Monday, January 30, 2006

9 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Sunday, January 29, 2006

Fiódor Tolstoiévski

São flocos desagregados, mais em pingos que em cristais, que se esbarram contra a minha janela chorando em lágrimas de morte lenta e pedindo ao frio que os mantenha gélidos. Fogem com o vento e não caem ou fazem birras ao cair, em corridas que travam rodopiando na horizontal e desafiando a gravidade. Fazem-no porque temem o calor do chão e das mãos indrédulas de quem vai à janela comprovar aquilo que os rios de água disfarçam lá em baixo, porque têm medo da superfície escorregadia dos chapéus de chuva que agora são de neve e que assim se encontram indecisos na sua função, como que com dúvidas existenciais, fogem aflitos temendo os vómitos dos escapes sobre a calçada disfarçada aqui e ali de alcatrão, ou fogem porque receiam cair inadvertidamente nos depósitos de água dos chafariz que os engolem nos seus canos.
Está um grau em Lisboa.
Um grau Celsium é quanto basta para que se esbata a brancura dos flocos na transparência da àgua; Para que seja apenas mais real o sonho improvável de que se esconda Lisboa por debaixo das barbas do Pai Natal; Para que me impeçam a providência e a sobriedade, dum sonho ébrio em que desço a rua de São Domingos, cortada em três não pelos carris dos eléctricos mas pelos rastos surpresos dos meus esquis.

Nevar assim é fogo de vista. Tudo isto não passa de uma visão.

"É o sangue a batalhar dentro de ti. Quando o sangue não tem saída começa a ficar a modos que coalhado, a pessoa começa a ter visões." - Fiódor Tosltoiévski em Crime e Castigo. Prometo que para a próxima cito Liev Dolstoi

19 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Raridades

Hoje acordei e liguei a televisão.
Reparei que está a never por esse Portugal fora, menos cá em Lisboa... E achei estranho.
Mas lembrei me que um rafeiro Sporting ganhou a um impotente Benfica na luz.
Assim já fáz sentido.
É um dia raro. Aproveitem Sportinguistas e façam o dois em um: festejem a vitória (mais efusivamente que quando ganham um campeoanto, que não ganham, mas se ganhassem) e aproveitem para fazer leões de neve. Acreditem em mim: é um dia irrepetivel

2 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Monday, January 23, 2006

"Cão como tu!" - Mário Soares parafraseando um título dum livro de Manuel Alegre

Mário Soares ficou ontem um bocadinho aborrecido, porque se julgava - num intervalo de zero a seis biliões de pessoas - o mais ruim de todos, o mais golpes-baixos, o mais facadinha nas costas, o mais "falar da vida pessoal dos rivais para os derrotar em segundas voltas", o mais tinhoso, o mais rafeiro, o mais cão por assim dizer. Porém veio-se ontem a confirmar a suspeita de que afinal Mário Soares é só um menino ao lado de outros gigantes pisa-empecilhos. E Manuel Alegre até o avisou escrevendo-lhe um livro com um título bastante contundente: Cão Como Nós. Era o prólogo da batalha de Alegre: "Podes ser um cão rafeiro e raivoso, mas eu sou ainda pior!".
E assim foi:
Manuel Alegre candidatou-se e passou por cima de Soares, ignorando os proeminentes caninos na sua bocarra aberta que se lhe meteu à frente. Não satisfeito, esquartejou-o em 6 biliões de partes e engoliu-lhe mais de 6% dos votos.
Mário Soares não teve outro remédio senão ir para casa chorar soluçando frases como "Cão como tu!".

"Para a próxima é que é: não hei de morrer sem ser 1% de Presidente desta merda deste país!" - Garcia Pereira.

11 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Sunday, January 22, 2006

E o grande perdedor do dia foi a TVI

Manuela Moura Guedes é irritante e estou ansioso para ler os comentários do Ruca, ele vai dizer o que eu não tenho coragem de dizer:
Ela opina.
Ela levanta a voz.
Ela cala os convidados.
Ela não respeita a opinião dos outros.
Ela goza!!!
Ela é fuçanga.
Ela e a Constança Cunha e Sá numa só noite é dose aturar! Parece que querem falar à força!
Se os espanhóis estiverem atentos ela volta a desaparecer.
Podia escrever aqui tudo o que ela disse e que me irritou, mas não consigo. São tantas. Vou deixar uma:

"Não? Por amor de Deus.." - reacção à resposta de um dos convidados...

