Big Mac: Vida e Obra
Big Mac acordara naquela manhã do dia 31 de Dezembro de 2005, inevitavelmente mais velho do que em qualquer outra manhã, e, apesar dos seus jovens 18 anos, sentia bem o peso, não da idade, mas do corpo que teimava em levantar.
O dia 31 de Dezembro era um dia carregado de significado para Big Mac. Era um dia de esperança, um dia de mudança, um dia em que ele acreditava num ano próximo melhor do que o anterior.
Todos os anos, era neste dia que fazia um balanço do que tinha feito no ano que agora acabava, projectando expectativas para o novo que amanhã começava.
Big Mac sabia que, por muito mal que as coisas tivessem corrido, era agora a altura de dar a volta por cima e caminhar de braços abertos para o futuro de sucesso que há muito lhe fugia.
Recordava, como a madrasta da sorte o atraiçoara em pequeno, dando-lhe poucas ou nenhumas hipóteses de singrar na vida, e recordava também como soubera fintá-la, fazendo acreditar a si mesmo e aos que o rodeavam, que o seu talento era suficiente para justificar um lugar acima daqueles que rastejam na mediocridade.
Pois é….mas se a sorte é madrasta é porque não pode ser mãe, e se Big Mac tivera o azar de nascer com pouca sorte, era porque assim estava decidido desde muito cedo.
Fruto de uma relação pouco estável entre o funcionário encarregue de manter a limpeza dos courts do Clube de Ténis da Santa Parvónia e a cozinheira encarregue de fazer crer aos sócios do mesmo, que comiam suculentas refeições macrobióticas, Big Mac viu nascer em si uma enorme paixão pelo desporto que o rodeava.
Começou cedo a treinar demasiado, desenvolvendo a sua técnica, a sua velocidade, e também cedo foi referenciado como uma jovem promessa do ténis português. Depositaram-se em si confianças que nunca foram capazes de o fazer confiar em si mesmo e foram-lhe dados privilégios que apenas privilegiaram o seu pretensiosismo.
Big Mac começou a jogar torneios.
Big Mac começou a ganhar torneios.
E os patrocínios choviam-lhe em cima, com a intenção de o motivar, mas inundaram-lhe o caminho do sucesso, do qual se desviou, para se perder para sempre nos becos escuros do falhanço.
Não soube usar o dinheiro, que nunca tivera, gastando-o em tabaco, álcool e passatempos pouco próprios para quem deve manter um bom físico.
O seu atlético corpo ressentiu-se da sua muito pouca espedita cabeça e uma enorme camada adiposa acimentou-se por cima duns agora envergonhados abdominais.
Big Mac engordou descontroladamente e, por isso, abandonou o ténis de alto nível e a possibilidade de brilhar. Era agora ele fintando pelo destino que outrora lhe acenara com lenços de fama.
Big Mac não conseguiu matar o ponto.
Big Mac subiu à rede, mas tropeçou.
Big Mac serviu, mas fez dupla falta.
Big Mac fez um amorti curto demais.
Big Mac fez o passing-shot demasiado longo.
Big Mac errou e o erro saiu-lhe caro.
Despediu-se do ténis e dos agassis que nunca pôde defrontar.
E por isso, quando Big Mac acordou naquela manhã de 31 de Dezembro de 2005, chorou. Porque já não se podia enganar a si próprio e o ano que aí vinha não se adivinhava melhor do que aquele que passara. Porque a sua oportunidade há muito que tinha sido deitada fora e restava-lhe agora viver a vida medíocre que a madrasta lhe prometera à nascença.
Big Mac, 1987-2005
“Temos de ser iguais a nós próprios” – qualquer jogador/treinador da apaixonante Super Liga Bet and Win

3 Comments:
Big Mac come bolhachas na cama e bebe leite com chocolate enquanto faz o coiso.
Eu sei quem é o Big Mac..
Dolado dele a versão é diferente, mas se cruzarmos informação conseguimos desenhar com alguma facilidade como o Big Mac se perdeu, como tu nos contaste.
Abraço Capitan Bisteca!
Tenho saudades do 610 !
Para quem não sabe, este 610 do qual tanto fala o Costa, é o batalhão onde ele combateu em Angola/74. As saudades e todo o amor que ele nutre já são outras histórias.
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