima.

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Isto para fundamentar o meu comment ao post do Pedro. Ainda faltam cerca de 5-7 segundos para que ocorra o terrivel fim que relatei, mas podem ter uma ideia da imagem- UM NOIJO!

Já agora, está um belo post. Para além de ensinar o leitor sobre a vida selvagem, dá também a conhecer um pouco da vida familiar das cobras de capelo.

6 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Queda capilar

Ontem vi um programa de televisão na 2: sobre a queda capilar, mentira!, era sobre a cobra capelo. Não foi a cobra que primeiro me atraiu naquele canal, foi antes um senhor hindu que com ela brincava e que me fez lembrar aquele faquir do Carvão no Porão (ou será do Ouro Negro?) do Tintim. Era muito magrinho, extremamente magrinho, tinha 3 metros de espaço entre os joelhos de cada perna, os ombros eram mais magros que a bacia e estava a fazer coisas perigosas vestido apenas com uma fralda de pano enrolada como bem podem imaginar. Gostava de conhecer aquele homem: será que ele também consegue sentar-se em pregos e em carvão em brasa e perfurar as bochechas do rabo com um Black & Decker e tocar com as palmas do pé nas omoplatas sem nunca sentir uma pontada de dor?
Depois vieram as cobras.
O documentário até era giro, bem realizado, bem explicado e satisfazia plenamente a minha necessidade de apatia. Foi então que me deu o enjôo quando a cobrita que eu vira nascer resolve aventurar-se na sua primeira caçada:
Achei que dado o tamanho da pequenita esta apenas iria caçar ervas, ou no máximo minhocas ou maminhas da mãe. Mas não, estava com fome e achou que um sapo calharia melhor, pelo que assim foi:
Aproximou-se do sapo, cumprimentou-o e ele viu-a mas muito parvo deixou-se ficar, talvez por preguiça, então perguntou-lhe Posso-te comer?, ao que ele pensou Esta gaja deve 'tar parva! Mas que malcriadinha!, respondendo depois Ouve lá e se fosses jogar ao pião?, foi então que a cobra que era mimada e não gostava que a contrariassem o mordeu e já se preparava para ir fazer birra para junto da sua mãezinha quando lhe cai o sapo em cima petrificado pelo veneno. Impecável! Vou já mostrá-lo à mãe, pensou então a cobrinha inchada de orgulho, mas o sapo era pesado e ela pequenina, afinal era só uma cobrinha, e estava sem mãos para pegar nele pelo que abocanhou-o e começou a arrastá-lo. Três metros volvidos entediou-se e engoliu o sapo inteiro. Aquilo enojou-me, deu-me uma certa náusea confesso. Principalmente quando ela abria e ajeitava ainda mais a bocarra, antes disfarçada, para conseguir engolir ainda melhor as bordas do sapo. E quando só se viam as coxinhas de sapo cruzadas em X de fora da cobrita arrepiei-me com bastante vigor. Mais uma vez me lembrei do Tintim desta vez no Congo e do Milu que assim foi engolido por uma cobra. Na altura achei que aquilo era uma brincadeira do Hergé, que elas comiam coisas mais à sua escala, bichinhos tipo ratinhos e sapinhos dos pequenos.

Quando tudo acabou desliguei a televisão e fui para a cama. Pelo caminho, no entanto, fui trincar qualquer coisa e meti um frasco de compota e um pão de forma inteiros pela goela abaixo que agora teimam em não ir para dentro. Não sei que faça.

"Mastiga 30 vezes cada pedacinho de conhecimento que ingiras antes de engoli-lo" - Feleciano José

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Saturday, January 14, 2006

Soneto

Para muitos uma arte,
Para todos o antónimo de civismo.
Se feito por um real javarde
É bem pior que um sismo.

A melodia que produz
Soa à semínima e à colcheia.
O poder que os homens seduz
É o de partir propriedade alheia.

Estragar, partir, rasgar
Comer e depois defecar são palavras portuguesas
Quem os fez (até quiçá em cima de mesas) só se pode culpar .

É giro e tal quando não é teu,
Partir um vidro ou queimar um pneu.
Isto tudo e sem eufemismo, é a cru o Vandalismo.

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Thursday, January 12, 2006

Cecília

Tenho andado com uma certa dormência intelectual acerca de um assunto que pretendo agora coçar valentemente. Não será nenhum caso de varicela ou de sarampo, mas é um tema que me incomoda tanto quanto uma borbulha quística, incrustrada bem no centro da coluna vertebral o faz, nos momentos em que se pretende treinar os músculos abdominais:

Se não me engano, 'dark' em inglês quer dizer 'escuridão' em português, ou 'escuro' se a palavra for utilizada como um atributo adjectivo de qualquer coisa. Acho que estamos todos de acordo até aqui. Ainda não há divergências de opinião, ou assim o espero, já que o contrário seria sinal de alguma senilidade duma das partes, a qual não aponto. Também estaremos todos de acordo em relação ao método de determinação daquilo que é uma sombra (que em inglês se diz 'shadow'): portanto, vejamos, a sombra consiste nesse semblante ou nesse vulto escuro, que é escuro exactamente porque algum corpo físico impede a incisão directa da luz solar ou artifical sobre a zona em que essa mesma sombra se espalha. Este discurso é todo muito estúpido, mas preciso mesmo de me certificar que todos nós distinguimos uma sombra por esta ser mais escura que toda a sua àrea circundante (a menos que também esta esteja sombreada, mas isso não interessa).

