Queria esclarecer uma coisa
Vida de um Comunista:
Queridos Camaradas, vou-vos contar o que é para mim um dia normail. Ao acordar às cinco da manhã com a sirene do meu prédio de betão tomo um banho frio (partilhado com os meus camaradas baratas) e um pequeno almoço de pão preto e duro de há duas semanas com um gostinho de boloro. Visto a minha farda cinzenta, e antes de sair do meu apartamento (leia-se dois metros quadrados e meio com um colchão) faço uma saudação à bela imagem de Mao e Lenin de mãos apertadas - apesar de não ter electricidade e portanto de não a poder ver sei bem onde ela está pois faço esta saudação todos os dias à mesma hora há vinte anos.
Apanho o eléctrico número 2267 para a fábrica de pregos onde trabalho, juntando-me aos trezentos camaradas companheiros que já lá estavam sentados, e oiço a rádio da capital a anunciar mais um comício do nosso Estimado Partido para celebrar o facto de estarmos a apenas 80 anos dos países não-comunistas em termos de desenvolvimento. Que postitivo! As melhores expectativas apontavam para que o verdadeiro número fosse 81!
Blá blá blá... almoço é papas de aveia... volto a casa às onze da noite, faço mais uma saudação à imagem e acabou-se-me outro dia, camaradas.
Vida de um fascista:
Caros amigos e compinchas, é com deleite que vos reconto o que é para mim um dia típico. Pois bem como é costume um meu criado vem me acordar suavemente às dez horas, trazendo já o meu pequeno almoço num tabuleiro. Este consiste de mão fresco caseiro, ovos mexidos com tomate, um bolinho, leite, e sumo fresco natural. De seguida dão-me um banho de meia hora e vestem-me para o meu exercício matinal, que consiste em cavalgar pelas minhas propriedades a verificar o estado geral das coisas. Por vezes dou uma palavrinha ao meu steward, outras vezes sigo para casa para tomar um café com croissants e queijo. Tomo outro banho, e depois sigo para o meu escritório, onde normalmente passo duas horas em leitura. Após o almoço com a família jogo um gamão, seguido directamente por uma sesta. Para acordar é-me servido um chá de camomila e uns scones também caseiros, que antecedem uma sessão de tiro aos pratos; afinal, a época de caça está prestes a começar, e tenho de manter a minha reputação. Enfim... a seguir a isso o mais normal é voltar a tomar banho, e vestir-me para qualquer que seja a festa dessa noite. Bom meus caros, isto passa-se é na primavera, como é claro... não vos quero maçar com as outras épocas, até porque para ter a certeza teria de consultar o meu secretário...
Agora... qual é que era o insulto em ser chamado fascista (segundo esta imagem tão mal formada mas que será concerteza a dos nossos queridos comentadores, que nos acusam de o ser)??! Ahhh... têm razão, era melhor ser comunista! Lógico.
"viva el-rey! hoje, amanhã, e para sempre!" -um bom monárquico

4 Comments:
Começo por dizer que só a pouco tempo tive conhecimento da existência deste blog e que foram poucos os textos que li antes deste, por isso não sei se o teu tipo de escrita tem ou não antecedentes.
De qualquer forma sou forçado a fazer aqui um comentário a este texto, já que em primeiro lugar a comparação que é feita não é feita ao mesmo nível “social”. Cais no erro básico de comparar um operário raso de uma qualquer província soviética, com um chefe de estado ou alguém com um óptimo cargo (para usar uma palavra contemporânea: Tacho) num regime provavelmente ditatorial fascista! (Dá para haver fascismo sem ditadura?!) Proponho-me agora a fazer o exercício inverso, usando os mesmos termos que tu.
