Wednesday, November 30, 2005

Hobbit

“Deambulava pela montanha qual Verde pela velha Lisboa. Ora subia ora descia. Tudo me parecia o que eu tinha visto faziam 30 minutos. Cansado, esfalfado aliás, após o que me pareciam 3 dias e 3 noites sem comer arrastava.me pelas terras áridas da Montanha de Smaug, o dragão. Uma coisa é certa; não pararia. A cobiça move montanhas, apesar de quem se estar a mover (e muito diga.se!) ser eu. O tesouro q’O Terrível guardava era o mais rico de toda aquela zona e pertencia.nos. Eu, um Hobbit , metido numa aventura como esta com 12 anões, quando o meu lugar é no Shire, sentado à lareira do meu buraco.”

Isto não é um excerto do fabuloso ‘Hobbit’ de Tolkien mas podia ser (pelo conteúdo, óbvio!).
Para os menos informados, este é o prelúdio dos tão aclamados “Señor de los Anillos”. Tolkien relata mais uma aventura na Terra Média, um mundo totalmente criado por si, e aproveita para introduzir os livros de que acima falei.

Um livro que prima (não só) pelas tão detalhadas descrições. Descrições que são tão descritas que o leitor esquece o que está a ser descrito, acabando por ter que as reler. Quem leu Eça sabe ao que eu me refiro. Escrita genial do autor. É um livro repleto de aventura e bastante viciante. Não fosse a minha falta de tempo já o teria acabado com certeza. Quero portanto, recomendar vivamente este livro, mesmo aos que não são grandes fãs do género. Talvez seja esta uma oportunidade para passarem a ser.

3 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Sunday, November 27, 2005

Se calhar

Hoje dei um bocado do meu dia, ofereci-o. Voluntariamente, sem esperar receber nada em troca. Não foi nada de especial: entregar uns sacos em Loures para o banco alimentar contra a fome, 3 horas do meu dia.

No Sábado um homem desesperado pediu-me uns trocos para apanhar o comboio, dizia ele... Despachei-o e segui em frente, mas estava nostálgico. Voltei atrás e dei-lhe umas moedas soltas que não somavam mais de um euro e que provavelmente iria gastar em alguma coisa insignificante, ele sorriu, já não parecia tão desesperado. E eu senti-me bem, talvez por não ter sido tão insensivel como costumo ser nestas situações.

Nem hoje nem Sábado eu salvei o Mundo, mas sem pensar muito nisso ajudei alguém ( no caso do homem desesperado com ar de toxicodependente a dar as ultimas...bem, se calhar ajudei-o a morrer..mas a intenção foi boa e pelo menos acalmei-o, se ele tencionava suicidar-se aguentou-se mais uns minutos).

Há dias em que em vez de começar por julgar as pessoas as tento perceber. Em vez de atacar tento ser compreensivo. Tento por-me no lugar dos outros.

Há dias em que eu penso, como hoje e agora, que podemos ajudar os outros. Podemos. Está mais que ao nosso alcance, em pequenas coisas, mas a vida é feita de pequenas coisas.

Mas há dias em que eu acordo e em que se calhar não olho senão para o meu umbigo.

Se calhar é isso que nos falta num mundo em que temos quase tudo: olhar mais para os outros, fazê-los rir e sorrir, ajudar amigos ou desconhecidos, dar um bocado de nós, fazer por sermos melhores pessoas.

Se calhar é isto que nos falta.

6 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Friday, November 25, 2005

Publicidade Enganosa

Olhei-o sem parar cerca de 5 minutos enquanto outras pessoas falavam de si no seu lugar. O seu rosto não satisfazia a minha curiosidade, não era capaz de discernir que raio se passava dentro daquela cabeça esguia que parecia agora, ao contrário de antigamente, às portas grisalhas da desfolhagem outonal.
Insatisfeito, afinal não obtera qualquer informação relevante, vi-o soerguer-se da sua cadeira e então percebi: ele estava muitíssimo bem preparado para aquilo, ele parecia estar apenas a cumprir a sua rotina (e estava mesmo!), ele não tinha quaisquer dúvidas do que ali estava a fazer. Vi o que descrevo na forma pausada como organizava os objectos que estavam em cima da mesa, na passividade com que, ora olhando para nós ora olhando o chão e a mesa e a lapiseira que segurava, se erguia falando umas palavras que memorizara para situações ocasionais como aquela. Já com ele de pé notei que talvez não estivesse ainda completamente senhor da situação: estava de costas curvadas arrumando uma vez mais a lapiseira sobre o bloco de notas e o bloco de notas sobre a sua pasta. Mas então fitou-nos a nós à espera dele, que cumprisse aquilo a que se propunha e assim, de repente, o anfiteatro caiu nos seus braços. E quando ligou o projector de slides até as moscas deixaram de sugar o tutano às mãos e aos cabelos e aos braços da cadeira em que estavam pousadas para assim ouvi-lo falar as palavras que tinha a dizer. Não havia vacas comendo cortinados naquela sala, nem cortinados para serem comidos por vacas, nem leprosos a contorcerem-se na agonia da sua doença espalhados pelos degraus das escadas do auditório; mas mesmo que os houvesse a todos, e que tal até obedecesse à naturalidade da ordem das coisas, tal não faria então sentido, a sala estava verdadeiramente serena. Ele havia domado o meio-ambiente!

