A Constituição Europeia
Eu pessoalmente sou a favor do tratado da constituição europeia, e tenciono votar "sim" no referendo de novembro. Confesso, no entanto, que desconheço os particulares dessa constituição - mas não é por isso que vou deixar de votar "sim." Eu passo a explicar; em circunstâncias normais, sem ter em mão a informação toda relativamente à questão em referendo, votaria contra. Apoiar o quer que seja sem ter acesso a todos os factos é um acto verdadeiramente perigoso.
No caso da constituição europeia, sou da opinião que aquilo que se está a tentar aprovar não são só medidas concretas, mas principalmente uma ideia, que é a maior unificação da Europa. Caso não saibam, ou não se lembrem das aliciantes aulas de História Económica com a Prof. Eugénia Mata, a União Europeia veio a formar-se em consequência da segunda guerra mundial, e a necessidade da Europa se juntar. A necessidade dessa união não era apenas bélica (a USSR, já na Alemanha derrotada e em vários países da Europa de Leste, ameaçava megalomaniacamente anexar o resto da Europa) mas também económica, tendo a guerra tido grande impacto nos recursos existentes assim como na capacidade de produção futura. Como se viu em Tratamento de Dados, a causalidade é difícil de se estabelecer, mas tudo indica que foi esta unificação europeia que causou a recuperação tão veloz deste nosso continente. Enquanto em baixo, a Europa não viu muita oposição à dita unificação.
Cinquenta anos mais tarde, a Europa é de novo um fenómeno de prosperidade (ninguém está a dizer que tem níveis de vida impecáveis, porque não tem, assim como tem muita coisa de mal) e o bottom line é que está tudo a um nível satisfatório. A mim, parece-me que o problema é este; já não existe ameaça externa portanto já não se vê a necessidade de uma união europeia e da segurança que ela oferece a cada um. Ou então, e de forma muito parecida, como já não há um inimigo exógeno, procura-se um inimigo endógeno. O resultado é que começam a surgir problemas. Agora, há duas maneiras de se resolver os problemas: ou se resolvem democraticamente em Bruxelas e cada país aceita que vai ter que fazer um compromisso, ou então começa-se a ter a disintegração em mente com um enfranquecimento progressivo da UE. O que me parece é que se tem estado a seguir a segunda opção, quando a primeira é a que me parece mais sensata - já não há guerras iminentes, dizem vocês? então e o 11 de setembro? a guerra no iraque? a força núclear do Irão e da Coreia do Norte? os conflitos entre a China e a Formosa? entre a China e o Japão? - pois a verdade é que um homem prevenido vale por dois. Digam o que disserem, a Europa mais forte é a Europa unificada.
Assumindo que a Europa unificada é de facto melhor, temos então que prosseguir com os ideiais de unificação - e como disse, eu acho que a constituição é mais para apurar o seguimento desta ideia do que outra coisa. É claro que a constituição não é dramática; aliás, se for aprovada nem devemos dar por isso porque, lá está, é uma medida simbólica. Não compromete a nossa independência, não compromente a nossa identidade, e não compromete o nosso bolso: exige apenas o nosso apoio e a nossa participação diplomática.
Dito isto, eu sugeria que se votasse "sim," e apelo a esse voto.
Uma coisa que tenho reparado: os portugueses são um bocado como aqueles activistas fanáticos sem nada para defender. Nós somos um país pequeno que SÓ beneficiou com a UE; e vamos continuar a beneficiar dela. Para além disso, não é coerente e não faz sentido que não apoiemos as novas entradas só porque isso implica que Portugal tem acesso a mais fundos. Os fundos eram temporários e nós eramos suposto ficar mais eficientes. A culpa de não o sermos é nossa! E por mais que se tente, não há uma boa razão lógica para não aprovarmos a constituição em referendo, por isso deviamos parar de tentar encontrá-las! Em vez de reclamar, deviamos estar a trabalhar: o efeito de recuperação é ainda maior e no final o mérito terá sido nosso.
"Welcome to the jungle!" -Guns n' Roses

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