5 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Wednesday, January 18, 2006

Originalmente este post ia ser sobre ligres, que são animais híbridos verdadeiros fruto da mistura de leões e tigres...

Sabiam que há wrestling de camelos?? Não, eu sei que no WWF e no RAW são todos uns camelos (a minha falta de desculpas sinceras a todos os que vêem essa telenovela)...

Tou a falar a sério... e mais!: há audiências de muitos milhares a assistir, pois a realidade é que existem torneios desta modalidade desportiva, com cobertura televisiva e tudo. A cadeia televisiva é a Khalé-Mohammed-bin-Sadaam, (é normal que não a conheçam).

vejam só: http://www.guinnessworldrecords.com/content_pages/record.asp?recordid=56083

Outra coisa séria e portanto sobre a qual eu não vou expandir; sabiam que há tráfico de crianças para os países arabes cuja finalidade é ser jockey de camelos? Parece que as corridas de camelos até são coisas perigosas... Ouvi dizer que são as velocidades loucas dos animais, há triliões de anos criados para ser tão aerodinámicos, que acabam por desfazer os putos...

agora uma frase em código: wppcs hcjt,fw wppcs!

"suck it in suck it in 'cause you're rin-tin-tin or anne belin..." -Blues Travelers

12 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

O dogma da opiniao

Conhecimento, cultura geral, sagacidade, inteligência, coerência são todas elas qualidades, à partida, bastante apreciáveis num ser humano.
A opinião é o método que nos permite pesar, tentando ou não equilibrar, estes “artifícios” e transformá-los em expressão compreensível aos outros.
A opinião é, por isso, desejável e é, por si só, uma arma poderosa.
A opinião reflecte num espelho de água turva aquilo que queremos passar de nós. Deve por isso ser bem usada e manipulada.
A opinião, quando mal empregue, faz-nos perder palmo e meio de altura. Até desaparecermos! Cuidado com a opinião!

Jules, (que acaso de coicindência ainda não conhecera Jim) sabia o que queria e tinha-se em consideração suficiente para não se achar mais que os outros.

Chet, apesar de alienado, era talentoso.

Mario, tinha o dom da escrita, mas não os sete alqueires bem medidos.

Bralon, era, apesar de não se perceber, imortal.

Estes quatro, e mais quatro, nada tinham a ver uns com os outros, nem tão pouco se conheciam. E o que tinham em comum resumia-se unica e exclusivamente ao valor que davam à OPINIÃO.

Fruto (qual deles?) do acaso, os oito encontraram-se na mesa grande do café Octávia, que dista sete jardas das portas grandes de Brandenburgo.

Cada qual, a seu canto da mesa redonda, parou por uns segundos para observar que coelho sairia da cartola dos outros sete.

Um nono chegou. Ficou de pé e observou, porque era tímido!

Nenhum deles se achava mais ou melhor que qualquer outro que por ali já tivesse passado.

Após um silêncio respeitador fizeram uma vénia e acordaram que, nas suas diferenças, ouvirião a OPINIÃO de cada um, expondo também a sua, porque ali o respeito era imperativo.

A ideia era boa e a hora era certa. Mas o local não!

O problema dos cafés, para além da verdadeira (não) limpeza que o balcão oculta, é a existência de pessoas estranhas ao serviço.

É lógico, que quem não pertence à comitiva desconhece as regras da casa, e deste modo, todos os outros clientes que bebiam cafés, bem como os cafés que bebiam clientes, arregalaram os olhos à oportunidade de dar opinião.

Ainda assim, os outros 9 não se importaram. Era assim que queriam jogar.

Todos eles, de muito bom grado se deram a conhecer uns aos outros construindo a sua pequena torre de OPINIÕES.

Acontece que os abutres sedentos das mesas vizinhas, tinham também eles opiniões, que tiveram o cuidado de atirar à desbravada para a mesa que agora se mostrava pouco resistente ao peso de tanta OpInIãO.

Aqueles que não valorizam a OPINIÃO, para além de não saberem que perdem palmo e meio de altura cada vez que a usam mal, desconhecem que esta pesa cerca de sete vezes a massa de meia girafa. É portanto pesada.

A mesa vacilou, torceu-se e contorceu-se, agarrou-se à barriga com dores de cabeça, mas não caiu. O peso das opiniões dos abutres não chegou para a deitar abaixo.