Foi assim que eu vi Francisco Louçã apoderar-se de um auditório apinhado não de pinhas mas de gente, no edifício da Reitoria da UNL na passada quarta-feira. Francisco Louçã é franzino e tem feições pouco distintas. Tem ombros magros e não ultrapassa os 180 centímetros de altura. Porém a sua presença é forte, porque quando fala fá-lo com o corpo inteiro: fá-lo com a cabeça, fá-lo com os braços, fá-lo com as costas e com o tronco que balançam ao ritmo dos braços, fá-lo com a voz e com a garganta que parece arrancar ao fundo dos pulmões as palavras que a boca dispara, fá-lo até com a roupa que veste que parece dançar sobre os ombros que quase ondulam ao ritmo das palavras que diz. Francisco Louçã tem o dom da lábia, não da palavra, já que esse a meu ver implica congruência de discurso. Francisco Louçã pratica uma retórica de hipnose: ele conquista os públicos a que discursa como ninguém. Para tal só precisa de ter garantidos uns detalhes: é preciso seguir uma ordem e um método de discurso em que cada palavra cada menção tem o seu timing correcto; é preciso vincar bem, seja com vozes guturais seja com as rugas da testa, as palavras que ficam na memória das pessoas; é reciso conquistar todos os sentidos do receptor, é preciso que ele oiça e que veja ao mesmo tempo o que lhe está a ser dito, que ele não se distraia com a própria razão, com o seu próprio discernimento, não pode haver preconceitos na sua audiência, e daí os slides que projectou e projecta sempre que fala para plateias; é preciso chegar à razão das pessoas pelas traseiras, passando por cima das imperfeições do caminho, pulando os obstáculos de congruência.

Francisco Louçã faz estes discursos com uma perna atrás das costas:
1.Primeiro apaixona a plateia com histórias peculiares e extremamente interessantes que a deixam intrigadíssima com questões completamente à margem da questão central em debate. Fala da Ilha da Páscoa, refere-se aos talibans como os Pashtuns, diz mil e uma curiosidades acerca do Médio Oriente, mostra interesse e mostra o seu prazer em conhecer. Mostra que é culto e está erguida uma coluna na estrutura do seu debate.
2.Depois, já com a plateia hipnotizada, fala de um ou outro caso que tenham mais a ver com o assunto a que a princípio se propunha. Mas estes casos são especialíssimos, são verdadeiros coelhos tirados da cartola, são uma verdade absolutamente fantasmagórica nunca antes revelada. Outra coluna.
3.Entretanto Francisco Louçã vai falando de "política de verdade", de democracia, de "pedagogia política", e vai tentando consolidar estes conceitos, todos eles bastante vagos, nas cabeças das pessoas. Mais uma coluna.
4.Também é essencial que Francisco Louçã assente bem o descalabro da situação portuguesa e que enfatize bem o facto de ninguém estar salvo e que, de quando em vez como por exemplo agora, é verdadeiramente necessário "agarrar" as nações antes que estas se afundem pois - repete - neste mundo ninguém está a salvo.
E pronto: a casa está quase pronta e os remates são dados com a veemência gestual com que tudo isto é dito: o discurso está feito!
Passou-se por cima de quase tudo! Falou-se um bocadinho de segurança social, um bocadinho de investimento público, um bocadinho de gestão do orçamento, como se estivessemos estado ali sentados a ouvir um crítico interessado da nossa sociedade. Mas Francisco Louçã é candidato a Presidente da República e o que ele pretende fazer ninguém sabe ao certo.

Francisco Louçã só serve para fazer denúncias.

"Paris é Uma Festa" - Ernest Hemingway

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Lavagem ao cerebro durante o sono

Sempre fui um defensor da arte e da cultura.
Lembro-me desde que me posso lembrar, de ser levado pelos meus pais ao teatro ou à ópera, de ser incentivado a ler e a ver filmes.

Pois este hábito cresceu em mim e a curiosidade natural de querer descobrir o mundo num só dia também apareceu. Quis ler mais, quis ir mais vezes ao cinema ou ver filmes em casa, quis ir a concertos, quis ir ao teatro, quis ver o mundo. E fiz tudo isso.