Começo por dar-te o dia de um homem do campo do tempo do fascismo:
“Senhor (está a dirigir-se como é obvio nosso tão misericordioso e bom Deus Católico na oração da noite), de ontem para hoje dormi no palheiro dos senhores (estes, os Donos das terras, as tais “propriedades” de que tu falas, onde o pobre camponês trabalha) com toda a minha família, e mais algumas famílias cá da terra, fomos acordados bem antes do sol raiar, o capataz trouxe-nos um presente dos senhores: os restos do almoço de ontem! Restos estes que o Barão,o Cão predilecto do Senhor, não conseguiu devorar por inteiro ontem ao jantar! Ainda consegui comer duas costeletas já roídas e um bocadinho de couve que já tinha umas partes pretas mas soube que nem ginjas (sabe lá ele como sabem ginjas, diz isto porque foi o que toda a gente disse depois daquele farto banquete), logo de manhãzinha com os primeiros raios de luz fomos para os campos de amêndoa, onde estivemos todo o dia na apanha. Nem por um segundo parei para descansar, nem quando a minha mais nova caiu para o lado e foi levada para o posto médico. Quando voltamos não tivemos jantar pois o Barão hoje estava cheio de fome e comeu tudo quanto havia dos restos do jantar de ontem. Também não podemos dormir no palheiro pois chegaram duas belas éguas novas. É no galinheiro que agora me encontro Senhor e preparo me para ir dormir com a minha Jacinta e as crianças. Felizmente a apanha só acaba lá para o fim do mês.”
E agora um alto dirigente militar russo:
Caros Camaradas, é com deleite que vos reconto o que é para mim um dia típico. Pois bem como é costume o camarada tenente Boris vem me acordar suavemente às dez horas, trazendo já o meu pequeno-almoço num tabuleiro. Este consiste de Pão fresco caseiro, Caviar, e como está claro uma garrafa de Vodka. De seguida dão-me um banho de meia hora e vestem-me para o meu exercício matinal, que hoje tem de ser no meu ginásio pois lá fora estão trinta graus negativos, mesmo assim peço para me irem buscar mais uma garrafa de Vodka. Depois dão me outro banho, e vestem-me a minha melhor farda. Sigo para o Escritório onde recebo a notícia da chegada da minha ultima encomenda. 3500 mísseis terra-ar e duas divisões de tanques novinhos em folha, de tão contente que fiquei encomendei o dobro desta vez…”
E continuaria alegremente a escrever excentricidades com o Estaline e mais prostitutas e mais mísseis mas não tenho tempo nem paciência para isso…
Acho que assim ficas pelo menos com a ideia que cometeste um erro.
Não, o fascismo não é bom, e não o comunismo não é assim tão pior. Deixa lá de ser uma so called puta fascista que isso está tão ou mais morto e fora da moda que o comunismo.
Continua a Escrever, mas por favor, elege melhores causas.
KiKuX
P.S. - A Historia dos comunas é completamente inventada por mim (ainda que possa não estar muito longe da realidade), já a história do camponês não é assim tão inventada como isso, tem um grande fundo de verdade, já que situações desumanas como esta continuaram a passar-se no nosso País ainda durante alguns anos depois do 25 de Abril, sendo claro está pesadas heranças do tempo do fascismo, que hoje conseguimos apagar
caro anónimo:
1- a história do teu camponês em regime fascista mais parece a de um miserável operário soviético. Isto não é relevante para o caso, mas asseguro-te que morreu e morre mais gente à fome em qualquer regime socialista do que num fascista.
Mais: pobreza há em qualquer regime e em qualquer época.
2- não pareces ter-te dado conta disto:
«Agora... qual é que era o insulto em ser chamado fascista (segundo esta imagem tão mal formada mas que será concerteza a dos nossos queridos comentadores, que nos acusam de o ser)??!»
aqui, o autor, assume que a sua comparação é tão precisa quanto os cortes de carrinho do Petit. E configura precisamente esta ideia errada como a dos comentadores do blog que se fartam de chamar fascista todos os autores do blog. Conclui por fim que, sendo certamente esta ideia que eles (comentadores) têm (de novo, errada), ser fascista seria até um elogio.
FPS
Queria antes de mais agradecer ao estimado FPS pelo seu contributo de esclarecimento quanto ao propósito do post e manifestar a minha comparência para com o seu igualmente estimado blog, "Os Bairristas," um espaço onde abunda a prosa bem escrita.
Passo de seguida ao comentador "KiKuX" a quem só posso dizer, após o dito esclarecimento do FPS, que sou do sexo masculino, e que portanto quando recebo o apelo "Deixa lá de ser uma so called puta fascista..." me sinto algo ofendido - não pelo contúdo do apelo, lá está, mas pela implicação de que sou mulher. Neste blog só escrevem homens. De qualquer forma agradeço o tempo e a atenção que tem dado ao blog. Volte sempre.
Precisar: comunista pobre, fascista não pobre.
Mas o post só lhes dá razão... desde logo a ideia que são explorados.
Cuidado com a guilhotina.
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