Posto isto vou-me coçar:
Acho de uma genialidade atroz e de uma sensibilidade verdadeiramente comovente, que alguém equacione na solidão da sua alma, um tão belo cognome (que em inglês se diz 'nickname') como 'DarkShadow'. É realmente magnífico como esta criação etimológica toca o cume do gládio, como consegue a dois tempos fonéticos cantar toda uma sinfonia, como por detrás de uma força e de uma convicção e de uma personalidade bem demarcadas este cognome nos soe, quando pronunciado e mesmo que gritado, a rosas primaveris esvoaçando ao som das harpas e dos violinos e das tubas harmoniosas num relvado luminoso e quase tão verde como o azul do céu, todo em decrescendo no vai-vem das suas colinas suaves!
São momentos como este que me deixam encantado com a vida que Deus me deu, ou não! É talvez até isto que mais me entristece! Porque DarkShadow é um nickname bastante parvo que, de cada vez que leio, me faz lembrar um pobrezinho de um heavymetal com os olhos colados ao monitor do seu computador, sentado no seu quarto cujas paredes estão forradas a posters dos Sepultura e dos Kill Dogs e dos AARRGHHH e dos SuperBadGuysWithGunsAndStuffThatCanHurtYou misturados com as bandeiras encarnadas do Che, que estão também suspensas nas prateleiras onde coleiras aos biquinhos para cães, mas neste caso concebidas para se usar em homens, convivem com caveiras de plástico e gosma fosferescente muita fixe, que se vê mesmo à noite de luz apagada e tal e coiso.
'DarkShadow' é qualquer coisa de tão genial como "branco como a neve" ou "preto como o carvão", é realmente uma redundância bastante entristecedora!
Por isso parabéns ao nosso comentador o DarkShadow, e que a sua magia nos toque a todos nós também um pouco!

"Enquanto não formos tod@s livres seremos tod@s prisioneir@s" - Graffiti no Museu das Janelas Verdes de uns bandalhos quaisquer que se dizem oficialmente Anarquistas (afinal são organizados os Anarquistas).

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Wednesday, January 11, 2006

Um reparo (desta vez é mesmo daqueles que serve para reparar um erro)

Ao contrário do que se possa ter dito ou escrito, ou ainda cantado (mas acho que este último ninguém fez), o poll que anteriormente disponibilizámos era apenas um teste a um novo atributo que vamos...vá lá, atribuir (atributo-atribuir, não soa bem) ao blog, sendo que não era de extrema relevância, do que deriva que podia e devia, aliás, ser tomado como uma broma.
A todos os que votaram pedimos desculpa pelo INCÓMODO DE CARREGAR UMA VEZ NO RATO! (isto sou eu a ser politicamente correcto, a pedido do administrador do blog).

" -
*




(*) Aposto que toda a gente passou um rasto do rato por cima da minha suposta citação, achando que se tratava de mais um problema de cariz bloguístico. Mas não, achei que um post tão miserável não merecia uma citação.

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Coisas da vida

O Veloso, que eu nao conheço, é, dizem, aquele gajo impecável, sério, honesto, trabalhador.
Nisto, anulam-lhe o exame.

"As vezes e preciso dar um passo atrás para dar dois em frente" Força Veloso

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Monday, January 09, 2006

Demonstração de Fluxos de Caixa

Se a contabilidade é uma técnica deprimente, os contabilistas só podem ser deprimidos.
E eu sei que a contabilidade é deprimente.
Ao fim de uns dias em que vesti a camisola de contabilista se alguém me diz que foi à rua comprar tabaco, eu percebo que ele creditou a conta 12, debitou a 312, creditou a 312 e debitou a 321. E depois pergunto: "Mas ouve lá, pagaste ou ficaste a dever?".
Se alguém me diz que vai meter gasoleo, eu percebo que ele creditou a 12 (valor mais IVA), debitou a 62 (valor mais metade do IVA) e debitou a 2432 (metade do IVA).
Se alguém me diz, todo entusiasmado, que vai comprar um carro novo, lá vem a merda da linguagem contabilistica, e eu percebo que ele creditou a 12 e debitou a 424 e depois lembro-me que ainda tenho de pensar se é comercial ou de passageiros para saber se o IVA é ou não dedutivel e se entra ou não na porcaria do valor do carro, e se é a crédito ou a pronto.
Tudo, meus amigos, tudo se torna uma chatice. No outro dia o meu pai disse-me : Toma lá 20 euros, vai passear. O que é que era de esperar? Que eu ficasse todo contente. Mas não. Eu debitei a 11 e creditei a 78.

"Uma pessoa normal chega a casa depois de horas a fio na universidade e vai dormir, um nerd chega e vai escrever um post que pretende ser uma piada sobre o que esteve a fazer e que provavelmente nem tem graça para a maioria das pessoas, que tem a sorte de nunca ter tido contabilidade"
Eu, ao dar-me conta do que estou a fazer.
Boas noites, vou dormir, até à proxima.

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Friday, January 06, 2006

Um gato comeu outro gato porque este último se parecia com um enorme rato.

< Escrevi aqui neste espaço um post inteiro, mas quando cheguei ao fim cheguei à conclusão que só dizia parvoíces. Ficou o título e a citação.
Espero que gostem. >

"E ao terceiro dia conforme as escrituras, retornou à secretária para julgar os cultos e os incultos, e a sua nerdice não terá fim!" - Escritos bíblicos acerca da ressureição de Feliciano José - O quê? Ele ressuscitou?!

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Monday, January 02, 2006

Big Mac: Vida e Obra

Big Mac acordara naquela manhã do dia 31 de Dezembro de 2005, inevitavelmente mais velho do que em qualquer outra manhã, e, apesar dos seus jovens 18 anos, sentia bem o peso, não da idade, mas do corpo que teimava em levantar.

O dia 31 de Dezembro era um dia carregado de significado para Big Mac. Era um dia de esperança, um dia de mudança, um dia em que ele acreditava num ano próximo melhor do que o anterior.
Todos os anos, era neste dia que fazia um balanço do que tinha feito no ano que agora acabava, projectando expectativas para o novo que amanhã começava.
Big Mac sabia que, por muito mal que as coisas tivessem corrido, era agora a altura de dar a volta por cima e caminhar de braços abertos para o futuro de sucesso que há muito lhe fugia.

Recordava, como a madrasta da sorte o atraiçoara em pequeno, dando-lhe poucas ou nenhumas hipóteses de singrar na vida, e recordava também como soubera fintá-la, fazendo acreditar a si mesmo e aos que o rodeavam, que o seu talento era suficiente para justificar um lugar acima daqueles que rastejam na mediocridade.

