Mary Had a Little Lamb
Queria apenas aqui fazer um pequeno reparo. Um reparo simples de quem repara em qualquer coisa, não um reparo de quem corrige um erro ou um estrago.
Quantos de nós poderão garantir, de leve consciência e de boca bem aberta e pulmão bem cheio, que nunca gritaram aos ouvidos de um qualquer amigo um comentário absolutamente malicioso, má-língua, reles e gritantemente ordinário - uma enorme javardice - acerca de uma outra pessoa que nem a mais de metro e meio estivesse de nós no preciso momento do delito? E quantos de nós poderão também asseverar que, se o fizeram, não estavam nesse preciso momento a lançar um olhar de desdém à pessoa em causa?
É mesmo engraçado aquilo que nos permitimos fazer dentro duma discoteca. Imagino como seria embaraçoso que, a dada altura, a música congelasse de repente e que os ouvidos humanos se pudessem adaptar em milésimas de segundo a novos níveis de décibeis, de tal forma que o berro escandaloso de qualquer um de nós acerca da aberração que partilha o metro quadrado de chão em que nos encontramos, se passe a ouvir claramente em toda a discoteca.
Também tem graça que se não estiver dentro de uma discoteca não suporto mais de três frases gritadas aos meus ouvidos. Primeiro porque é estúpido mas acima de tudo porque é bastante danoso para a saúde da minha audição.
Realmente não me dou conta dos enxertos de porrada que os meus ouvidos levam de cada vez que vou sair!
"Minh'alma estremece quando penso na efemeridade da vida" - Pedrutustra tacteando o caminho da morte...

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