Os 9 continuaram respeitosamente a dar OPINIÕES!

“As maquetas são como os iogurtes: devem ser do dia!”,
Nuno Miguel Feio

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Tuesday, January 17, 2006

Sondagens

Depois de ter ouvido o Manuel Alegre dizer aos socialistas que se queriam um socialista na presidência deviam votar na sua pessoa e não em Mário Soares, dei por mim a pensar nas sondagens e no que elas representam.

Perante as sondagens, o que fazer? É a questão do voto util... Imaginemos uma pessoa que quer votar no Mário Soares, que é essa a sua intenção de voto, desde cedo. Imaginemos que a sua lista de prioridades é ter o MP3 seguido de evitar Cavaco. Neste caso, e perante as sondagens, e pondo de lado a hipótese de esta pessoa ainda acreditar que Mário Soares possa vencer as eleições, talvez o melhor fosse votar em Alegre, talvez este fosse o voto "util" na medida em que só ele permitiria alcançar pelo menos um dos objectivos, evitar Cavaco, estando a verdadeira prioridade, eleger Mário Soares, posta de lado.

Ou seja... Acho que as sondagens não são simples prognósticos, mas muito mais do que isso.
Não poderão as sondagens ter o poder de manipular votos, de alterar o resultado?!?

E mais... Porque será que não costumam falhar? Será que fazem uma leitura perfeita da realidade, será que recolhem amostras perfeitas e perfeitamente representativas do universo eleitor, ou será que fazem uma leitura geral da realidade e graças a esta leitura geral manipulam o pormenor?
Encaro as sondagens como uma estrada de dois sentidos para a realidade, em que por um lado camptam informação (perfeita ou não) e por outro enviam informação (perfeita ou não) que pode influenciar e consequentemente alterar a informação que anteriormente recolheram.

A tal pessoa se já não tivesse expectativas de ver Mário Soares como presidente e que tivesse expectativas de que Manuel Alegre podia viabilizar a não eleição de Cavaco, tudo graças à informação das sondagens, poderia chegar mesmo a votar Alegre, não a acharia estupida por isso.
As sondagens podem mexer com as expectativas das pessoas que podem mexer com as suas intençoes de voto.
Podem existir muitas pessoas assim. Podem decidir-se eleições assim...

Afinal, porque existem as sondagens? Para encher as noticias? Para dar que falar? Ou exactamente para tornar o voto de cada pessoa mais "util".

Farão as sondagens parte do jogo das eleições?
Eu acho que sim. Acho que é legitimo perguntar-me onde acaba a correlação e onde começa a causualidade.

"Quando chove há menos acidentes mortais, logo a chuva torna as estradas menos perigosas"

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Monday, January 16, 2006

Que se vai cantar o fado

O silêncio é um som ou a falta dele? Ou será isto apenas uma questão de definições? Não! Quer dizer, para mim é importante... porque se quando existe, no meu campo auditivo, silêncio, gostava de saber se há ausência de som, e se eu não estou a ouvir (nada) ou se de facto estou a ouvir (nada). Parece-me uma pergunta não só pertinente como re grande relevância; pois com base na definição de que eu não estou a ouvir nada, nesse caso sou surdo!
Vamos lá ver: eu estou aqui no meu computador e (para que não haja confusão, eu não estou dentro do meu computador, estou a escrever no meu quarto; o meu CPU está apróximadamete a 15cm da minha cadeira numa posição descrita pelo vector <0,-1,-1> ) e há silêncio. Mas este verbo haver já condiciona a resposta; será portanto "há silêncio" ou "consigo ouvir silêncio"... ou ainda "consigo ouvir o silêncio"?
Meus senhores (e minhas senhoras, não quero que me acusem de falta de educação - acusações de machismo eu suporto!) calem-se um bocadinho... ouviram?? CALEM-SE!!!!!

assim está melhor... conseguem ouvir/sentir (o) silêncio?

...


Outra coisa; se o silêncio é de facto um som, será que eu o posso gravar? Isto é, posso ouvir o som do silêncio (a verdade é que posso, se tiver um cd do Simon&Garfunkel - the sound of silence) com uns auscultadores quaisquer? E se puder, e aumentar o volume, isso quer dizer que posso abafar outros sons com o silêncio? Quer dizer que o silêncio pode ser mais alto que o barulho... Eu tenho uns "noise-reducing headfones" o que é que isso quer dizer?

