Eu posso escrever um post
Eu acho (eu estou convicto! - como diria o mestre de Platão) que o poder é o resultado final de uma conjugação de várias circunstâncias. Porque, em toda a nossa história, sempre que foi concedido algum poder a alguém, de forma inexplicavelmente ingénua (não falo, portanto, do poder democrático, do poder monárquico ou de outro qualquer, que tenha uma razão de ser óbvia - resultado de eleições e de parentesco, respectivamente...), as circunstâncias em que isso aconteceu foram, por norma, semelhantemente propícias a que tal acontecesse.
Sempre que se concede poder a alguém, para esse alguém cumprir uma tarefa, é porque temos um problema que queremos ver resolvido. Imagine-se: se o Costa tiver a rasca para mijar e ao mesmo tempo tiver em suas duas mãos, dois copos de imperial (escolhi uma situação do quotidiano comum...), então o Costa está em graves dificuldades naquele momento. Solução: conceder a alguém o poder de segurar as duas imperiais durante o tempo em que vai mijar.
Voltando ao sério. Claro que o exemplo é sobejamente parvo, mas é essa a essência da concessão de poder: o vermo-nos em dificuldades e sentirmos que será melhor que alguém interceda por nós, em nosso benefício, e no momento em que cedemos o poder podemos fazê-lo inpensadamente. Se generalizássemos, não o problema do Costa, mas o de alguém que se vê em grande aflição financeira e a viver em condições sub-humanas, a toda uma sociedade de milhões de pessoas, facilmente compreenderemos que todas essas pessoas mais não querem, que lhes apareça alguém dizendo "eu posso segurar as tuas duas imperiais".
Portanto, o poder político ,(aquele que mais nos interessa) tem o seu fundamento na fragilidade emocional do povo que o concede, sendo esta justificada pelas dificuldades socio-económicas em que vive. Sempre que foi concedido um poder político absoluto, a personalidades históricas e mesmo da actualidade, foi porque o povo, ou uma parte considerável dele, assim o quis. Claro que há excepções como os golpes de Estado, mas nesses casos a concessão poder, já se torna tão óbvia como os primeiros casos que referi.
Porque é que foi o Napoleão e o Hitler e o Mussolini, e não os respectivos primos ou cunhados, que ficaram com o poder? Isso só as circunstâncias específicas de cada caso podem explicar: o carisma, a posição social e profissional que ocupavam na altura, entre outras. Mas todos eles foram políticos com grande poder, porque o povo, que então vivia em condições deploráveis, depositou sobre eles toda a sua esperança.
Já a posterior manutenção do poder custa menos e é menos arbitrária, mas disso não quero falar agora. O que agora importa referir é que, o que realmente é difícil, é conseguir alcançar o ponto de partida para o poder, e isso muitas vezes não depende da pessoa que efectivamente o alcança.
"Se tens fome, come. Se tens sede, bebe. Assim serás feliz." - Um padre qualquer de qualquer lado no Alentejo, numa daquelas bonitas frases cheias de segundos sentidos imperceptíveis...
PCH

2 Comments:
com certeza... mas, e sem entrar em discussões desnecessárias (porque eu próprio já não quero falar mais nisto - li um livro inteiro de 1500 paginas que falava sobre isto, "Guerra e Paz,"), tu explicas como é que se chega ao poder, não do que é que se trata. Para além disso, Platão gostava de meninos! (o que é um bocado gay...)
Pedro...E se a coisa chegar a um ponto em que já se tem a certeza que quem segura as imperiais vai beber delas? Ficamos à rasca na mesma mas tem de ser.Não temos outra hipótese. A não ser que tenhamos alguém para nos segurar no pirilau...
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