E quanto mais via, mais queria ver. Queria saber tudo o que pudesse antes que o tempo acabasse. Ouvia com admiração as pessoas mais experientes, porque também queria aprender com elas. E assim segui a minha vida acompanhado duma fome desgraçada de conhecimento e cultura.

Ontem acordei um bocado mais tarde da hora de me deitar, mas ainda antes da hora de acordar. Devia ser aquilo a que chamamos “a meio da noite”, se é que ela pode ter meio…. Hora estúpida para acordar, pensei, mas um despertar repentino fez-me levantar da cama. Lembro-me de me perder em corredores que não eram os meus e divagar em quartos que não me pertenciam. Onde estava eu afinal? Silêncio. O fumo alastra-se a uma altura a perder de vista, porque oo tecto também se perde de vista. E está escuro. Aquela escuridão pintada de focos de luz opacos que nascem do tecto (mas o tecto não tem fim!). Senti-me deslocado, procurei naquelas paredes um tacto familiar que me fizesse reconhecer um quarto conhecido. Nada, estava ali sozinho! Acordei numa ilha, sem me lembrar de sentir o cheiro do mar.

De repente um barulho! Movimento! Luzes e cheiros. Uma corrida desenfreada! Um tiro! A acção não para. Encontro-me agora rodeado de personagens nunca antes vistas. Eles são os deuses deste mundo em que fui posto. Aqui, eles reinam e deixam-me assistir à sua loucura, às suas danças, aos seus barulhos, aos seus exaltamentos. Aqui os vejo caminharem sobre a água, darem cambalhotas em paredes flutuantes de papel de prata, furarem muros e murros, correrem e serem corridos.
A sua loucura apodera-se de mim, que quero agora ser um deles e com eles dançar e com eles grunhir barulhos que nada signifiquem. Sinto o peso insopurtável duma sociedade demasiado agarrada a convenções e invejo a sua liberdade, uma que eu nunca poderei alcançar.

Agora acordei, cansado, deslavado.
Já não quero cultura às colheradas.
Não quero saber nomes de realizadores de cinema.
Não quero saber o nome das sinfonias, nem o número dos seus andamentos, nem quem as compôs.
Não quero saber quem escreveu os livros que leio, nem tão pouco conhecer os nossos presidentes.
Agora quero ser livre.
Quero ouvir uma música e gostar sem ter que inseri-la numa corrente artística.
Quero ler um livro e gostar sem ter de interpretar o significado poético da angústia do autor relacionada com a sua obra.
Quero ver um filme e gostar sem ter de perceber a importância das características adjacentes à época em que foi filmado.
Quero poder desprender-me do peso do conhecimento.
Quero poder lembrar-me só das experiências que são em si um livro, um filme, uma música, uma peça, uma ópera…
Já não quero ouvir os intelectuais liberais falarem de como sabem o nome de todos os filmes e quem os fez e quem os representou e quem compôs a banda sonora, explicando de que maneira foi vivido na época e que peso tem agora na nossa sociedade na maneira como se reflete no trabalho de novos artistas.

Quero que tudo isto acabe, com a consciência de que não vai acabar.
Quero voltar para aquela ilha para ali ser louco como eles.
Quero pisar o mar e deslizar em paredes fltuantes de papel de prata.

Vou dormir com a esperança de acordar “a meio da noite”.

"Criados no silêncio, no resguardo, na calma,
Lançam-nos então ao mundo, de repente;
Banham-nos cem mil vagas,
Tudo nos interessa, muito nos agrada,
Muito nos desgosta, e de hora a hora,
Oscila a alma em leve agitação;
Sentimos, e o que tenhamos sentido,
É levado pela corrente
Do colorido turbilhão do mundo."
Goethe

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Tuesday, November 22, 2005

Brutus - the story never told

A verdade é que a história de Brutus não foi revelada na íntegra. Por razões de civismo e compaixão, os membros deste blog tinham decidido encerrar o assunto sem revelar o capítulo final desta história.
Mas agora chegou o momento.
Brutus, se bem se lembram, era o segurança “pau-mandado” duma discoteca conhecida da zona de Cascais... Pois bem, e foi numa dessas noites de "pau-feito" que Brutus conheceu a mulher da sua vida: ela era simpática, inteligente, calma, na verdade era tudo o que Brutus não era... Brutus acabou por se casar, mas ao invés de se acalmar e ser feliz a sua violência acabou por renascer, manifestando-a através da educação que dava ao filho.
Preocupado em que o filho não fosse um “Macho” a sério, Brutus cedo procurou que seu filho tivesse uma educação primorosa, com frases ordinárias que realçassem o poder dos seus 8cm... Frases como “sou feito de pau” e “és uma puta tesuda” passaram então a fazer parte do vocabulário diário de seu filho. O rebento, no entanto, e certamente devido ao pai que tinha, não se sentia feliz. Procurava algo mais...não não era só com frases javardonas que ele ia conseguir engatar miúdas... E que tal ter a mania que é de esquerda? Isso sim, talvez resultasse! Melhor, parecer que não herdou os genes do pai tentado ser inteligente e criando um blog na net? Não...isso era demais já, dava muito trabalho... E se só comentasse blogs usando ao mesmo tempo a educação reles que tinha tido e a tentativa de neo-esquerdismo? Sim! Sim! Isso não podia falhar!! Agora sim, ele teria miúdas! Agora sim, ele podia abandonar o cão!

