Saturday, June 04, 2005

Quem quer banana....trepa!

Vou-vos contar mais uma história.
Era uma vez um macaco. Um macaco que, por isto ou aquilo, tinha muitas bananas, e isso era indiscutivel. Muitas ou pelo menos as suficientes. Na sua tribo andavam a faltar bananas. Convidaram-no para tentar resolver o problema das bananas, ou dos bananas, e ele aceitou. Podia ter ficado no seu confortável galho a enfardar as suas fartas bananas mas decidiu aceitar o desafio.
O que se pede a este macaco? Que abdique das suas bananas ou que arranje uma estratégia para tentar arranjar mais bananas à macacada? Certamente que consiga mais bananas.
O macaco achou que a melhor maneira de haver mais bananas amanhã era fazer um sacrificio hoje. Impostos, iguais para todos. Pedia-se esforço, compreensão, pois esta seria a coisa certa a fazer para as coisas melhorarem.
Este macaco, além das bananas por ser ministro, recebia umas bananas de um negócio antigo. O que se pede a este macaco? Não chega que pague os impostos como os outros? Também tem que se privar das bananas a, que por lei, tinha direito?
Além de ter a macacada toda contra ele, por tomar uma medida impopular, também tem de ficar pior do que estava antes de se meter nesta embrulhada? Aceitou o ingrato papel de tentar ajudar uma tribo completamente desorientada quando ele, em principio, estaria bem. Mas isto não chega?
Têm que ficar pior? Não basta que nos ponha melhor?
Amigos, Campos e Cunha tem de dizer o que acredita ser melhor para os portugueses se safarem, não tem de fazer um voto de privação àquilo a que tem, e já tinha antes de ser ministro, direito. Não peçam ao homem para recusar aquilo a que tem direito, ninguém no seu lugar o faria, e quem me disser que faria a ele lhe digo: Das duas uma, ou nunca vais estar nessa posição ou então vais engolir o sapo. Nunca ouvi o CC pedir-nos para sermos parvos e rejeitarmos aquilo a que temos direito. Nunca.

Os portugueses, se querem bananas, tem que trepar. Não podem é estar à espera que quem nos tenta dizer como trepar tenha que ficar pior do que estava.
E nem vou tentar perceber se este é o caminho para ficarmos melhor ou não. O facto é que o que o ministro ganha não tem nada a ver com isto.

"Deixem-me ser macaco. Não me peçam para ser banana" Campos e Cunha

5 Comments:

Anonymous Anonymous quis bondosamente e, com certeza, por puro respeito e apreço pelo autor deste post opinar o seguinte...

Estou a perceber a tua ideia, e, por mais que seja uma boa analogia, acho que está a faltar um pormenor importante: o macaco da tua tribo não se deve esquecer que tem tantas bananas não só pelo seu esforço pessoal mas também porque a tribo assim o permitiu (as bananas não caem do céu!) - isto é, o que o Senhor Ministro hoje tem direito a receber não só vem do país como foi regulamentado pelo país.
Quando confrontado com esta situação, e depois da atitude louvável que teve ao aceitar resolver o problema das bananas, ele devia questionar-se , tendo em conta que ele não é o único macaco com abundância de bananas pelas mesmas razões, se não é altura de repensar o modo de vida do chefe dos macacos (Estado), que gasta acima do que pode, não só nestas como noutras coisas.
Porque, sejamos francos, direito também tinham os trabalhadores a reformarem-se aos 60 e não aos 65 se tivessem 3 anos no fundo de desemprego, direito esse que vai ser (e a meu ver muito bem) abolido pelo dito Ministro.
Os políticos, precisamente pela imagem de credibilidade que já não têm mas que se espera sempre (ninguém sabe muito bem como) que venha a ser restaurada, são aqueles se quem se espera que dêm o exemplo - não digo necessariamente abdicar das bananas, mas talvez dar um sinal que este género de privilégios (que se estendem, por vezes ainda mais escandalosamente, a deputados, cônsules, e outros que tais) de que temos mesmo que mudar de vida e passar a pensar de acordo com o nosso padrão. A crise é de todos, o país é de todos.

Uma banana aqui ou ali não faz grande diferença, mas talvez motive os outros macacos a perceberem que têm de fazer sacrifícios.

12:43 AM  
Blogger Miguel Costa quis bondosamente e, com certeza, por puro respeito e apreço pelo autor deste post opinar o seguinte...

Concordo inteiramente contigo.
A unica coisa que me tinha irritado um bocado era o ataque ao ministro. A lei tem de mudar, concordo claramente a cem por cento com isso. Mas até isso acontecer acho que não pode ser condenado por aceitar a reforma.
É obvio que às vezes estas reformas são escandalosas, aliás, muitas vezes. Basta lembrarmo-nos do caso de um tal Mira Amaral que trabalhou um ano não sei onde e recebe uma reforma mensal de 7000 euros por esse ano. Estes privilégios excessivos tem de acabar porque o paìss não os pode suportar. Mas também acho mal estarem a criticar Campos e Cunha por gozar de um direito seu, porque até a lei mudar é um direito seu. Enfim. Dormirei

3:28 AM  
Blogger Miguel Costa quis bondosamente e, com certeza, por puro respeito e apreço pelo autor deste post opinar o seguinte...

o que eu queria mesmo dizer era: o que está mal não é o gajo ter escolhido ficar com a reforma, e isso não deve ser condenável, o que está mal e ele ter a opção de ficar com a reforma.

3:40 AM  
Anonymous Anonymous quis bondosamente e, com certeza, por puro respeito e apreço pelo autor deste post opinar o seguinte...

Ora bem! Ainda bem que concordamos!

5:48 PM  
Blogger Miguel Costa quis bondosamente e, com certeza, por puro respeito e apreço pelo autor deste post opinar o seguinte...

Mas não me importava nada de me reformar daqui a dois anos.

6:08 PM  

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