Por falar em Joanesburgo
Há coisas que não vale a pena saber!
Ontem ia a ouvir a telefonia do meu carro quando anunciam a cidade vencedora da candidatura aos Jogos Olímpicos (JO) 2012. O que é uma pena porque eu não fazia ideia que o sorteio era ontem, pelo que nem tive tempo de criar em mim alguma ansiedade em torno deste assunto. Volto a dizer, é uma pena, porque eu hoje em dia não tenho nada em que pensar, dedico-me exclusivamente ao ócio que me concede o calendário académico, e é destes assuntos relativamente desinteressantes, mas menos que os Morangos com Açúcar, que eu preciso para poder dormir descansado e satisfeito por ter gerado algum trabalho mental ao longo do dia. Isto é, ir ver à internet as imagens compotorizadas, vagamente geométricas e muito bonitas de cada projecto e compará-las; ir ler as picardias entre os representantes de cada candidatura; ir chafurdar nos desvios de dinheiro sempre metidos ao barulho nestas coisas; e et caetera (bonita forma de escrever etc.) e tal.
Mas não! Quando soube que havia coisas giras (enfim, mais ou menos giras) com que ocupar o tempo, estragaram tudo e contaram-me o fim da história, como quem começa uma anedota pelo fim. Não se faz. É um enorme desperdício e em tempo de crise não pode haver desperdícios.
Mas por acaso nem são os JO que mais me incomodam. O que mais me perturba é que descobri ontem que existe uma cidade chamada Christiania, que é um pequeno enclave bem no centro de Copenhaga, na Dinamarca. Christiania foi criada em 1971 por um grupo de hippies que se julgavam capazes de construir um território em que todos os habitantes seriam totalmente livres: livres de fumar drogas, livres de pagar contas de água, livres de impostos, et caetera. O mais engraçado é que eles foram capazes de criar esta cidade: Christiania existe e durante largos anos foi aceite embora sempre sobre grande pressão do Estado; foi sujeita a várias rusgas policiais, mas unicamente porque a liberdade acabou por gerar contrabandismo (e não pelo conceito da cidade em si!); sobreviveu à imposição de restrições por parte do Governo Central da Dinamarca; fez parte dos assuntos do Ministério da Defesa do país; tinha uma legislação própria em vigor dentro do seu território; durante 30 anos foi uma espécie de tumor benigno no coração de Copenhaga, apesar do preço do tráfico de droga.
Tudo isto é muito bonito mas eu só ontem tomei conhecimento da sua existência. Porquê? Porque vão acabar com ela!! Porra! Mais valia nem saber que ela tinha existido! Estas coisas assim perdem a piada toda! Mas parece que cada vez mais me pregam destas partidas: estou mesmo a ver eu hoje a chegar à praia e apanhar com uma bruta carga de àgua (completamente improvável!) enquanto um palerminha que lá estava desde as seis da manhã me diz: "É uma pena! Ainda há pouco estavam trinta e sete graus e nem uma brisa se sentia!"
Fica aqui o aviso Sr. Destino do Pedro, se me pregas mais uma destas enfio-te um banano no meio das trombas e dou-te pontapés nas canelas com os meus "sapatos de gala e ponta bicuda" calçados!
PS: Para mais informações consulte o site oficial www.christiania.org
"A poltrona e as pantufas são as ruínas do homem" - Mussolini, Benito. Eu sou uma ruína!

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