Mundo Meu
Ontem foi o dia da mulher... isto leva implicitamente à conclusão de que os restantes 364 são dos homens. Acho muito bem, mas também não estou eufórico: os dias pertencem-nos todos, quem disse que as mulheres também podiam ter um??
Por um lado, designar um dia do ano para certos grupos parece-me bem na medida em que nos chama à atenção para a existência desse grupo e nos incita a celebrar tudo aquilo que esse grupo já fez - e que muitas vezes não é reconhecido. No entanto, quando é o caso de um grupo menos reconhecido (no presente ou até históricamente) não me parece que o dia especial do grupo lhe atribua o mesmo nível que a restante sociedade (os não-pertencentes ao grupo e que não precisaram do dia para serem reconhecidos) porque fica sempre no ár a ajuda "especial" que parece que necessitaram. Quero eu dizer com isto: o dia da mulher, por exemplo, enfraquece (a meu ver) a luta femininista porque parece que a mulher só é reconhecida por lei ou estatuto ou lá como é que se atribui um dia... Não é por as mulheres terem o dia delas que vão passar a ter os mesmos direitos práticos e as mesmas oportunidades - se isso acontecer é por outro caminho que não este, porque este permite aos homens o patriotismo de "ah...coitadinhas, precisam de um dia próprio para que se lembre delas" um pensamento que pode nem ser explícito - a minha frase inicial, embora irónica, é completamente verdade.
E não é só com mulheres, acontece com qualque minoria, seja ela minoritária em poder, número ou representação. Agora, será que a solução passa por abolir a atribuição de dias? (Não, porque nem todas as atribuições são a estes grupos, e o awareness em si já é uma coisa boa...)
"HP Photosmart 330, 380, 470 series printer" -o cd ao meu lado

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