Wednesday, November 09, 2005

Sobre o turquemenistão


Não suspirem de alívio aqueles que julgam ser apenas mais um título despropositado aquele que se ostenta acima destas linhas, porque hoje darei um ar fresquinho de mudança aos meus posts e seguirei as normas consuetudinárias da escrita.

O Turquemenistão é um país no fim do mundo com mais do quintuplo do tamanho de Portugal e metade da população (enquanto cá há 114 macacos por km quadrado lá há 9,4). Deve haver muitas coisas com graça para se dizer acerca do Turquemenistão do tipo qual a moeda, qual o hino, quais os costumes, se também bebem leite com chocolate mas eu encontrei uma mais engraçada ainda, à qual desde já faço referência:

O turcomenistão (também assim se pode escrever) tem um presidente e um primeiro-ministro. O presidente chama-se Saparmurad Niyazov e o primeiro-ministro Saparmurad Niyazov.
Este senhor todo-poderoso de 55 anos resolveu aos 49, perguntar aos 9,6 macacos que habitam o quilómetro quadrado do Khalk Maslakhaty - Conselho do Povo e órgão representativo supremo que reúne integrantes de todos os poderes - se não o deixariam, capricho seu, ser presidente para o resto da vida, que já se tinha habituado às pantufas do palácio da república.
Eles disseram que sim, claro!
E assim Saparmurad Niyazov - que podia ser Shichipov Chocolocov que ninguém daria por isso - é boss de cinco vezes Portugal, podendo disso fazer o que bem lhe der na cana!

Sapamurad Niyazov tem mais que se lhe diga:
Aquele a quem os Turcomenos se vêem obrigados a chamar Turkmenbashi (pai de todos os turcomenos), é orfão de uma família pobre que morreu toda durante a Segunda Guerra Mundial e num terramoto em 1948; estudou Engenharia em São Petersburgo; patati patata; fez-se membro e foi eleito Primeiro-Secretário do Comité Central do Partido Comunista do Turquemenistão.
Desde que é Presidente Vitalício que não tolera qualquer tipo de oposição política sendo o único partido político legal e oficial o dele mesmo: o Partido Democrático(!). A sua fuça adorna tudo o que existe no Turquemenistão, desde as notas às garrafas de vodka, dos sapatos aos mostradores de todos os relógios fabricados no país. Também escreve mas não para blogues: dois livros foram por ele editados e são de leitura obrigatória a todos os Turcomenos e programa incontornável em todas as escolas. Os dias da semana foram renomeados com nomes de membros da sua família. Ele próprio escreveu o hino nacional em que se pode ouvir que, àqueles que difamarem a Terra-Mãe, deverão ser mutilados os braços. Saparmurad entendeu também que seria simpático adornar a vista da janela do seu Quarto Imperial/Presidencial e mandou, para os devidos efeitos, esculpir uma estátua de 15 metros banhada a ouro, ostentando a sua própria pessoa, para que fosse colocada num pedestral rotativo que encarasse sempre o brilho do Sol e da Lua
Esta enorme besta tem um metro e cinquenta cetímetros (os seus cabelos roçam os meus mamilos se estivermos de pé) e está ao comando do décimo maior produtor de algodão do mundo e, mais importante do que isso, de uma das maiores reservas de petróleo do Planeta.

Nunca se fala do Turquemenistão nos telejornais nem mesmo nos jornais de imprensa, mas dá que pensar, se bem que é melhor não pensarmos muito ou não conseguimos adormecer...
Nunca pensei que ainda houvesse disto no nosso planeta: tamanha ditadura tão naturalmente aceite!

"Halk! Watan! Türkmenbashi!" - em português: "Povo! Pátria! Líder!" - lema obrigado do Turquemenistão

0 Comments:

Post a Comment

<< Home