Pois é….mas se a sorte é madrasta é porque não pode ser mãe, e se Big Mac tivera o azar de nascer com pouca sorte, era porque assim estava decidido desde muito cedo.

Fruto de uma relação pouco estável entre o funcionário encarregue de manter a limpeza dos courts do Clube de Ténis da Santa Parvónia e a cozinheira encarregue de fazer crer aos sócios do mesmo, que comiam suculentas refeições macrobióticas, Big Mac viu nascer em si uma enorme paixão pelo desporto que o rodeava.

Começou cedo a treinar demasiado, desenvolvendo a sua técnica, a sua velocidade, e também cedo foi referenciado como uma jovem promessa do ténis português. Depositaram-se em si confianças que nunca foram capazes de o fazer confiar em si mesmo e foram-lhe dados privilégios que apenas privilegiaram o seu pretensiosismo.

Big Mac começou a jogar torneios.
Big Mac começou a ganhar torneios.

E os patrocínios choviam-lhe em cima, com a intenção de o motivar, mas inundaram-lhe o caminho do sucesso, do qual se desviou, para se perder para sempre nos becos escuros do falhanço.

Não soube usar o dinheiro, que nunca tivera, gastando-o em tabaco, álcool e passatempos pouco próprios para quem deve manter um bom físico.

O seu atlético corpo ressentiu-se da sua muito pouca espedita cabeça e uma enorme camada adiposa acimentou-se por cima duns agora envergonhados abdominais.

Big Mac engordou descontroladamente e, por isso, abandonou o ténis de alto nível e a possibilidade de brilhar. Era agora ele fintando pelo destino que outrora lhe acenara com lenços de fama.

Big Mac não conseguiu matar o ponto.
Big Mac subiu à rede, mas tropeçou.
Big Mac serviu, mas fez dupla falta.
Big Mac fez um amorti curto demais.
Big Mac fez o passing-shot demasiado longo.
Big Mac errou e o erro saiu-lhe caro.

Despediu-se do ténis e dos agassis que nunca pôde defrontar.

E por isso, quando Big Mac acordou naquela manhã de 31 de Dezembro de 2005, chorou. Porque já não se podia enganar a si próprio e o ano que aí vinha não se adivinhava melhor do que aquele que passara. Porque a sua oportunidade há muito que tinha sido deitada fora e restava-lhe agora viver a vida medíocre que a madrasta lhe prometera à nascença.

Big Mac, 1987-2005

“Temos de ser iguais a nós próprios” – qualquer jogador/treinador da apaixonante Super Liga Bet and Win

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Sunday, January 01, 2006

Lamby Had a Little Mar

Não sou, nem nunca fui um grande adepto da New Year's Eve. Como tal, nunca vibrei muito com a contagem decrescente nem com as passas, nem tão pouco com os saltos ou desejos. Não tenho, porém, nada contra quem é e vibra. Apesar de achar meio ridículo o entusiasmo de passar uma meia-noite tão similar a outras 364. As pessoas agem como se houvesse possibilidade de não passarmos, como se desta talvez o mundo fenecesse e fosse sugado para um buraco negro ao segundo 59. Quando finalmente passámos, aliviados desejamos com palmadinhas amistosas e sinais faciais um bom ano cheio de sucessos.

Eu, sempre fui um dos que passa calmamente e em casa com os pais, e talvez seja essa a razão que me leva a dizer o que foi dito acima, a ver o Hermano com um pouco (e sublinho um pouco) de champagne Moet & Chandon, um bate-papo agradável e as tão habituais promessas de que este ano é que é, que é a partir de hoje que eu começo a estudar quando chegar a casa, e que me vou esforçar por diminuir as quezílias que porventura possam surgir com a família. Claro está, que nestes revelhões batiam as doze e pouco tempo depois iniciava o meu novo ano a dormir porque, apesar de agradável não deixa de ser uma passagem de ano de nível médio-fraco.

Há, faz hoje precisamente um ano e algumas horas, descobri o que era uma passagem de ano com amigos e, confesso que fiquei feliz por beber champagne barato. A razão desta descoberta ser tão tardia, deve.se ao facto de eu me recusar a dar quantias exorbitantes (que exorbitam tanto mais, quanto mais tarde decidirmos) por festas que acabam por ser uma merda, porque estão cheias de gente, que pode ou não ser estúpida, não faz diferença para o caso, e aonde o bar aberto é tão aberto, que se não vamos já bêbados saímos sóbrios derivado a uma série de infortúnios.

Finalmente, o resto das pessoas chegou a esta conclusão e alguns de nós cederam gentilmente a casa, na qual se proporcionaram momentos de euforia tresloucada, abusivamente potenciada pelo (abundante!) álcool. No fundo, não passou de mais um motivo, como tantos outros, para se beber quantidades cavalares de álcool e por esta mesma razão o primeiro parágrafo já faz outra vez sentido, porque não se trata objectivamente da passagem de ano mas de uma festa eixcepcional onde por um acaso também se comemora a passagem para o ano seguinte. Ora, o facto de ter gostado de uma festa com estas características não implica que tenha que gostar da passagem de ano, logo não me contradisse logo não me podem acusar de o ter feito nem de ser pouco coerente! Assim, repito sem medo de parecer um grandessíssimo artolas, não sou nem nunca fui um grande adepto da New Year's Eve.
Tenho dito.

"iPod nemo"

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Monday, December 26, 2005

Mary Had a Little Lamb

Queria apenas aqui fazer um pequeno reparo. Um reparo simples de quem repara em qualquer coisa, não um reparo de quem corrige um erro ou um estrago.

Quantos de nós poderão garantir, de leve consciência e de boca bem aberta e pulmão bem cheio, que nunca gritaram aos ouvidos de um qualquer amigo um comentário absolutamente malicioso, má-língua, reles e gritantemente ordinário - uma enorme javardice - acerca de uma outra pessoa que nem a mais de metro e meio estivesse de nós no preciso momento do delito? E quantos de nós poderão também asseverar que, se o fizeram, não estavam nesse preciso momento a lançar um olhar de desdém à pessoa em causa?