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Inacreditável

Alguém percebe o treinador do Benfica?
O que é que este palerma tinha na cabeça quando põem em campo oito jogadores de caracteristicas defensivas? Jogadores que habitualmente servem para anular o jogo do adversário! Um guarda-redes, oito jogadores "destruidores" de jogo e dois finalizadores!
E construir? Quem é que sobra para construir o jogo?
Como se não bastasse faz alinhar dois centras nas alas e desperdiça dois laterais a desempenhar a função de extremos. Quem é bom a defender e a subir, a atacar de trás para a frente, é utilizado a atacar, o que até podia resultar, mas para além disto têm a acompanhá-lo nas subidas pela ala centrais e não jogadores com as mesmas caracteristicas que eles.
Foi vergonhoso o que se passou hoje em Paris.
O benfica perdeu o jogo, e não é a primeira vez, no banco, com a culpa do treinador.
Com o empate entre Vilarreal e Manchester podiamos ter a vida muito mais facilitada mas agora somos obrigados a um Manchester que também tem de ganhar.
É triste se formos eliminados da Champions assim : primeiro em jogos em que o benfica jogou bem e podia ter feito mais pontos e depois com uma tristeza destas.
Ainda se o Mantorras tivesse metido a ultima...Mas não, nem sorte mereciamos, pelos vistos.

"Eu saltei" - Luisão

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TGV : Eis uma obra que vale a pena

Não só vale a pena como é essencial.
Quem já se passeou pela Europa de comboio, como alguns de nós, sabe do que estou a falar.
Estou a falar de fazer Lisboa-Madrid em 2 horas e meia. Estou a falar de encurtar distâncias. Estou a falar de nos aproximarmos ao resto da Europa. Estou a falar de passarmos para lá do sol posto.
É que enquanto outros paises Europeus estão próximos, por razões geográficas, e ainda se aproximam mais pelas infra-estruturas , por cá nós estamos no cantinho da Europa e só para sair de Portugal demora-se, actualmente, cerca de seis horas !!!!! Seis horas é muita fruta meus amigos se pensarmos que de Amsterdão a Paris são menos de 2 horas...Se tivermos em conta que muito rapidamente nos deslocamos entre França, Holanda, Alemanha, Itália, Áustria, etc. Quem vive em Berlim pode ir passar um fim de semana a Londres com a mesma facilidade com a qual nós saimos de Portugal (quase...). Se sempre estivémos comparativamente longe, hoje ainda estamos mais, porque somos dos poucos paises sem TGV.
Esta obra dá-nos o poder de, não saindo do nosso Portugal, ficarmos mais perto de tudo. E isto é importantissimo, especialmente para um pais que vive muito do turismo, como nós.
Que se lixe a OTA! O que nós precisamos, nesta area, é claramente do TGV.
A questão agora é se a podemos fazer. É preciso averiguar se com mais esta loucura (são gastos enormes, é um facto inegável) conseguimos continuar com a nossa tanguinha ou se ficamos nus de vez.
A questão que se põem é o timing, mas as prioridades têm de estar definidas. TGV devia ter surgido antes do Euro 2004, antes da Expo 98. Mas não sei se na altura era possivel, essa não é, de momento, a questão que se põem até porque não podemos voltar atrás. TGV é, vão por mim, uma prioridade em matéria de obras publicas.
Quando os especialistas acharem que podem pedir aos portugueses que se sacrifiquem, por favor, que seja esta a causa e não um aeroporto que nada de novo nos vai trazer.
Desta vez não são estádios de futebol que vão estar cheios durante um Verão para depois terem as bancadas "vazias" para sempre. Desta vez não se trata de um capricho. Desta vez não está em causa um evento que nós decidimos que queremos ser nós a organizar, mesmo sem termos capacidade para isso, desta vez está em causa algo que pode trazer grandes benificios para o pais e que para além disso acaba por ser, a meu ver, um complemento necessário ao processo de integração de Portugal na Europa.

"Deixa-o o lá vai haver a paisagem" - Sr. Hendaye ( tempo é o que não falta para ver a paisagem no sud-express, comboio que nos faz sair de Portugal)

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Monday, November 21, 2005

As músicas "entretem-crianças" são escritas no pressuposto de que elas são burrinhas!