"Alguém NÃO está confuso?!"

1 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Sunday, January 15, 2006

Uma lição: Como cair em cheio no ridiculo.

Olá malta

Recebi no meu telémóvel, faz alguns minutos, a seguinte mensagem (que podemos considerar desde já a citação deste poste):

"Carreg. 10.00 Eur, Bonus: 00.00 Eur, Saldo Actual : 12.22 Eur. manda este sms a 10 91 e receberás 10 euros* em 10 minutos. Eu ja recebi, nao tou a brincar"
*(na mensagem vinha o simbolo do euro, simbolo esse que eu não consigo encontrar no teclado)

Pelo respeito que me sobrou à pessoa que me mandou esta mensagem não vou mencionar o seu nome.

Achei por bem, ou apeteceu-me, como queiram, tecer algumas considerações sobre a mesma:

Vou supor na minha análise, por absurdo, que o conteudo da mensagem é verdadeiro, ou seja que quem enviar a mensagem a 10 assinantes da Vodafone recebe efectivamente os 10 euros.
Reparemos pois que não só está explicito que se recebe dez euros como está também explicito que depois desta operação milagrosa se fica com um saldo de 12.22 Euros, o que deixa implicito que toda a gente tenha de ter como saldo 2.22 Euros, antes de se aproveitar da promoção, o que eu acho bastante improvável.
Admitindo, ainda assim e de boa fé que tal é possivel, como se uma das condições para o feitiço resultar fosse ter esse saldo antes de se começar a operação. A pessoa em questão, na mensagem que me manda, e porque me manda esta mensagem eu pressuponho ser uma das dez pessoas escolhidas para o efeito, diz também que já recebeu os 10 euros, que não está a perder o seu tempo com brincadeiras parvas. A minha boa fé acaba aqui. Ora se a mensagem me foi enviada eu sou, à partida, um dos dez visados. Admitindo que eu fui o ultimo dos comtemplados, a mensagem diz que só passados dez minutos é que se recebe os 10 euros...Ora, na própria mensagem esta pessoa faz-me querer acreditar que já recebeu, como é possivel se só agora eu recebi a mensagem e nem dez segundos passaram?
Além de ser uma estupidez, é uma estupidez mal feita e insustentada que faz passar por parvos os que nela acreditam...

Mas pronto, eu posso pensar que a pessoa que me mandou a mensagem tenha tido mais boa fé do que eu, ou que na altura não tivesse nada mais interessante para fazer... Ainda assim, o problema não acaba aqui.
Esta pessoa não nutre qualquer respeito por mim, na medida em que não tem medo, ou vergonha, do que eu vá pensar dela por me incomodar por tal disparate. Só pode ser uma pessoa que me tem em baixa estima, estilo "deixa cá enviar isto a 10 palermas, se não der é indifrente", e fá-lo sem medo de ser julgado. Pelo menos era assim que eu pensaria: Isto pode ou não ser verdade, se não for vou estar a fazer figura de estupido...Ora ora.. À frente de quem é que eu não me importo de fazer figura de estupido..de outro estupido ou de alguém para quem me esteja absolutamente a cagar".

Bom, queria acabar salientando que esta mensagem faz ainda menos sentido numa altura em que é sabido que muita gente não paga mensagens para 91, o que deita por terra qualquer possibildiade de se tratar de uma campanha da Vodafone, Vodafone esta que nada tem a ganhar com sequer levantar esta hipótese, visto que nem os que acreditam lhes pagam pelo envio das dez mensagems.

A unica solução que eu consigo deslindar é que se trata de um anti-campanha da TMN ou da OPTIMUS que acabam por conseguir que os clientes da vodafone sejam incomodados com disparates e como tal o seu bem-estar diminui. Ora se está explicito na mensagem que só 91s é que vão receber as mensagens fica no subconsciente a mensagem: "se não fosses 91, não te chateavam, não tinhas de estar a dissertar durante quinze minutos sobre uma estupidez, porque ela nem teria chegado a acontecer."

Um abraço e até a próxima.

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Isto para fundamentar o meu comment ao post do Pedro. Ainda faltam cerca de 5-7 segundos para que ocorra o terrivel fim que relatei, mas podem ter uma ideia da imagem- UM NOIJO!