É mesmo engraçado aquilo que nos permitimos fazer dentro duma discoteca. Imagino como seria embaraçoso que, a dada altura, a música congelasse de repente e que os ouvidos humanos se pudessem adaptar em milésimas de segundo a novos níveis de décibeis, de tal forma que o berro escandaloso de qualquer um de nós acerca da aberração que partilha o metro quadrado de chão em que nos encontramos, se passe a ouvir claramente em toda a discoteca.

Também tem graça que se não estiver dentro de uma discoteca não suporto mais de três frases gritadas aos meus ouvidos. Primeiro porque é estúpido mas acima de tudo porque é bastante danoso para a saúde da minha audição.
Realmente não me dou conta dos enxertos de porrada que os meus ouvidos levam de cada vez que vou sair!

"Minh'alma estremece quando penso na efemeridade da vida" - Pedrutustra tacteando o caminho da morte...

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Saturday, December 24, 2005

O que é isso, o Natal?

Fica a pergunta no ar...

Bom Natal para todos!

"Hmmmmmm dá dá dá" - by Peixe

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145. Afinal Fernando Pessoa até nem estava muito desassossegado.

"Era um milionário americano e tinha sido tudo. Tivera quanto ambicionara - dinheiro, amores, afectos, dedicações, viagens, colecções. (...) Quando depunha o jornal sobre a mesa (...), reflectia que o mesmo, na sua esfera, poderia dizer o caixeiro de praça, mais ou menos meu conhecido, que todos os dias almoça, como hoje está almoçando, na mesa do fundo do canto. (...) Os dois homens conseguiram o mesmo, nem há diferença de celebridade, porque aí também a diferença de ambientes estabelece identidade. Não há ninguém no mundo que não conhecesse o nome do milionário americano; mas não há ninguém na praça de Lisboa que não conheça o nome do homem que está ali almoçando.(...)
Se me disserem que é nulo o prazer de durar depois de não existir, responderei, primeiro, que não sei se o é ou não, pois não sei a verdade sobre a sobrevivência humana; responderei, depois, que o prazer da fama futura é um prazer presente - a fama é que é futura. (...)
O milionário americano não pode crer que a posteridade aprecie os seus poemas, visto que não escreveu nenhuns; o caixeiro de praça não pode supor que o futuro se deleite nos seus quadros, visto que nenhuns pintou. (...)
Eu, porém, que na vida transitória não sou nada, posso gozar a visão do futuro a ler esta página, pois efectivamente a escrevo; posso orgulhar-me, como de um filho, da fama que terei, porque, ao menos, tenho com que a ter. E quando penso isto, erguendo-me da mesa, é com uma íntima majestade que a minha estatura invisível se ergue acima de Detroit, Michigan, e de toda a praça de Lisboa. (...)
Com estas psicologias metafísicas se consolam os humildes como eu." - Fernando Pessoa in, O Livro do Desassossego

Oitenta e tal anos depois ele tinha razão.
Concretizou-se a pequena psicologia metafísica de então, desagregou-se a fama convicta conquistada por exércitos de dinheiro e de lábia social. Um pensamento vago, volátil e ligeiro passou intermitente para o papel, porque era assim que ele se dava à vida, e durou mais do que as letras prensadas do jornal, todas encavalitadas de modo a ostentar entre si a fotografia do famoso americano. A fama, o sonho então improvável, voou até nós como um pensamento que resiste ao tempo e que lhe há de resistir sempre, não apenas porque foi escrito mas também pelo valor que se lhe deve.
O exemplo é simples e claro: Fernando Pessoa moldou a sua própria fama; delineou-a humilde com a paixão de quem vive como pensa que lhe foi destinado que vivesse. E a fama demorou mas brotou da honestidade. A fama demos-lha 'nós' em buscas que fizémos aos caixões póstumos que em sua casa ficaram, cheios de papeis desordenados, brotando pensamentos humildes e simples como este. Não pediu favores a ninguém, não usou discursos enganosos, não sujou as mãos com dinheiros duvidosos, não empurrou ninguém para fora do seu caminho, não espezinhou gente, apenas escreveu o que pensava e assim subiu ligeiro acima de todos os outros, transpirados pela ganância da reputação.


"A glória não é uma medalha, mas uma moeda: de um lado tem a Figura, do outro uma indicação de valor. Para os valores maiores não há moeda: há papel e esse valor é sempre pouco." - Idem

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Friday, December 23, 2005

De volta do paraiso.

Acordei.
Mas desta vez não estavam lá os outros.
Ninguém para ouvir os meus devaneios.
Estava sozinho outra vez.
Eu sei que que um batia com as portas e cadeiras, que outro gritava injurias quando a raiva dele se apoderava, que um outro tinha a mania das arrumações, que outro por outro lado nada arrumava e que o que falta se endiabrava quando o alcool lhe corria nas veias.
Mas eu gostava deles assim.
E agora estou sozinho.
Foi uma boa semana.

"Acção: São 9. Reacção: Vou levantar-me"

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Friday, December 16, 2005

Olá outra vez

No outro dia li uma estatística estúpida: dizia que Portugal estava com uma taxa de natalidade abaixo da média europeia - ao que eu pensei, que burros! o natal só vem uma vez por ano em todos os países europeus; logo, dadas as minhas contas matemáticas feitas no instante do meu pensamento, a não ser que os outros países tenham menos dias que Portugal, a taxa é sempre 1/365! Porque é que os média estão sempre a dizer mal do nosso país?! Aina no outro dia li no Floor Street Journal que as estradas de Portugal eram muito perigosas... Até parece! Coitadas das estradas, elas quietinhas não fazem nada - nem se mexem! Como se algo inanimado pudesse ser perigoso. A próxima vai ser praí que as facas também são perigosas. Que risada!
Enfim. Cuidado com as culheres; essas sim, são perigosas.

