Wednesday, January 18, 2006

O dogma da opiniao

Conhecimento, cultura geral, sagacidade, inteligência, coerência são todas elas qualidades, à partida, bastante apreciáveis num ser humano.
A opinião é o método que nos permite pesar, tentando ou não equilibrar, estes “artifícios” e transformá-los em expressão compreensível aos outros.
A opinião é, por isso, desejável e é, por si só, uma arma poderosa.
A opinião reflecte num espelho de água turva aquilo que queremos passar de nós. Deve por isso ser bem usada e manipulada.
A opinião, quando mal empregue, faz-nos perder palmo e meio de altura. Até desaparecermos! Cuidado com a opinião!

Jules, (que acaso de coicindência ainda não conhecera Jim) sabia o que queria e tinha-se em consideração suficiente para não se achar mais que os outros.

Chet, apesar de alienado, era talentoso.

Mario, tinha o dom da escrita, mas não os sete alqueires bem medidos.

Bralon, era, apesar de não se perceber, imortal.

Estes quatro, e mais quatro, nada tinham a ver uns com os outros, nem tão pouco se conheciam. E o que tinham em comum resumia-se unica e exclusivamente ao valor que davam à OPINIÃO.

Fruto (qual deles?) do acaso, os oito encontraram-se na mesa grande do café Octávia, que dista sete jardas das portas grandes de Brandenburgo.

Cada qual, a seu canto da mesa redonda, parou por uns segundos para observar que coelho sairia da cartola dos outros sete.

Um nono chegou. Ficou de pé e observou, porque era tímido!

Nenhum deles se achava mais ou melhor que qualquer outro que por ali já tivesse passado.

Após um silêncio respeitador fizeram uma vénia e acordaram que, nas suas diferenças, ouvirião a OPINIÃO de cada um, expondo também a sua, porque ali o respeito era imperativo.

A ideia era boa e a hora era certa. Mas o local não!

O problema dos cafés, para além da verdadeira (não) limpeza que o balcão oculta, é a existência de pessoas estranhas ao serviço.

É lógico, que quem não pertence à comitiva desconhece as regras da casa, e deste modo, todos os outros clientes que bebiam cafés, bem como os cafés que bebiam clientes, arregalaram os olhos à oportunidade de dar opinião.

Ainda assim, os outros 9 não se importaram. Era assim que queriam jogar.

Todos eles, de muito bom grado se deram a conhecer uns aos outros construindo a sua pequena torre de OPINIÕES.

Acontece que os abutres sedentos das mesas vizinhas, tinham também eles opiniões, que tiveram o cuidado de atirar à desbravada para a mesa que agora se mostrava pouco resistente ao peso de tanta OpInIãO.

Aqueles que não valorizam a OPINIÃO, para além de não saberem que perdem palmo e meio de altura cada vez que a usam mal, desconhecem que esta pesa cerca de sete vezes a massa de meia girafa. É portanto pesada.

A mesa vacilou, torceu-se e contorceu-se, agarrou-se à barriga com dores de cabeça, mas não caiu. O peso das opiniões dos abutres não chegou para a deitar abaixo.

Os 9 continuaram respeitosamente a dar OPINIÕES!

“As maquetas são como os iogurtes: devem ser do dia!”,
Nuno Miguel Feio

2 Comments:

Anonymous Anonymous quis bondosamente e, com certeza, por puro respeito e apreço pelo autor deste post opinar o seguinte...

O problema ( ou talvez não, dependendo de quem para ele olha) é que, talvez a convivência, ou outro qualquer factor que não me esteja a ocorrer, tenha tornado as opiniões destes nove, algo parecidas, não deixando por isso que os temas discutidos sejam vistos de todos os ângulos, não se criando por isso qualquer tipo de novas ideias. Com o tempo, cada vez mais, sempre que um dos nove expressava a sua opinião sobre algo os outros limitavam-se apenas a concordar, ou nem isso, não levando as suas próprias ideias para a mesa, eu que vejo de fora só encontro duas possíveis razoes, ou já nem se importam com as ideias dos outros 8, o que seria muito triste, ou já sentem a opinião de cada um como a opinião do todo, sendo neste caso benéfico a introdução de opiniões exteriores.
Outro problema reside no facto, dos nove amigos, que dizem prezar tanto a OPINIÃO, desprezarem assim as opiniões não menos válidas das outras pessoas que os observam, e que assumam de ânimo leve que essas mesmas pessoas não conhecem o peso das opiniões. Falando por mim, eu conheço o valor da opinião, e não me limito a atirar descuidadamente a minha para qualquer lado, não gosto de lançar palavras ao vento, se falo é para ser ouvida, se escrevo é para ser lida, e se o faço é porque acho que acrescento algo.

11:07 AM  
Anonymous Anonymous quis bondosamente e, com certeza, por puro respeito e apreço pelo autor deste post opinar o seguinte...

sabemnos agora q o anonimo é uma gaja.
será a mais linda cansada de ser atacada por miguel bosta, mas que não consegue largar o mundano, encobrindo-se agora para poder continuar a comentar?

ou será mia, a mais javardas das leitoras femininas do mundano?

fica a questao...
FPS

1:10 PM  

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