Passei por uma paragem de eléctrico num destes dias e ouvi a seguinte melodia:

"Eu fui ao trolaró beber água não achei,
Achei uma menina eu no trolaró achei,
Aguentem minha gente q'uma hora não é nada,
Quem não cantar agora cantará de madrugada..."

Quase vomitei a dor que esta música me infligiu em tantas viagens de sofrimento (nos campos de férias eram duas ou mais por dia, durante 15 dias!) que fiz com os meus coleguinhas de primária!
Sempre odiei esta música, por duas razões: sou bastante tímido e cantar sozinho numa camioneta cheia de macacos com a minha idade nunca me seduziu muito (ainda hoje não me seduz) (acho que prefiro até cagar no sapato a cantar sozinho numa camioneta com 50 pessoas); a outra razão é que mesmo em criança esta música não me fazia sentido nenhum, isto é, mesmo em criança a lenga-lenga melodiosa era incapaz de me distrair da falta de sentido da letra desta música.

Ora bem. Segundo esta maravilha musical eu fui ao Trolaró para beber água mas não achei.
Até aqui tudo bem, mesmo apesar de ser aborrecido ir ao Trolaró, que fica para lá do sol posto, e vir de lá de mãos a abanar. No entanto, há uma compensação muitíssimo apropriada a crianças de 7 ou 8 anos cheias de sede insatisfeita: um engate! - Porreiro, não havia água mas encontrei uma miúda! Menos mal! Já ganhei o dia mesmo que morra desidratado! - Ficam apenas a perder as rapariguinhas que foram ao Trolaró e nem um engate conseguem, ficam-se por mais uma amiguinha para brincar. Mas talvez também estas se sintam assim recompensadas.
Neste ponto da canção dá-se uma verdadeira reviravolta!
"Aguentem minha gente que uma hora não é nada"
A princípio ainda pensei que isto queria dizer que nem é assim tão entediante levar uma hora para chegar ao Trolaró, porque a compensação até é satisfatória. Não se perde muito...
Mas não! Porque "quem não cantar agora cantará de madrugada"! E confesso que aqui ficava sempre baralhado: então mas afinal isto é acerca do quê? De ir ao Trolaró beber água e acabar no engate ou de cantar uma música despropositada e sem interesse nenhum, com duas frases introdutórias pretenciosamente aligeirantes da chacina social a que mais tarde se presta? Porque para mim era um verdadeiro golpe no meu desempenho social de então, cantar esta música sozinho dentro de uma camioneta!

Estamos pois perante uma tramóia, concluia eu:
Primeiro entramos na camioneta e depois perguntam-nos se queremos cantar uma música - é aqui que começa o fingimento. Todos respondemos que sim porque cantar uma música numa camioneta com os amigos até pode ser giro, menos para os rapazes, talvez. Sendo estes os mais renitentes a entrar nesta brincadeira, os senhores crescidos que propuseram cantar na camioneta decidem-se por uma melodia que atraia, de certa forma, ambos os sexos: como as raparigas gostam de cantar seja o que for, por natureza, a letra da música deveria de algum modo seduzir os pequenotes em busca da sua masculinidade. Já está! Os rapazes e as rapariguinhas querem agora cantar, "vamos a isto", dizem os crescidos - continua o fingimento, as crianças continuam a não saber da cabala que se vai tornando mais adulta por detrás de tudo isto!
Começam a cantar: uma frase... duas frases... tudo vai bem, aHA!!! Foste apanhado, vais cantar até morrer e algumas partes vais cantar sozinho meu puto de merda! Achavas que isto era sobre miúdas hein?! Sim, sim 'tás bem arranjado vais cantar até de MADRUGADA.

Por tudo isto, viajei grande parte das vezes em que saí da escola com os meus coleguinhas de primária, no vagão das bagagens.

"Mais vale uma hora de estudo na mão do que duas a brincar" - Feliciano José

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Sunday, November 20, 2005

Só se forem as "mais" pretenciosas...

Ontem ao cair da noite toca o meu telémóvel. Não, não era o senhor da pastelaria a dizer que o bolo tinha chegado, nem a mais linda a dizer que afinal era a mais feia.
Era da policia. A minha mãe tinha sido presa.
Mentira.
Alguém foi entregar a minha carteira à esquadra! Foi provavelmente o melhor momento de toda uma vida. Tinha felicidade para dar e vender. Já não precisava de ir segunda feira às nove da manhã para a loja do cidadão para ficar lá todo o dia a tratar de papeladas. Ainda por cima a loja do cidadão é aquele sitio onde nunca foi vista uma gaja boa. é so camafeus. Reparem que a "mais linda" lá faz sucesso.
Nisto fui à esquadra... Surpresa das surpresas: O senhor que encontrou a carteira não usou o dinheiro para comprar um bolo, muito pelo contrário, a carteira vinha dez euros mais pesada. Mentira.
Vinha sem dinheiro. Mas isso até era o menos importante.
O sr agente que me entregou a carteira era o Sr. Leopoldo Nunes e conhecia a minha cara de algum lado, e eu a dele, de algum lado. Fora aquele senhor que em tempos me foi "proteger" de Brutus, quando este me esmurrou. Mandei-o à merda porque é um imcompetente e está feito com o Brutus. Dei-lhe um murro e vim-me embora.