"Desintoxicação?! Nada disso... o Martim foi internado, mas numa instituição mental! Para ser simpático, nós gostamos de dizer 'casa de repouso,' até é mais discreto."

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Friday, December 09, 2005

Em que o Beto e Geovanni se revoltam

Quantos portugueses não terão pensado, na ressaca do madrugador golo do Manchester United, que o Benfica ia ser massacrado como noutras noites europeias? Quantos não pensaram que o benfica ia ser fuzilado, goleado, humilhado, no seu próprio estádio, cheio que nem um ovo?
A questão é? Quantos não se terão enganado?
Muitos.
Parabéns ao Benfica pela excelente exibição, pela vitória frente ao colosso inglês, por ter salvado a honra do convento em matéria de competições europeias.
Nem vale a pena pensar no senhor que se segue. Quando só se pode escolher entre Arsenal, Inter, Juventus, Milan, Barcelona, Lyon e Liverpool, que venha o diabo e escolha. Se fosse eu a escolher optava pelo Inter ou Arsenal.
A ver vamos se o Benfica preenche mais uma página de história.

PS- Cristiano Ronaldo foi assobiado na sua própria pátria e isso pode ser condenado ou não, pode ser nojento ou não, pode estar correcto ou não. O que é certo é que o craque se enervou e não jogou metade do que podia ter jogado. A ganhar ficou o Benfica, a perder ficou Ronaldo porque agora é certo que não sabe lidar com a pressão.

"Who the fuck is Man United?"

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Tuesday, December 06, 2005

Em que os macacos do nariz se revoltam

Há quem diga que os seus genitais têm já barbas brancas de cem anos e quem lhes dê mais felpuda idade ainda, há também quem vocifere que, Genitais Ele não os tem porque deles não precisa nem para ter filhos nem para descobrir o equilíbrio do prazer primordial, porque filhos dele somos todos nós e Ele nunca nos teve e a verdade do prazer é Ele que a transpira e somos nós que a bebemos em gotículas de insatisfação escorrida pela sua pele macia e doce. Momentos houve em que a instabilidade pública era quase insustentável, em que os conceitos insensoriais pareciam desvanecer-se em desconfianças e desmotivações da Nação, em que houve quem reclamasse com todo o pulmão vibrando e toda a boca jorrando a convicção espumante da saliva, Mas que raio vamos mas é por-lhes a vista em cima a esses famosos berlindes do Sr. General e ver se é de verdade ou de mentira aquilo que dizem todos esses contadores de histórias que aí andam. Foi então que o espasmo do espanto lhes fez a todos o coração visitar o estômago, pois General algum encontraram quando o foram procurar para averiguar com a vista ou o tacto tamanha inquisição, por entre as salas do Palácio do Santo Conhecimento. Viram apenas quartos de camas rodeadas de livros abertos e fechados e nem abertos nem fechados e dobrados em dois ou até em quatro, todos empilhados em enorme confusão; apenas salas de jantar imperiais com cortinas de seda inscritas de letras de ouro tão brilhante quanto a poesia que por ele escorria e que depois eram geniais cálculos numéricos e manisfestos fenomenais de momentos históricos à beira da mitologia e notas musicais das mais fantásticas composições melódicas e tudo aquilo parecia não ter fim como não tinham as cortinas que atapetavam paredes, mesas, chãos e candeeiros numa sinfonia entre o cintilante do ouro e o púrpura da seda e as formas por detrás escondidas; apenas viram casas de banho que mais pareciam descabidas bibliotecas de retrete e bidé embutidas bem ao centro, no chão da sala, que afinal também tinha banheira e lavatório e talvez fossem mesmo apenas casas de banho com enormes prateleiras de madeira maciça, como a de Pau-do-Brasil mas que não era do Brasil pois não é dos portugueses esta história; apenas viram um enorme salão cujas paredes pareciam perder-se por detrás das folhas soltas agarradas porém a agrafos gigantescos feitos de metal forjado com a insígnia da Casa do Santo Estudo. Foi neste salão que lhes pareceu ver qualquer coisa mover-se, ou por outra, qualquer coisa fazer mover a colecção inacabável de letras em papel agrafado espalhadas pelo chão que já era mais letras que chão, mas não ligaram porque as suas cabeças já não estavam para isso, porque mais valia respirar o ar puro de toxidade citadina de lá de fora que aquele bafo a sedentarismo que embaciava as janelas de todos os andares do enorme Palácio do Santo Conhecimento. Porém era ele mesmo, o dos genitais que têm barba suficiente para dar a volta ao mundo se for toda esticada, que fazia mover os papéis por cima de sua cabeça enquanto postulava mais quatro ou cinco imperativos categóricos do seu Santo Parecer.

Feliciano José desgovernava aquela nação fazia já muito tempo, não sabia bem quanto, e com ela se desgovernou toda a razão: as vacas liam, os porcos tocavam saxofone, as galinhas contavam mil e uma histórias da mitologia babilónica, os Gnus cantavam equilibrados em cima dos candeeiros de rua, as cidades eram construídas sem paredes nem tectos porque o espaço para o conhecimento não podia acabar, porque o traque do senhor do andar de cima que defecava na sua 'casinha' podia soar a Schubert ou a Beethoven ou a um qualquer arranjo imperdível de rock, a calçada dos passeios tinha em si inscrita cantigas de amigo e de amor e romances inteiros e relatos de batalhas famosas e passagens da Sagrada Bíblia e artigos da Constituição da República da Nação e tudo o que qualquer transeunte que se passeasse na rua podesse ler pisando ao mesmo tempo, literalmente galgando o caminho do conhecimento, as terras eram cultivadas e nasciam livros em raminhos de filosofias e espigas de trigo que tocavam música quanto eram desfolhadas.

