O Torres não é homossexual
Quando Pedrúlio Entunes se comprazeu com a harmonia de sons secos martelados pelos seus dedos naquele teclado de teclas toscas e plásticas que ressoavam no ar mortiço de um mês de Julho invadido por um calor fosco algures entre o embalante e o estonteante, ainda pensou para consigo se não seria aquele um estado de epírito que tão cedo não voltaria a degustar. Merecesse tal lucubração remuneração material estaria hoje Pedrúlio Entunes menos pobre ou, por outra, a mãos com um qualquer embaraço criado por um prémio mais indesejado que desejado. Hoje ao reescutar aquele som não se perfez a harmonia de então, veio antes à memória de Pedrúlio a noite pachorrenta em que se deu a meditações idiotas acerca da efemeridade dos seus pequenos prazeres. Escreve agora e em Julho escreveu e entretanto dois meses e mais qualquer coisa se esgotaram, pelo que, por via de um cálculo aritmético que pouco tem que escape ao senso-comum, não será totalmente erróneo considerar esta Segunda Sinfonia de Entunes vinda ao mundo por alturas de Setembro e mais qualquer coisa que talvez chegue para fazer do "Setembro" um princípio de Outubro. Algo desiludido com o resultado óbvio deste pequeno trabalho de contabilidade que lhe esbofeteou na consciência a displicência com que se havia olvidado do tão importante encargo que era martelar teclas toscas, algo abalado pela habilidade insígnia com que representou a Preguiça e o Desleixo, Pedrúlio debate-se agora com a sua própria consciência e parece mesmo jurar-lhe a pés juntos senão mesmo ajoelhado e ainda assim de pés juntos, o que em muito prejudica o equilíbrio, que igual improdução não se voltará a verificar tão cedo, sendo este "tão cedo" de agora dotado de um valor quantitativo certamente superior aos dois meses e mais qualquer coisa do anterior. Está feita a promessa, calou-se espectante a consciência, A ver vamos diz ela condescendente, A ver vamos dizemos também nós leitores, não nos desiluda pois Pedrúlio Entunes na sua rotina de martelares sinfónicos como nos desiludiu TORRES no seu palrar desajeitado!
"Não gáma náda!! Que desparáte! Só por címa do'meu quedáver! Que parvoeira, tódo sújou, vá-se lavár séu pórco!" - Maria dos Horrores

1 Comments:
Horrores!
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