Já agora, está um belo post. Para além de ensinar o leitor sobre a vida selvagem, dá também a conhecer um pouco da vida familiar das cobras de capelo.

6 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Queda capilar

Ontem vi um programa de televisão na 2: sobre a queda capilar, mentira!, era sobre a cobra capelo. Não foi a cobra que primeiro me atraiu naquele canal, foi antes um senhor hindu que com ela brincava e que me fez lembrar aquele faquir do Carvão no Porão (ou será do Ouro Negro?) do Tintim. Era muito magrinho, extremamente magrinho, tinha 3 metros de espaço entre os joelhos de cada perna, os ombros eram mais magros que a bacia e estava a fazer coisas perigosas vestido apenas com uma fralda de pano enrolada como bem podem imaginar. Gostava de conhecer aquele homem: será que ele também consegue sentar-se em pregos e em carvão em brasa e perfurar as bochechas do rabo com um Black & Decker e tocar com as palmas do pé nas omoplatas sem nunca sentir uma pontada de dor?
Depois vieram as cobras.
O documentário até era giro, bem realizado, bem explicado e satisfazia plenamente a minha necessidade de apatia. Foi então que me deu o enjôo quando a cobrita que eu vira nascer resolve aventurar-se na sua primeira caçada:
Achei que dado o tamanho da pequenita esta apenas iria caçar ervas, ou no máximo minhocas ou maminhas da mãe. Mas não, estava com fome e achou que um sapo calharia melhor, pelo que assim foi:
Aproximou-se do sapo, cumprimentou-o e ele viu-a mas muito parvo deixou-se ficar, talvez por preguiça, então perguntou-lhe Posso-te comer?, ao que ele pensou Esta gaja deve 'tar parva! Mas que malcriadinha!, respondendo depois Ouve lá e se fosses jogar ao pião?, foi então que a cobra que era mimada e não gostava que a contrariassem o mordeu e já se preparava para ir fazer birra para junto da sua mãezinha quando lhe cai o sapo em cima petrificado pelo veneno. Impecável! Vou já mostrá-lo à mãe, pensou então a cobrinha inchada de orgulho, mas o sapo era pesado e ela pequenina, afinal era só uma cobrinha, e estava sem mãos para pegar nele pelo que abocanhou-o e começou a arrastá-lo. Três metros volvidos entediou-se e engoliu o sapo inteiro. Aquilo enojou-me, deu-me uma certa náusea confesso. Principalmente quando ela abria e ajeitava ainda mais a bocarra, antes disfarçada, para conseguir engolir ainda melhor as bordas do sapo. E quando só se viam as coxinhas de sapo cruzadas em X de fora da cobrita arrepiei-me com bastante vigor. Mais uma vez me lembrei do Tintim desta vez no Congo e do Milu que assim foi engolido por uma cobra. Na altura achei que aquilo era uma brincadeira do Hergé, que elas comiam coisas mais à sua escala, bichinhos tipo ratinhos e sapinhos dos pequenos.

Quando tudo acabou desliguei a televisão e fui para a cama. Pelo caminho, no entanto, fui trincar qualquer coisa e meti um frasco de compota e um pão de forma inteiros pela goela abaixo que agora teimam em não ir para dentro. Não sei que faça.

"Mastiga 30 vezes cada pedacinho de conhecimento que ingiras antes de engoli-lo" - Feleciano José

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Saturday, January 14, 2006

Soneto

Para muitos uma arte,
Para todos o antónimo de civismo.
Se feito por um real javarde
É bem pior que um sismo.

A melodia que produz
Soa à semínima e à colcheia.
O poder que os homens seduz
É o de partir propriedade alheia.

Estragar, partir, rasgar
Comer e depois defecar são palavras portuguesas
Quem os fez (até quiçá em cima de mesas) só se pode culpar .

É giro e tal quando não é teu,
Partir um vidro ou queimar um pneu.
Isto tudo e sem eufemismo, é a cru o Vandalismo.