Nota positiva para o cidadão, que não faço ideia quem seja, saiu de sua casa num Sábado chuvoso para ir entregar a carteira à esquadra. Mais: pelo que me foi dito trouxe-a no comboio até Cascais, vindo de Lisboa e ainda estava preocupado em deixá-la ali, em Cascais, porque eu morava em Oeiras. Foi um senhor. Se o visse agradecia-lhe de joelhos e depois pedia os 15 euros de volta.

"Sr Miguel...Primeiro confusões no Coconuts, agora perde a carteira à noite..Veja lá oque anda a fazer à sua vida" Guarda Leopoldo

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'Parabéns'

Foi precisamente há 60 anos que começaram as audiências do julgamento de Nuremberga. À excepção dos que se suicidaram (Hitler, Himmler e Goebbles), estavam presentes todos os que tinham potenciado de uma forma mais expressiva e fanática o genocídio judeu. Ao contrário da Inglaterra que queria um julgamento à porta fechada ou da Rússia que queria outro "genocídio", agora dos nazis, os EUA queriam um julgamento público. Todos sabemos o que aconteceu. Várias prisões e sobretudo penas de morte!

Não sei se, se eu fosse o Roosevelt naquela altura não tinha feito uma parceria com a Rússia e exterminado os nazis todos sem processo nem nada. A revolta que devia andar na cabeça deste menino é uma coisa que ultrapassa a nossa imaginação. Por muitos filmes ou fotografias que se vejam ou livros que se leiam, este é um episódio da História que marca cada vez que é mencionado. Depois de toda a guerra, que só de si já é o que é, vem o julgamento no qual se sabem pormenorizadamente todas as outras coisas que aqueles gajos andavam a fazer, sendo a morte com um tiro definitivamente o "melhor" caminho.
Este julgamento foi o pioneiro dos públicos. A partir de então todas as pessoas e estados estão sujeitos à lei internacional. Para quem estiver interessado está mais pormenorizado num artigo em www.publico.clix.pt. Não escrevo, porque estaria a copiar e longe vão os tempos das cópias.

"The world is full of complaints, but the fact is that nothing comes with guarantee" - um velho qualquer da Oxigénio

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Saturday, November 19, 2005

Quando as "mais" nem "mais ou menos" são

Ontem perdi a carteira.
Não interessa como nem porquê, até porque se eu soubesse dar respostas exactas a essas perguntas nem a teria perdido.
Alguém a vai encontrar, vai pegar nos 15 euros que lá estão e vai encomendar bolos. Se calhar depois até acaba por narrar num blog esse acontecimento épico. Depois do bolo comido talvez se perca num caixote de lixo, a minha carteira secular e todos os documentos que guardava.
Nem consigo ter a certeza do que é mais chato, se perder as chaves de casa e pagar a substituição da fechadura bla bla bla, ou se perder a carteira. Segundas vias, filas e mais filas.
E nem é so a chatice de gastar muito tempo a remediar uma coisa que podia ter sido facilmente evitada se eu tivesse previsto que iria acontecer. É viver alguns dias sem o cartão da biblioteca, sem o cartão do benfica, sem o cartão da sala de jogos. É chato.
E depois hesito... E, se no dia em que eu me decidir a cometer a loucura de avançar com o processo de substituição me telefonam da esquadra e me dizem que a minha mãe foi presa?
Pior, se me dizem que encontraram a minha carteira, com todos os documentos lá dentro e ainda com um pedaço de bolo. Nesse caso estive eu a perder tempo para nada.

A questão que se me prende agora é até quando esperar. Por mim, para sempre.

"taxis bunoite"

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Friday, November 18, 2005

Ensaio sobre o fim

Naquele tempo já todos o sabiam: o homem tinha ido longe demais, tinha pisado terrenos que não eram os dele, terrenos que agora se sabia que não deviam jamais ter sido pisados.
Alguns anos antes o homem tinha começado a interpretar um papel que não era o dele, com boas intenções é certo, e a pouco e pouco foi conseguindo desbravar caminho e chegar mais e mais à frente na estrada do conhecimento.
O que sempre tinha interessado era ir em frente. Conseguir ir em frente era suficiente para o fazer. Nunca antes se tinha posto a hipótese de parar, muito embora se conseguisse ir em frente, nunca antes se haviam os homens perguntado até onde deviam ir, quando deviam parar.