E nisto, ninguém em Nação olhava o ar por olhar ou conversava por conversar ou falava por falar ou caminhava por caminhar e eram todos muito nerds e muito espertos e muito inteligentes mas não o sabiam, nunca se haviam olhado mutuamente para se dar conta disso. Todos amaram incondicionalmente Feliciano José, seu líder espiritual, até ao dia em que viram, pelo lado de dentro, as janelas embaciadas do majestoso Palácio e, antes de saírem para a rua do ar tóxico, o atentaram à vida com loulável sucesso por meio de um tiro no peito e outro nos genitais, e uma granada sobre tudo o que era Saber, porque se fartaram do sentido do desgoverno da 'nerdíce'.

"Mais vale uma hora de estudo na mão do que duas a brincar" - Dito de Feliciano José segundos antes de sucumbir.

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Monday, December 05, 2005

Porque não funcionam as manifestações

"Bernard exasperava no meio daquela gente. As multidões são criaturas muito estúpidas que actuam muito devagar. Qualquer um dos elementos de uma multidão é mais inteligente do que o todo em si."

Assim descreve Ian McEwan a multidão que a 9 de Novembro de 1989 estagnou horas a fio às portas de Brandenburg, no centro de Berlim, pelo lado oriental. Estiveram ali dia e noite milhares de pessoas que pacificamente queriam ver o Muro cair, e estava acordado que cairia sem que houvesse necessidade de pelo meio cairem também homens vítimas de exaltação, entusiasmo ou fúria humana. Todos o sabiam e ainda assim choveram pedras de calçada a três palmos de distância dos militares soviéticos, que atónitos tiveram de interromper a conversa simpática, travada de ânimo leve com os colegas de trabalho americanos e ingleses. E no entanto ninguém naquela multidão queria violência, ninguém queria mais do que caminhar para os jardins que ficam para lá dos quatro cavalos, ninguém queria mais do que dar uma olhada ao Reichtag, uma vista de olhos a um estrangeiro que era ao mesmo tempo a sua própria casa, niguém queria mais que caminhar e aproveitar o cigarro ou a cerveja que empunhava numa das suas mãos. E porque todos estavam pacíficos niguém se considerou responsável pela violência: a responsável foi a estúpida da multidão!
Resultado? Só dias depois caiu o muro pelo lado da Porta de Brandemburgo, os berlinenses tiveram que entrar na sua própria Berlim pela "porta das traseiras".

Não é só em Berlim que as multidões são burras, em qualquer lugar o são: nos estádios de futebol, nas manifestações em frente a S. Bento, no Terreiro do Paço ou pela Av. da Liberdade abaixo, em qualquer lugar as multidões ficam empobrecidas de inteligência, degeneram as qualidades individuais numa brutalidade conjunta. As multidões são como um fugido de um manicómio cujo cérebro não consegue controlar os músculos, cujos sentidos ficam deturpados pela confusão sonora, cujo discernimento se deixa influenciar pelos diabinhos da consciência - esses bananas que se infiltram no coração da confusão e que arremessam a primeira pedra - que lhe sussurram aos ouvidos boatos que geram violência. Também são muito lentas as multidões, diz Ian McEwan, e são mesmo: e por isso são lentas a gerar violência mas também o são a cessar fogo; são lentas a ouvir a foz do líder, a voz da sua consciência. E por isso as multidões raramente conseguem o que querem. Não o conseguiram em Brandenburg em 1989, não o conseguiram em Dublin em 1972 - também porque as multidões militares quando não são bem treinadas estupidificam-se na initeligência das bestas armadas - não o conseguiram em várias outras manifestações. Se nas primeiras que foram organizadas o desastre podia ser dado como uma surpresa, hoje em dia tal já não é desculpa coerente. Não defendo que as manifestações devam ser abolidas, mas defendo que se responsabilizem os organizadores que apoiam os seus cotovelos no bom-senso dos homens e mulheres que constituem a sua 'armada', esquecendo-se que há uma outra criatura muito maior a domar e a dotar de inteligência e de bom-senso: a multidão em si.

"Age de tal modo que o dever de estudar se transforme na tua vontade" - Feliciano José

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Saturday, December 03, 2005

Trova Sazonal

Fofa e branquinha,
Como o algodão.
É tão bom cair na neve,
Mas menos bom o é no chão.

Sem neve não há Inverno,
Como sem Inverno não há neve.
De que maneira pode ser criado um Inferno
Por uma coisa tão leve?

Vi a neve através da seve
Como se estivesse em Genéve (eu nevo!).
Mas não, não era a Suíça
Era antes um exercício de Mecânica sobre as forças de uma treliça.

Como dizia alguém,
‘Let it snow, let it snow, let it snow’
Mas cuidadinho,
Porque senão, desde já afirmo que para o ano não bou.

Chuva é boa para regar os campos,
Neve é boa para curar os prantos.
Para apanhar o tempo de outros anos
Não chega rezar a todos os santos.

A bela abelha (Maia)
Organiza viagens como faz mel.
Mas a julgar pelo preço do ano passado
Deve achar que as nossas casas são forradas a “papel”.

Para parar de agoirar,
Termino com um bem-haja geral.
Desde já (e com muita pena!)
Saúdo todos os que ficarem em Portugal.

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Wednesday, November 30, 2005

Hobbit

“Deambulava pela montanha qual Verde pela velha Lisboa. Ora subia ora descia. Tudo me parecia o que eu tinha visto faziam 30 minutos. Cansado, esfalfado aliás, após o que me pareciam 3 dias e 3 noites sem comer arrastava.me pelas terras áridas da Montanha de Smaug, o dragão. Uma coisa é certa; não pararia. A cobiça move montanhas, apesar de quem se estar a mover (e muito diga.se!) ser eu. O tesouro q’O Terrível guardava era o mais rico de toda aquela zona e pertencia.nos. Eu, um Hobbit , metido numa aventura como esta com 12 anões, quando o meu lugar é no Shire, sentado à lareira do meu buraco.”

Isto não é um excerto do fabuloso ‘Hobbit’ de Tolkien mas podia ser (pelo conteúdo, óbvio!).
Para os menos informados, este é o prelúdio dos tão aclamados “Señor de los Anillos”. Tolkien relata mais uma aventura na Terra Média, um mundo totalmente criado por si, e aproveita para introduzir os livros de que acima falei.