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Thursday, January 12, 2006

Cecília

Tenho andado com uma certa dormência intelectual acerca de um assunto que pretendo agora coçar valentemente. Não será nenhum caso de varicela ou de sarampo, mas é um tema que me incomoda tanto quanto uma borbulha quística, incrustrada bem no centro da coluna vertebral o faz, nos momentos em que se pretende treinar os músculos abdominais:

Se não me engano, 'dark' em inglês quer dizer 'escuridão' em português, ou 'escuro' se a palavra for utilizada como um atributo adjectivo de qualquer coisa. Acho que estamos todos de acordo até aqui. Ainda não há divergências de opinião, ou assim o espero, já que o contrário seria sinal de alguma senilidade duma das partes, a qual não aponto. Também estaremos todos de acordo em relação ao método de determinação daquilo que é uma sombra (que em inglês se diz 'shadow'): portanto, vejamos, a sombra consiste nesse semblante ou nesse vulto escuro, que é escuro exactamente porque algum corpo físico impede a incisão directa da luz solar ou artifical sobre a zona em que essa mesma sombra se espalha. Este discurso é todo muito estúpido, mas preciso mesmo de me certificar que todos nós distinguimos uma sombra por esta ser mais escura que toda a sua àrea circundante (a menos que também esta esteja sombreada, mas isso não interessa).

Posto isto vou-me coçar:
Acho de uma genialidade atroz e de uma sensibilidade verdadeiramente comovente, que alguém equacione na solidão da sua alma, um tão belo cognome (que em inglês se diz 'nickname') como 'DarkShadow'. É realmente magnífico como esta criação etimológica toca o cume do gládio, como consegue a dois tempos fonéticos cantar toda uma sinfonia, como por detrás de uma força e de uma convicção e de uma personalidade bem demarcadas este cognome nos soe, quando pronunciado e mesmo que gritado, a rosas primaveris esvoaçando ao som das harpas e dos violinos e das tubas harmoniosas num relvado luminoso e quase tão verde como o azul do céu, todo em decrescendo no vai-vem das suas colinas suaves!
São momentos como este que me deixam encantado com a vida que Deus me deu, ou não! É talvez até isto que mais me entristece! Porque DarkShadow é um nickname bastante parvo que, de cada vez que leio, me faz lembrar um pobrezinho de um heavymetal com os olhos colados ao monitor do seu computador, sentado no seu quarto cujas paredes estão forradas a posters dos Sepultura e dos Kill Dogs e dos AARRGHHH e dos SuperBadGuysWithGunsAndStuffThatCanHurtYou misturados com as bandeiras encarnadas do Che, que estão também suspensas nas prateleiras onde coleiras aos biquinhos para cães, mas neste caso concebidas para se usar em homens, convivem com caveiras de plástico e gosma fosferescente muita fixe, que se vê mesmo à noite de luz apagada e tal e coiso.
'DarkShadow' é qualquer coisa de tão genial como "branco como a neve" ou "preto como o carvão", é realmente uma redundância bastante entristecedora!
Por isso parabéns ao nosso comentador o DarkShadow, e que a sua magia nos toque a todos nós também um pouco!

"Enquanto não formos tod@s livres seremos tod@s prisioneir@s" - Graffiti no Museu das Janelas Verdes de uns bandalhos quaisquer que se dizem oficialmente Anarquistas (afinal são organizados os Anarquistas).

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Wednesday, January 11, 2006

Um reparo (desta vez é mesmo daqueles que serve para reparar um erro)

Ao contrário do que se possa ter dito ou escrito, ou ainda cantado (mas acho que este último ninguém fez), o poll que anteriormente disponibilizámos era apenas um teste a um novo atributo que vamos...vá lá, atribuir (atributo-atribuir, não soa bem) ao blog, sendo que não era de extrema relevância, do que deriva que podia e devia, aliás, ser tomado como uma broma.
A todos os que votaram pedimos desculpa pelo INCÓMODO DE CARREGAR UMA VEZ NO RATO! (isto sou eu a ser politicamente correcto, a pedido do administrador do blog).

" -
*




(*) Aposto que toda a gente passou um rasto do rato por cima da minha suposta citação, achando que se tratava de mais um problema de cariz bloguístico. Mas não, achei que um post tão miserável não merecia uma citação.

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Coisas da vida

O Veloso, que eu nao conheço, é, dizem, aquele gajo impecável, sério, honesto, trabalhador.
Nisto, anulam-lhe o exame.

