Queda capilar
Ontem vi um programa de televisão na 2: sobre a queda capilar, mentira!, era sobre a cobra capelo. Não foi a cobra que primeiro me atraiu naquele canal, foi antes um senhor hindu que com ela brincava e que me fez lembrar aquele faquir do Carvão no Porão (ou será do Ouro Negro?) do Tintim. Era muito magrinho, extremamente magrinho, tinha 3 metros de espaço entre os joelhos de cada perna, os ombros eram mais magros que a bacia e estava a fazer coisas perigosas vestido apenas com uma fralda de pano enrolada como bem podem imaginar. Gostava de conhecer aquele homem: será que ele também consegue sentar-se em pregos e em carvão em brasa e perfurar as bochechas do rabo com um Black & Decker e tocar com as palmas do pé nas omoplatas sem nunca sentir uma pontada de dor?
Depois vieram as cobras.
O documentário até era giro, bem realizado, bem explicado e satisfazia plenamente a minha necessidade de apatia. Foi então que me deu o enjôo quando a cobrita que eu vira nascer resolve aventurar-se na sua primeira caçada:
Achei que dado o tamanho da pequenita esta apenas iria caçar ervas, ou no máximo minhocas ou maminhas da mãe. Mas não, estava com fome e achou que um sapo calharia melhor, pelo que assim foi:
Aproximou-se do sapo, cumprimentou-o e ele viu-a mas muito parvo deixou-se ficar, talvez por preguiça, então perguntou-lhe Posso-te comer?, ao que ele pensou Esta gaja deve 'tar parva! Mas que malcriadinha!, respondendo depois Ouve lá e se fosses jogar ao pião?, foi então que a cobra que era mimada e não gostava que a contrariassem o mordeu e já se preparava para ir fazer birra para junto da sua mãezinha quando lhe cai o sapo em cima petrificado pelo veneno. Impecável! Vou já mostrá-lo à mãe, pensou então a cobrinha inchada de orgulho, mas o sapo era pesado e ela pequenina, afinal era só uma cobrinha, e estava sem mãos para pegar nele pelo que abocanhou-o e começou a arrastá-lo. Três metros volvidos entediou-se e engoliu o sapo inteiro. Aquilo enojou-me, deu-me uma certa náusea confesso. Principalmente quando ela abria e ajeitava ainda mais a bocarra, antes disfarçada, para conseguir engolir ainda melhor as bordas do sapo. E quando só se viam as coxinhas de sapo cruzadas em X de fora da cobrita arrepiei-me com bastante vigor. Mais uma vez me lembrei do Tintim desta vez no Congo e do Milu que assim foi engolido por uma cobra. Na altura achei que aquilo era uma brincadeira do Hergé, que elas comiam coisas mais à sua escala, bichinhos tipo ratinhos e sapinhos dos pequenos.
Quando tudo acabou desliguei a televisão e fui para a cama. Pelo caminho, no entanto, fui trincar qualquer coisa e meti um frasco de compota e um pão de forma inteiros pela goela abaixo que agora teimam em não ir para dentro. Não sei que faça.
"Mastiga 30 vezes cada pedacinho de conhecimento que ingiras antes de engoli-lo" - Feleciano José

10 Comments:
Nem Carvão no Porão nem País do Ouro Negro, mas Os Charutos do Faraó. Temos aliás aí 2 faquires. Um deles, vilão e lacaio do chefe do gang (não poso revelar quem é), pratica a hipnose e é habilidoso de mãos; o outro, personagem (quase) irrelevante para a história, faz algumas proezas mais à faquir, com brasas e pregos e facas. Este sim é escandalosamente magro e feio.
Quanto ao Congo... vejamos Pedro, aí não era uma cobrinha bebé, mas uma Boa de proporções assombrosas.
Em relação à sande de geleia, um conselho: enfia cuidadosamente e com a supervisão dos teus pais, uma espada comprida pelo esófago. Se não resultar, tenta provocar o vómito, desta feita, para cima dos teus pais.
Um abraço e até à próxima!
_.._apontamento de Francisco Pinto da Silva_.._
Acho que também vi esse documentário. Ou então era um muito parecido, em que uma cobra capelo comia um ratini. O fim da morte do pequeno ser foi diferente; quando cerca de 19/20 do bicho já se encontravam no interior da dita cuja e faltava apenas a cauda, ela enguliu.a como se fosse esparguete. Podem pensar que se trata de exagero mas foi tal e qual como se passou.
UM NOIJO!
E ainda há Ragdalam, o faquir, no Tintin e as 7 Bolas de Cristal. Este já não é magro e apresenta-se com um belíssimo smoking e óculos escuros. Em vez de engolir facas e passar sobre brasas, a habilidade deste incide no hipnotismo!
MRP, o amigo
Aliás, julgo este ser o mesmo que n'Os Charutos do Faraó. Estarei certo, quico?
MRP
Invejo a vossa memória, eu só me lembro que havia um faquir no palácio so sheik qualquer coisa, num livro qualquer que provaveçmente já li e reli 20 vezes, sem exagero.
PCH
E também há aquele rapaz peruano ou chileno com um chapéu muito peculiar.. mas não tem nada a ver com faquires. Nem podia, so o facto de viver nas montanhas faz logo com que nao possa usar aquela fralda.
O Zorrino! Mas esse já é do Templo do Sol...
MRP, o sacana
de facto há Ragdalam, mas esse como frisaste, migas, é já um faquir culto e bem vestido para o music hall, sem fraldas e presumo até que bem alimentado. Apesar da sua técnica hipnótica sobre madame yammilah, este faquir não tem qualquer ligação com Os Charutos do Faraó. É certo que ele afirma ter aprendido sua técnica na Índia, mas e daí, faquires na Índia devem ser tantos como pêlos no teu cu.
Aliás nem fisicamente se parecem, pelo que não chego a pôr essa questão.
FPS dá abraços a todos.
Zorrino! eh pah obrigado! andava atras do nome ha anos!
Devias ter vergonha, escreveste felEciano!!!
Post a Comment
<< Home