Um livro que prima (não só) pelas tão detalhadas descrições. Descrições que são tão descritas que o leitor esquece o que está a ser descrito, acabando por ter que as reler. Quem leu Eça sabe ao que eu me refiro. Escrita genial do autor. É um livro repleto de aventura e bastante viciante. Não fosse a minha falta de tempo já o teria acabado com certeza. Quero portanto, recomendar vivamente este livro, mesmo aos que não são grandes fãs do género. Talvez seja esta uma oportunidade para passarem a ser.

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Sunday, November 27, 2005

Se calhar

Hoje dei um bocado do meu dia, ofereci-o. Voluntariamente, sem esperar receber nada em troca. Não foi nada de especial: entregar uns sacos em Loures para o banco alimentar contra a fome, 3 horas do meu dia.

No Sábado um homem desesperado pediu-me uns trocos para apanhar o comboio, dizia ele... Despachei-o e segui em frente, mas estava nostálgico. Voltei atrás e dei-lhe umas moedas soltas que não somavam mais de um euro e que provavelmente iria gastar em alguma coisa insignificante, ele sorriu, já não parecia tão desesperado. E eu senti-me bem, talvez por não ter sido tão insensivel como costumo ser nestas situações.

Nem hoje nem Sábado eu salvei o Mundo, mas sem pensar muito nisso ajudei alguém ( no caso do homem desesperado com ar de toxicodependente a dar as ultimas...bem, se calhar ajudei-o a morrer..mas a intenção foi boa e pelo menos acalmei-o, se ele tencionava suicidar-se aguentou-se mais uns minutos).

Há dias em que em vez de começar por julgar as pessoas as tento perceber. Em vez de atacar tento ser compreensivo. Tento por-me no lugar dos outros.

Há dias em que eu penso, como hoje e agora, que podemos ajudar os outros. Podemos. Está mais que ao nosso alcance, em pequenas coisas, mas a vida é feita de pequenas coisas.

Mas há dias em que eu acordo e em que se calhar não olho senão para o meu umbigo.

Se calhar é isso que nos falta num mundo em que temos quase tudo: olhar mais para os outros, fazê-los rir e sorrir, ajudar amigos ou desconhecidos, dar um bocado de nós, fazer por sermos melhores pessoas.

Se calhar é isto que nos falta.

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Friday, November 25, 2005

Publicidade Enganosa

Olhei-o sem parar cerca de 5 minutos enquanto outras pessoas falavam de si no seu lugar. O seu rosto não satisfazia a minha curiosidade, não era capaz de discernir que raio se passava dentro daquela cabeça esguia que parecia agora, ao contrário de antigamente, às portas grisalhas da desfolhagem outonal.
Insatisfeito, afinal não obtera qualquer informação relevante, vi-o soerguer-se da sua cadeira e então percebi: ele estava muitíssimo bem preparado para aquilo, ele parecia estar apenas a cumprir a sua rotina (e estava mesmo!), ele não tinha quaisquer dúvidas do que ali estava a fazer. Vi o que descrevo na forma pausada como organizava os objectos que estavam em cima da mesa, na passividade com que, ora olhando para nós ora olhando o chão e a mesa e a lapiseira que segurava, se erguia falando umas palavras que memorizara para situações ocasionais como aquela. Já com ele de pé notei que talvez não estivesse ainda completamente senhor da situação: estava de costas curvadas arrumando uma vez mais a lapiseira sobre o bloco de notas e o bloco de notas sobre a sua pasta. Mas então fitou-nos a nós à espera dele, que cumprisse aquilo a que se propunha e assim, de repente, o anfiteatro caiu nos seus braços. E quando ligou o projector de slides até as moscas deixaram de sugar o tutano às mãos e aos cabelos e aos braços da cadeira em que estavam pousadas para assim ouvi-lo falar as palavras que tinha a dizer. Não havia vacas comendo cortinados naquela sala, nem cortinados para serem comidos por vacas, nem leprosos a contorcerem-se na agonia da sua doença espalhados pelos degraus das escadas do auditório; mas mesmo que os houvesse a todos, e que tal até obedecesse à naturalidade da ordem das coisas, tal não faria então sentido, a sala estava verdadeiramente serena. Ele havia domado o meio-ambiente!

Foi assim que eu vi Francisco Louçã apoderar-se de um auditório apinhado não de pinhas mas de gente, no edifício da Reitoria da UNL na passada quarta-feira. Francisco Louçã é franzino e tem feições pouco distintas. Tem ombros magros e não ultrapassa os 180 centímetros de altura. Porém a sua presença é forte, porque quando fala fá-lo com o corpo inteiro: fá-lo com a cabeça, fá-lo com os braços, fá-lo com as costas e com o tronco que balançam ao ritmo dos braços, fá-lo com a voz e com a garganta que parece arrancar ao fundo dos pulmões as palavras que a boca dispara, fá-lo até com a roupa que veste que parece dançar sobre os ombros que quase ondulam ao ritmo das palavras que diz. Francisco Louçã tem o dom da lábia, não da palavra, já que esse a meu ver implica congruência de discurso. Francisco Louçã pratica uma retórica de hipnose: ele conquista os públicos a que discursa como ninguém. Para tal só precisa de ter garantidos uns detalhes: é preciso seguir uma ordem e um método de discurso em que cada palavra cada menção tem o seu timing correcto; é preciso vincar bem, seja com vozes guturais seja com as rugas da testa, as palavras que ficam na memória das pessoas; é reciso conquistar todos os sentidos do receptor, é preciso que ele oiça e que veja ao mesmo tempo o que lhe está a ser dito, que ele não se distraia com a própria razão, com o seu próprio discernimento, não pode haver preconceitos na sua audiência, e daí os slides que projectou e projecta sempre que fala para plateias; é preciso chegar à razão das pessoas pelas traseiras, passando por cima das imperfeições do caminho, pulando os obstáculos de congruência.