"As vezes e preciso dar um passo atrás para dar dois em frente" Força Veloso

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Monday, January 09, 2006

Demonstração de Fluxos de Caixa

Se a contabilidade é uma técnica deprimente, os contabilistas só podem ser deprimidos.
E eu sei que a contabilidade é deprimente.
Ao fim de uns dias em que vesti a camisola de contabilista se alguém me diz que foi à rua comprar tabaco, eu percebo que ele creditou a conta 12, debitou a 312, creditou a 312 e debitou a 321. E depois pergunto: "Mas ouve lá, pagaste ou ficaste a dever?".
Se alguém me diz que vai meter gasoleo, eu percebo que ele creditou a 12 (valor mais IVA), debitou a 62 (valor mais metade do IVA) e debitou a 2432 (metade do IVA).
Se alguém me diz, todo entusiasmado, que vai comprar um carro novo, lá vem a merda da linguagem contabilistica, e eu percebo que ele creditou a 12 e debitou a 424 e depois lembro-me que ainda tenho de pensar se é comercial ou de passageiros para saber se o IVA é ou não dedutivel e se entra ou não na porcaria do valor do carro, e se é a crédito ou a pronto.
Tudo, meus amigos, tudo se torna uma chatice. No outro dia o meu pai disse-me : Toma lá 20 euros, vai passear. O que é que era de esperar? Que eu ficasse todo contente. Mas não. Eu debitei a 11 e creditei a 78.

"Uma pessoa normal chega a casa depois de horas a fio na universidade e vai dormir, um nerd chega e vai escrever um post que pretende ser uma piada sobre o que esteve a fazer e que provavelmente nem tem graça para a maioria das pessoas, que tem a sorte de nunca ter tido contabilidade"
Eu, ao dar-me conta do que estou a fazer.
Boas noites, vou dormir, até à proxima.

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Friday, January 06, 2006

Um gato comeu outro gato porque este último se parecia com um enorme rato.

< Escrevi aqui neste espaço um post inteiro, mas quando cheguei ao fim cheguei à conclusão que só dizia parvoíces. Ficou o título e a citação.
Espero que gostem. >

"E ao terceiro dia conforme as escrituras, retornou à secretária para julgar os cultos e os incultos, e a sua nerdice não terá fim!" - Escritos bíblicos acerca da ressureição de Feliciano José - O quê? Ele ressuscitou?!

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Monday, January 02, 2006

Big Mac: Vida e Obra

Big Mac acordara naquela manhã do dia 31 de Dezembro de 2005, inevitavelmente mais velho do que em qualquer outra manhã, e, apesar dos seus jovens 18 anos, sentia bem o peso, não da idade, mas do corpo que teimava em levantar.

O dia 31 de Dezembro era um dia carregado de significado para Big Mac. Era um dia de esperança, um dia de mudança, um dia em que ele acreditava num ano próximo melhor do que o anterior.
Todos os anos, era neste dia que fazia um balanço do que tinha feito no ano que agora acabava, projectando expectativas para o novo que amanhã começava.
Big Mac sabia que, por muito mal que as coisas tivessem corrido, era agora a altura de dar a volta por cima e caminhar de braços abertos para o futuro de sucesso que há muito lhe fugia.

Recordava, como a madrasta da sorte o atraiçoara em pequeno, dando-lhe poucas ou nenhumas hipóteses de singrar na vida, e recordava também como soubera fintá-la, fazendo acreditar a si mesmo e aos que o rodeavam, que o seu talento era suficiente para justificar um lugar acima daqueles que rastejam na mediocridade.

Pois é….mas se a sorte é madrasta é porque não pode ser mãe, e se Big Mac tivera o azar de nascer com pouca sorte, era porque assim estava decidido desde muito cedo.

Fruto de uma relação pouco estável entre o funcionário encarregue de manter a limpeza dos courts do Clube de Ténis da Santa Parvónia e a cozinheira encarregue de fazer crer aos sócios do mesmo, que comiam suculentas refeições macrobióticas, Big Mac viu nascer em si uma enorme paixão pelo desporto que o rodeava.

Começou cedo a treinar demasiado, desenvolvendo a sua técnica, a sua velocidade, e também cedo foi referenciado como uma jovem promessa do ténis português. Depositaram-se em si confianças que nunca foram capazes de o fazer confiar em si mesmo e foram-lhe dados privilégios que apenas privilegiaram o seu pretensiosismo.

Big Mac começou a jogar torneios.
Big Mac começou a ganhar torneios.

E os patrocínios choviam-lhe em cima, com a intenção de o motivar, mas inundaram-lhe o caminho do sucesso, do qual se desviou, para se perder para sempre nos becos escuros do falhanço.

