Sunday, November 13, 2005

O que é que o gato faz?

Foi num dia, até então alegre e solarengo, que Mia, a ainda criança de espírito, estava nos mesmos baloiços com o mesmo portátil a ouvir a mesma música que tinha sido a banda sonora da sua vida até então.. A banda sonora do filme 'A vida de Kafka' (sim, Mia tinha um gosto musical bastante sofisticado para tão tenra idade!) .
Foi por volta da hora mediana que Mia se lembrou de ir ver os seus mails... Nada, como habitual. Nem mesmo junk mail. Devia estar estragado. Depois lembrou.se de ir ver como estava o blog que ela tanto amava, e do qual não se conseguia soltar, e ver quais as reacções ao seu primeiro contacto por escrito com o blog. Estranhamente, o dia que até então radiava de sol tornou.se cinzento e pesado como uma bigorna, e pingava uma chuva-molha-parvos. Mia estava seca como um deserto. Ao som dum clique Mia ia perdendo os sentidos. Nao conseguia acreditar o que aqueles dois berlindes azuis viam. Pela primeira vez soubera o que era a dúvida. Dúvida que, numa vida tão cheia de nada mas ao mesmo tempo tão cheia de tudo, passada naquele eterno jardim com as belas abelhas e com o baloiço, não fazia sentido pois Mia não tinha dúvidas do que se passava ali. Era o blog, o baloiço, as flores, as abelhas e de vez em quando a camioneta do lixo. Pela primeira vez alguém duvidara da sua existência e agora sim, ela começou a ficar ensopada pela chuva. Mia sentia.se uma parva pois também ela começou a duvidar da sua existência. Não era possivel que ela não fosse real. Não. Estava ciente de que tudo ali era a sua realidade (pelo menos a que mais gostava!) e de que disso não ia abdicar.
Mais uma vez, e desta mesmo chateada, decidiu escrever para o seu amor (que tanto a desiludira!). Alguém ia pagar por esta difamação. Olhou e o primeiro nome que viu foi g. Tinha encontrado a sua vítima. Mia escreveu sem parar, pensando palavra por palavra durante 15 horas, altura em que já se tinha convencido que g era, de facto, o culpado de todas as suas lágrimas de raiva, de tristeza, de ódio para com o seu amor. Estava determinada a acabar com a vida desta "criatura tão pacífica", como ele se descrevia a si próprio.
O que Mia ignorava é que tanto g como todos os outros bloggers estavam sob o controlo de Miguel Costa, o 'Patrão' como ele os fazia chamar, que os obrigava a inventar novos comentadores para o fluxo do blog. Miguel Cruel, era o nome que nós lhe dávamos quando não estava por perto, denunciava depois os seus escravos para se livrar de qualquer culpa que, por ordem natural das coisas, iria concerteza acabar por cair sobre ele.
Mais um comentador. Paulo de seu nome. Mais uma invenção. Mia não comenta pois Paulo refere alguns dos seus desejos sexuais. Mia desconhece que um comentário deste cariz só pode provir de fino. Culpa g mais uma vez que, por sua vez, não sabe o que fazer. Já tentou tudo para a fazer desistir de tão ingénua ideia.
Mia não cede. Desliga o Pc e vai reflectir sobre o que fez. O dia tornou.se infindável e negro como o carvão. Mia só quer que acabe. Só quer voltar aos baloiços e aos dias solarengos com as abelhas, às flores e à camioneta do lixo que, de quando em vez faz uma visita, ao jardim de que tanto gostava. Mal sabe ela o que acabou de começar...

"Não pá. Quem ladra é o cão." - Não deixou registo.

3 Comments:

Anonymous Anonymous quis bondosamente e, com certeza, por puro respeito e apreço pelo autor deste post opinar o seguinte...

Bonita história...agora não tenho tempo pra comentar, fica para a próxima...

11:17 AM  
Anonymous Anonymous quis bondosamente e, com certeza, por puro respeito e apreço pelo autor deste post opinar o seguinte...

já agora...o titulo do post está muito bem pensado...subiste na minha consideração...

6:29 PM  
Blogger g quis bondosamente e, com certeza, por puro respeito e apreço pelo autor deste post opinar o seguinte...

obrigado por esse gesto caridoso. o pensar que pudesses rejeitar.me por eu ter concordado com o costa quando ele disse que eras a amiga imaginária de alguém estava a pesar.me como chumbo.

7:52 PM  

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