Wednesday, November 02, 2005

Permita.me discordar, mas eu sempre comi com croutons!

Era uma vez uma criança. Uma criança tão ou mais normal que as outras. Tinha um nome vulgar, Miguel, um rosto vulgar, negro, não era nem bonita nem feia, usava roupas vulgares, se não até vulgares demais. Mas cedo se descobriu que esta criança não era assim tão vulgar.. Tinha uma característica que de vulgar nada tinha, aliás! A criança de seu nome Miguel cantava qual rouxinol no tronco de sua árvore. Sua voz era doce como o mel e afinada como um diapasão. Por sorte, ou se calhar por isto mesmo e então porque haveria de ser Miguel uma excepção, a sua família era toda dotada na arte da música e rapidamente integraram o pequeno na sua banda. Aí começou a viagem desta criança que, há apenas momentos, era uma tão vulgar como qualquer outra. Sucessos atrás de sucessos, prémios atrás de prémios, a banda não parou de fazer música, vender música, fazer mais música e vender ainda mais música, até que chegou o dia. Miguel completara uma idade que não mais era tenra e que, por motivos de identidade, não vale a pena referir e decidiu deixar o leito da sua família e enfrentar este Mundo (capital M) que é o da fama.. sozinho! O que vale a pena referir é que Miguel singrou, e de que maneira(!), ao longo da sua carreira a solo, continuando a encher o público que tanto o amava e que ele reciprocamente também amava, duma maneira diferente, mas sim, amava, de novas e fascinantes músicas de vários tons.

Apesar do sucesso que fazia, o jovem turbado, perturbado, pela mentalidade da altura e as descriminações raciais que então existiam, decidiu fazer a mudança que alterou por completo a sua vida. O rosto uma vez negro como o carvão e o nariz embatatado, deram lugar ao branco artificial e a um nariz que de natural tinha apenas a cana. Fruto do precoce crescimento, Miguel não conhecia outro lugar que não as luzes da ribalta e portanto tudo o que ele fazia, todas as extravagâncias eram monitorizadas pelo público. Esta não foi excepção. Houve comentários, houve polémica mas o sucesso continuou, pois Miguel não brincava em serviço! A dada altura, percebeu.se que a música não era afinal a única paixão de Miguel. O então homem tinha um fascínio surreal pelas crianças. E digo surreal porque, tal como se provou mais tarde, a relação que ele tinha com os petizes nada tinha de sexual mas era sim de amizade profunda como se da mesma idade fossem. Miguel, com a sua colossal fortuna construiu uma casa em prol dos pequenos com todos os confortos e diversões que alguém daquela idade gostará e, aonde brincava com os seus amigos. As únicas pessoas que o compreendiam. O que é certo é que as crianças gostavam tanto de Miguel como ele delas e nenhuma se queixou por vontade própria.

Uma vida de sucesso que, por ter sido levada de maneira extrema acabou em declínio. Uma infância que passou como se não existisse, uma juventude sem os habituais passos... Afinal esta criança era apenas uma criança como as outras todas e todas as crianças precisam de infância..... mais tarde ou mais cedo.

"Em que é que eu estou a pensar?" - Manuel Pestana

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