Não soube usar o dinheiro, que nunca tivera, gastando-o em tabaco, álcool e passatempos pouco próprios para quem deve manter um bom físico.

O seu atlético corpo ressentiu-se da sua muito pouca espedita cabeça e uma enorme camada adiposa acimentou-se por cima duns agora envergonhados abdominais.

Big Mac engordou descontroladamente e, por isso, abandonou o ténis de alto nível e a possibilidade de brilhar. Era agora ele fintando pelo destino que outrora lhe acenara com lenços de fama.

Big Mac não conseguiu matar o ponto.
Big Mac subiu à rede, mas tropeçou.
Big Mac serviu, mas fez dupla falta.
Big Mac fez um amorti curto demais.
Big Mac fez o passing-shot demasiado longo.
Big Mac errou e o erro saiu-lhe caro.

Despediu-se do ténis e dos agassis que nunca pôde defrontar.

E por isso, quando Big Mac acordou naquela manhã de 31 de Dezembro de 2005, chorou. Porque já não se podia enganar a si próprio e o ano que aí vinha não se adivinhava melhor do que aquele que passara. Porque a sua oportunidade há muito que tinha sido deitada fora e restava-lhe agora viver a vida medíocre que a madrasta lhe prometera à nascença.

Big Mac, 1987-2005

“Temos de ser iguais a nós próprios” – qualquer jogador/treinador da apaixonante Super Liga Bet and Win

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Sunday, January 01, 2006

Lamby Had a Little Mar

Não sou, nem nunca fui um grande adepto da New Year's Eve. Como tal, nunca vibrei muito com a contagem decrescente nem com as passas, nem tão pouco com os saltos ou desejos. Não tenho, porém, nada contra quem é e vibra. Apesar de achar meio ridículo o entusiasmo de passar uma meia-noite tão similar a outras 364. As pessoas agem como se houvesse possibilidade de não passarmos, como se desta talvez o mundo fenecesse e fosse sugado para um buraco negro ao segundo 59. Quando finalmente passámos, aliviados desejamos com palmadinhas amistosas e sinais faciais um bom ano cheio de sucessos.

Eu, sempre fui um dos que passa calmamente e em casa com os pais, e talvez seja essa a razão que me leva a dizer o que foi dito acima, a ver o Hermano com um pouco (e sublinho um pouco) de champagne Moet & Chandon, um bate-papo agradável e as tão habituais promessas de que este ano é que é, que é a partir de hoje que eu começo a estudar quando chegar a casa, e que me vou esforçar por diminuir as quezílias que porventura possam surgir com a família. Claro está, que nestes revelhões batiam as doze e pouco tempo depois iniciava o meu novo ano a dormir porque, apesar de agradável não deixa de ser uma passagem de ano de nível médio-fraco.

Há, faz hoje precisamente um ano e algumas horas, descobri o que era uma passagem de ano com amigos e, confesso que fiquei feliz por beber champagne barato. A razão desta descoberta ser tão tardia, deve.se ao facto de eu me recusar a dar quantias exorbitantes (que exorbitam tanto mais, quanto mais tarde decidirmos) por festas que acabam por ser uma merda, porque estão cheias de gente, que pode ou não ser estúpida, não faz diferença para o caso, e aonde o bar aberto é tão aberto, que se não vamos já bêbados saímos sóbrios derivado a uma série de infortúnios.

Finalmente, o resto das pessoas chegou a esta conclusão e alguns de nós cederam gentilmente a casa, na qual se proporcionaram momentos de euforia tresloucada, abusivamente potenciada pelo (abundante!) álcool. No fundo, não passou de mais um motivo, como tantos outros, para se beber quantidades cavalares de álcool e por esta mesma razão o primeiro parágrafo já faz outra vez sentido, porque não se trata objectivamente da passagem de ano mas de uma festa eixcepcional onde por um acaso também se comemora a passagem para o ano seguinte. Ora, o facto de ter gostado de uma festa com estas características não implica que tenha que gostar da passagem de ano, logo não me contradisse logo não me podem acusar de o ter feito nem de ser pouco coerente! Assim, repito sem medo de parecer um grandessíssimo artolas, não sou nem nunca fui um grande adepto da New Year's Eve.
Tenho dito.

"iPod nemo"

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