Nesse tempo os homens conseguiam viver, em média, até aos 150 anos, eu sei que parece dificil acreditar nisto, agora tantos anos antes de isto acontecer. Mas conseguiam.
Foi esta longevidade que gerou uma enorme crise na humanidade. Os homens não sabiam o que fazer com uma vida tão grande. Se tivermos em conta que a vida sexual dos mesmos começava aos 14 anos e que acabava aos 60, podemos ter noção da infelicidade desta gente. Os homens passavam quase 100 anos de vida sem erguer o mastro, sem conseguir por em pratica todos aqueles desejos mundanos e devassos. Mas não era só isto. A vida em si já não fazia sentido. Era grande demais. A morte parecia tão distante que já não dava o sentido que sempre dera à vida, de a aproveitar ao máximo, porque era curta e unica. Os recursos escassiavam a cada ano que passava tal era a densidade populacional da Terra. A qualidade de vida já não era a mesma. Eram, muitas vezes, 150 anos de merda. Mas quem iria adivinhar...
A culpa tinha sido dos seus antepassados, que se armaram em mãe natureza. Na altura não perceberam que salvar vidas era diferente de prolongar a vida. Não perceberam que estavam a esticar demasiado o elástico nem que ele poderia um dia partir.
A clonagem de orgãos e outros progressos cientificos deram à medicina o poder de dar vida, qual Deus da vida. Foi aqui que os homens foram longe demais. Não mediram as consequências .Não perceberam que já não salvavam vidas, já não era isso que faziam, contrariavam a lei da vida, a lei da morte. Não houve ninguém que pensasse em parar, apesar de haver meios para ir em frente.
E assim quando se precisava de um coração se arranjava um coração, ou um pulmão, ou um figado. E assim se perderam os homens na vida, tudo por não a aceitarem como ela é: uma corrida contra o tempo que não deve ser vencida.
A vida como nós a conhecemos tinha acabado.
Agora, a vida era uma merda.

"the good die young"
(foi um regresso mau e chato. Não sou um activista. Mas gostava de levantar a questão: Se for possivel clonar, será que se deve, só porque se consegue?)

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A efemeridade das palavras soltas

Hoje vou ao teatro!
Ena pedro que programa tão... tão sim senhor!! - Dizem vocês.
Mas não é caso para isso. Hoje vou ao teatro ver não-teatro. Vou ver um senhor chamado Pedro Tochas que, ao que parece, está incumbido de fazer uma plateia de casa cheia rir às gargalhadas durante 90 minutos de espetáculo. Eu até tiro o chapéu a malta como o Pedro porque não deve ser fácil passar dias e dias a arranjar piadas com piada, porque há piadas que sendo piadas não têm piada (tem piada que uma piada por não ter piada não perca a sua classificação de 'piada'), mas sinceramente tenho pena que o teatro só sirva para 'peças' destas ou afins e que, em caso de servir o teatro propriamente dito, não tenha sequer dinheiro para manter as saboneteiras das WC cheias. Eu não sou frequentador do teatro mas também nada mo faz frequentar. A questão é que cada vez que vou ao teatro gosto, e gosto mesmo muito, bastante até. Tenho pena que o teatro em Portugal, e talvez como em muitos outros sítios, não tenha um 'cheto' que permita aos seus administradores pensar mais em qualidade que em público e que seja tão considerado como um intelectualismo dos vinte/trinta anos ou como um programa de terceira idade.
Eu hoje vou ao teatro mas não vou ver teatro e até vou gostar, estou certo disso, mas gostava de ir lá mais vezes para ver outras coisas. Só não tenho dinheiro (ou tendo prefiro gastá-lo noutras coisas) nem companhia nem paciência para ir sozinho.

"fui!" - ... ... ... ... ... ... ... ...

4 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Tempo de Mudar

Não tenho por hábito, comentar neste nosso blog, o comportamento de quem escreve, ou especular sobre guerras de palavras entre os meus amigos e alguns comentadores que por aqui aparecem, pois parece-me a mim, que há muitos outros assuntos bastante mais interessantes sobre os quais escrever.

Mas não vou desmentir que me entristeci quando ontem, ao visitar o nosso blog ao fim de 2 ou 3 dias, verifiquei que o reflexo da violencia mental e corrupção humana se havia instalado nesta mesma casa que eu tanto respeito.

