História de um senhor que mais não era senão isso mesmo, até que ocorreu o evento que aqui relato.
Era uma vez um senhor.
Um senhor qualquer, um senhor simples, um senhor tão comum como qualquer outro senhor comum. Podia ter bigode ou não, ter olhos azuis ou verdes, castanhos ou cinzentos, podia não ter cabelo ou tê-lo em tamanha quantidade que as suas pontas roçassem o chão, podia ser de todas as formas e feitios desde que fosse tão normal como aqueles com quem convivesse. Era mesmo um senhor standard!
Certo dia este senhor foi à praia: um programa comum para um senhor comum. Ficou deitado na areia sobre a sua toalha como qualquer homem comum faria caso fosse à praia. Estava um sol agradável e o senhor deixou-se ficar na areia durante algum tempo.
Foi então que, nesse tórrido dia, o senhor comum fez algo incomum, algo pouco usual em homens comuns, algo que em nada tinha a ver com a sua personalidade pouco dada a coisas menos comuns: o senhor comum ficou deitado na areia de barriga para cima durante uma enormidade de tempo: das nove horas da manhã até às cinco da tarde, o senhor não se moveu sobre a sua toalha e o umbigo jamais deixou de apontar o sol.
Às dezassete horas o senhor comum ia levantar-se quando se deu conta de algo muito anormal na sua barriga: é que o senhor comum era gordo (não muito, apenas gordo como a maioria dos senhores) e no seu umbigo, bem imbutido no meio da barriga, tinha-se formado um pequeno lago de suor que agora transbordava, escorrendo ao longo dos pêlos grossos da sua pança.
Estava realmente um dia muito quente, imensamente quente e o senhor comum abusou do tempo que ali ficou deitado. Coisas pouco comuns passavam então pela cabeça do senhor comum: imaginava homenzinhos pequenos que nem pequenos grãos de areia, saltando da floresta de grossos pêlos da sua barriga para dentro da piscina mal cheirosa ali formada; imaginava um complexo turístico daqueles que assassinam a paisagem, todo ele erguido em torno do seu íntimo lago; imaginava pequeníssimos helicópteros recolhendo aquele líquido pegajoso para apagar o fogo ardente que agora atacava as suas axilas. É verdade! Estava mesmo tanto calor naquele dia que outra anormalidade sucedeu: as axilas do senhor comum ardiam incandescentes, tal tinha sido a força com que o sol nelas embatera.
Com três palmadas em cada uma a normalidade retomou às duas covas e com um piparote o lago desfez-se em lágrimas sobre o resto da barriga.
Foi o único dia da vida deste senhor comum que fugiu à normalide de todos os outros que sobreviveu.
"Óh Júlia! Chega cá porra!" - aposto que alguém já disse isto
PCH

1 Comments:
O que é feito das bolinhas coloridas do Mundano? O Mundano tem que ser colorido e fixe, não pode ser negro e pessimista como o Mundo. (que nojo de frase, eu sei).
E já que estou no Mundano, até vou seguir a vossa regra da citação no meu primeiro comment em versão "bitaite"...
"Venho por este meio mostrar o meu desagrado no que diz respeito ao escrutínio cromático." by G
MRP, um dos bairristas
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