Francisco Louçã faz estes discursos com uma perna atrás das costas:
1.Primeiro apaixona a plateia com histórias peculiares e extremamente interessantes que a deixam intrigadíssima com questões completamente à margem da questão central em debate. Fala da Ilha da Páscoa, refere-se aos talibans como os Pashtuns, diz mil e uma curiosidades acerca do Médio Oriente, mostra interesse e mostra o seu prazer em conhecer. Mostra que é culto e está erguida uma coluna na estrutura do seu debate.
2.Depois, já com a plateia hipnotizada, fala de um ou outro caso que tenham mais a ver com o assunto a que a princípio se propunha. Mas estes casos são especialíssimos, são verdadeiros coelhos tirados da cartola, são uma verdade absolutamente fantasmagórica nunca antes revelada. Outra coluna.
3.Entretanto Francisco Louçã vai falando de "política de verdade", de democracia, de "pedagogia política", e vai tentando consolidar estes conceitos, todos eles bastante vagos, nas cabeças das pessoas. Mais uma coluna.
4.Também é essencial que Francisco Louçã assente bem o descalabro da situação portuguesa e que enfatize bem o facto de ninguém estar salvo e que, de quando em vez como por exemplo agora, é verdadeiramente necessário "agarrar" as nações antes que estas se afundem pois - repete - neste mundo ninguém está a salvo.
E pronto: a casa está quase pronta e os remates são dados com a veemência gestual com que tudo isto é dito: o discurso está feito!
Passou-se por cima de quase tudo! Falou-se um bocadinho de segurança social, um bocadinho de investimento público, um bocadinho de gestão do orçamento, como se estivessemos estado ali sentados a ouvir um crítico interessado da nossa sociedade. Mas Francisco Louçã é candidato a Presidente da República e o que ele pretende fazer ninguém sabe ao certo.

Francisco Louçã só serve para fazer denúncias.

"Paris é Uma Festa" - Ernest Hemingway

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Lavagem ao cerebro durante o sono

Sempre fui um defensor da arte e da cultura.
Lembro-me desde que me posso lembrar, de ser levado pelos meus pais ao teatro ou à ópera, de ser incentivado a ler e a ver filmes.

Pois este hábito cresceu em mim e a curiosidade natural de querer descobrir o mundo num só dia também apareceu. Quis ler mais, quis ir mais vezes ao cinema ou ver filmes em casa, quis ir a concertos, quis ir ao teatro, quis ver o mundo. E fiz tudo isso.

E quanto mais via, mais queria ver. Queria saber tudo o que pudesse antes que o tempo acabasse. Ouvia com admiração as pessoas mais experientes, porque também queria aprender com elas. E assim segui a minha vida acompanhado duma fome desgraçada de conhecimento e cultura.

Ontem acordei um bocado mais tarde da hora de me deitar, mas ainda antes da hora de acordar. Devia ser aquilo a que chamamos “a meio da noite”, se é que ela pode ter meio…. Hora estúpida para acordar, pensei, mas um despertar repentino fez-me levantar da cama. Lembro-me de me perder em corredores que não eram os meus e divagar em quartos que não me pertenciam. Onde estava eu afinal? Silêncio. O fumo alastra-se a uma altura a perder de vista, porque oo tecto também se perde de vista. E está escuro. Aquela escuridão pintada de focos de luz opacos que nascem do tecto (mas o tecto não tem fim!). Senti-me deslocado, procurei naquelas paredes um tacto familiar que me fizesse reconhecer um quarto conhecido. Nada, estava ali sozinho! Acordei numa ilha, sem me lembrar de sentir o cheiro do mar.

De repente um barulho! Movimento! Luzes e cheiros. Uma corrida desenfreada! Um tiro! A acção não para. Encontro-me agora rodeado de personagens nunca antes vistas. Eles são os deuses deste mundo em que fui posto. Aqui, eles reinam e deixam-me assistir à sua loucura, às suas danças, aos seus barulhos, aos seus exaltamentos. Aqui os vejo caminharem sobre a água, darem cambalhotas em paredes flutuantes de papel de prata, furarem muros e murros, correrem e serem corridos.
A sua loucura apodera-se de mim, que quero agora ser um deles e com eles dançar e com eles grunhir barulhos que nada signifiquem. Sinto o peso insopurtável duma sociedade demasiado agarrada a convenções e invejo a sua liberdade, uma que eu nunca poderei alcançar.

Agora acordei, cansado, deslavado.
Já não quero cultura às colheradas.
Não quero saber nomes de realizadores de cinema.
Não quero saber o nome das sinfonias, nem o número dos seus andamentos, nem quem as compôs.
Não quero saber quem escreveu os livros que leio, nem tão pouco conhecer os nossos presidentes.
Agora quero ser livre.
Quero ouvir uma música e gostar sem ter que inseri-la numa corrente artística.
Quero ler um livro e gostar sem ter de interpretar o significado poético da angústia do autor relacionada com a sua obra.
Quero ver um filme e gostar sem ter de perceber a importância das características adjacentes à época em que foi filmado.
Quero poder desprender-me do peso do conhecimento.
Quero poder lembrar-me só das experiências que são em si um livro, um filme, uma música, uma peça, uma ópera…
Já não quero ouvir os intelectuais liberais falarem de como sabem o nome de todos os filmes e quem os fez e quem os representou e quem compôs a banda sonora, explicando de que maneira foi vivido na época e que peso tem agora na nossa sociedade na maneira como se reflete no trabalho de novos artistas.

Quero que tudo isto acabe, com a consciência de que não vai acabar.
Quero voltar para aquela ilha para ali ser louco como eles.
Quero pisar o mar e deslizar em paredes fltuantes de papel de prata.

Vou dormir com a esperança de acordar “a meio da noite”.

"Criados no silêncio, no resguardo, na calma,
Lançam-nos então ao mundo, de repente;
Banham-nos cem mil vagas,
Tudo nos interessa, muito nos agrada,
Muito nos desgosta, e de hora a hora,
Oscila a alma em leve agitação;
Sentimos, e o que tenhamos sentido,
É levado pela corrente
Do colorido turbilhão do mundo."
Goethe

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