Tuesday, December 06, 2005

Em que os macacos do nariz se revoltam

Há quem diga que os seus genitais têm já barbas brancas de cem anos e quem lhes dê mais felpuda idade ainda, há também quem vocifere que, Genitais Ele não os tem porque deles não precisa nem para ter filhos nem para descobrir o equilíbrio do prazer primordial, porque filhos dele somos todos nós e Ele nunca nos teve e a verdade do prazer é Ele que a transpira e somos nós que a bebemos em gotículas de insatisfação escorrida pela sua pele macia e doce. Momentos houve em que a instabilidade pública era quase insustentável, em que os conceitos insensoriais pareciam desvanecer-se em desconfianças e desmotivações da Nação, em que houve quem reclamasse com todo o pulmão vibrando e toda a boca jorrando a convicção espumante da saliva, Mas que raio vamos mas é por-lhes a vista em cima a esses famosos berlindes do Sr. General e ver se é de verdade ou de mentira aquilo que dizem todos esses contadores de histórias que aí andam. Foi então que o espasmo do espanto lhes fez a todos o coração visitar o estômago, pois General algum encontraram quando o foram procurar para averiguar com a vista ou o tacto tamanha inquisição, por entre as salas do Palácio do Santo Conhecimento. Viram apenas quartos de camas rodeadas de livros abertos e fechados e nem abertos nem fechados e dobrados em dois ou até em quatro, todos empilhados em enorme confusão; apenas salas de jantar imperiais com cortinas de seda inscritas de letras de ouro tão brilhante quanto a poesia que por ele escorria e que depois eram geniais cálculos numéricos e manisfestos fenomenais de momentos históricos à beira da mitologia e notas musicais das mais fantásticas composições melódicas e tudo aquilo parecia não ter fim como não tinham as cortinas que atapetavam paredes, mesas, chãos e candeeiros numa sinfonia entre o cintilante do ouro e o púrpura da seda e as formas por detrás escondidas; apenas viram casas de banho que mais pareciam descabidas bibliotecas de retrete e bidé embutidas bem ao centro, no chão da sala, que afinal também tinha banheira e lavatório e talvez fossem mesmo apenas casas de banho com enormes prateleiras de madeira maciça, como a de Pau-do-Brasil mas que não era do Brasil pois não é dos portugueses esta história; apenas viram um enorme salão cujas paredes pareciam perder-se por detrás das folhas soltas agarradas porém a agrafos gigantescos feitos de metal forjado com a insígnia da Casa do Santo Estudo. Foi neste salão que lhes pareceu ver qualquer coisa mover-se, ou por outra, qualquer coisa fazer mover a colecção inacabável de letras em papel agrafado espalhadas pelo chão que já era mais letras que chão, mas não ligaram porque as suas cabeças já não estavam para isso, porque mais valia respirar o ar puro de toxidade citadina de lá de fora que aquele bafo a sedentarismo que embaciava as janelas de todos os andares do enorme Palácio do Santo Conhecimento. Porém era ele mesmo, o dos genitais que têm barba suficiente para dar a volta ao mundo se for toda esticada, que fazia mover os papéis por cima de sua cabeça enquanto postulava mais quatro ou cinco imperativos categóricos do seu Santo Parecer.

Feliciano José desgovernava aquela nação fazia já muito tempo, não sabia bem quanto, e com ela se desgovernou toda a razão: as vacas liam, os porcos tocavam saxofone, as galinhas contavam mil e uma histórias da mitologia babilónica, os Gnus cantavam equilibrados em cima dos candeeiros de rua, as cidades eram construídas sem paredes nem tectos porque o espaço para o conhecimento não podia acabar, porque o traque do senhor do andar de cima que defecava na sua 'casinha' podia soar a Schubert ou a Beethoven ou a um qualquer arranjo imperdível de rock, a calçada dos passeios tinha em si inscrita cantigas de amigo e de amor e romances inteiros e relatos de batalhas famosas e passagens da Sagrada Bíblia e artigos da Constituição da República da Nação e tudo o que qualquer transeunte que se passeasse na rua podesse ler pisando ao mesmo tempo, literalmente galgando o caminho do conhecimento, as terras eram cultivadas e nasciam livros em raminhos de filosofias e espigas de trigo que tocavam música quanto eram desfolhadas.

E nisto, ninguém em Nação olhava o ar por olhar ou conversava por conversar ou falava por falar ou caminhava por caminhar e eram todos muito nerds e muito espertos e muito inteligentes mas não o sabiam, nunca se haviam olhado mutuamente para se dar conta disso. Todos amaram incondicionalmente Feliciano José, seu líder espiritual, até ao dia em que viram, pelo lado de dentro, as janelas embaciadas do majestoso Palácio e, antes de saírem para a rua do ar tóxico, o atentaram à vida com loulável sucesso por meio de um tiro no peito e outro nos genitais, e uma granada sobre tudo o que era Saber, porque se fartaram do sentido do desgoverno da 'nerdíce'.

"Mais vale uma hora de estudo na mão do que duas a brincar" - Dito de Feliciano José segundos antes de sucumbir.

4 Comments:

Anonymous Anonymous quis bondosamente e, com certeza, por puro respeito e apreço pelo autor deste post opinar o seguinte...

Genial.

9:16 AM  
Anonymous Anonymous quis bondosamente e, com certeza, por puro respeito e apreço pelo autor deste post opinar o seguinte...

uma seca mas é! és pior cu saramago! lololol fui

10:49 PM  
Anonymous Anonymous quis bondosamente e, com certeza, por puro respeito e apreço pelo autor deste post opinar o seguinte...

Provavelmente o melhor post que já aqui li!

NCC

1:49 AM  
Anonymous Anonymous quis bondosamente e, com certeza, por puro respeito e apreço pelo autor deste post opinar o seguinte...

ó pedro, tanta conversa sobre genitália e colhoes...! ve la se n és paneleiro! lololololol chupa-mos. fui

5:28 PM  

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