O comportamento animal das pessoas, tão bem ilustrado na nossa sociedade, e a dita “chico-espertice portuguesa” tão bem criticada por Eduardo Prado Coelho num artigo recente no Público, ao que parece, são agora o tema de conversa duma casa que outroura se preocupava com o que se passava no mundo. O Mundano que eu conheceia, o Mundano que eu lia, tratava de temas tão abrangentes como o governo do Turcomenistão, histórias da vida de Sandrinha, dramas da carreira de Michael Jackson, gritos de piratas desdentados. O Mundano revia a política, o cinema, a sociedade, a música e todas as outras artes. O Mundano contava histórias de ninguém em particular, mas toda a gente em geral. O Mundano era a leitura agradável do fim do dia, para quem o acompanhava. O Mundano pautava a actualidade de maneira informal, através dum escrita fluida e era, pelo menos para mim, um ponto de encontro com as opiniões de pessoas bem informadas.

O que eu vi aqui ontem não foi nada disso.
As agressões verbais, os posts sobre o “diz-que-disse” com dezenas de comentários à mistura, sem qualquer ponto de interesse, com o único intuito de ofender quem escreve...
Já não basta termos de viver todos os dias com a selvajaria que é a mentalidade portuguesa?
Ter de ver gente a cuspir e a atirar lixo para o chão?
Ter de ver gente, na minha faculdade por exemplo, a roubar material que não lhe pertence?
Ter de ver gente a gabar-se que não paga impostos?
Ter de ver gente a não passar facturas para meter mais uns trocos ao bolso?
Ter de ver Lisboa, que é nossa, porca, suja, vandalizada porque as pessoas não se sabem comportar?

As saudades que eu tenho de passear em cidades como Berlim ou Viena, onde os donos das lojas expõem os produtos cá fora sem medo que os roubem, onde as pessoas pagam os transportes sem que ninguém as controle, em que as pessoas respeitam os sinais de trânsito, em que as pessoas são pessoas e se valorizam como tal.

Não quero com este meu post ofender os donos desta casa. Sabem os meus amigos, que por eles nutro um imenso respeito e admiração. Quero apelar aos notáveis desta casa para que voltemos à escrita Mundana. Para que, quais jogadores da bola, sejam eles mesmos, porque o valor daquilo ques escrevem é evidente e não tem de ser por mim elogiado.

Brincadeiras pontuais, como as de Mia, ou comentários espontâneos como os de Paulo, não ofendem ninguém e até divertem, mas não nos percamos... não vamos fazer disto uma novela que se arraste indefinidamente. Os últimos 10 posts que aqui vi, não passam de especulações que muito se afastam da qualidade da escrita anterior.

Quero pedir aos meus amigos que voltem a escrever e quero pedir ao “Patrão” que não se afaste, pois a sua contribuição é vital para o Mundano que é seu filho.

Espero que nos próximos dias, o Mundano volte a ser a referência de crítica, humor e “cotidiano” descoberta pelo nosso amigo PCH e que por amor de Deus mandem o deficiente mental do ruca para a pata que o pôs. A liberdade de expressão quer-se mas quando é demais, é demais!

Assim me despeço, com a forte convicção que responderão ao meu apelo.

“Se queremos que tudo continue como está, é preciso mudar tudo” – Don Fabrizio, ilustríssima personagem de Giuseppe Tomasi di Lampedusa em “Il Gattopardo”

2 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Wednesday, November 16, 2005

Piu..Hickup! Piu

Era um pequeno passarinho que vivia nas portas amarelas. Era feliz e não tinha problemas. A minha vida era bastante animada dentro do meu mundo cujas fronteiras eram grades. Comia, bebia, esvoaçava cerca de 15 cm, enfim.. paródia o dia inteiro. Infeliz o dia em que me foram dados a conhecer novos mundos, novas pessoas. Comecei a ter problemas em dormir pois faziam barulho com os seus jogos de pecado. O bairro tornou.se como uma feira a qualquer hora. Tornou.se no bairro do delito. Decidi começar a beber, para não me sentir deslocado do sítio onde vivia mas bastou.me um copito e sucumbi. Não resisti à tentação da busca de uma cura, mas também não resisti à própria cura.
Estupidamente, só a escassos momentos de morrer é que me lembrei que sou um pássaro e os pássaros não podem beber!

"Sou feito de pau" - um comentário desnecessário

7 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Monday, November 14, 2005

Comunicado

Venho comunicar por este meio, e para este meio, que vou entrar em férias deste blog.
Não sei quando volto.
Estou farto da Mia.
Estou farto de ter o e-mail cheio por causa da sala de chat em que se tornou a caixa de comentários. Estou sem ideias para o blog, nem para escrever. Quando penso na mia quase que vomito.
Até breve.
Só volto quando o desenho do Pedro já estiver no histórico.
"tudo o que é demais cansa"

18 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

music the great communicator

A propósito (ou não...) quem é que trata da música do Blog? Que tal Zero Seven? Parece-me apropriado...

4 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

musas

Este Blog vive claramente uma crise de identidade. Melhor que identidade, vive uma cirse de musas. Confesso que nunca acreditei na existência de uma verdadeira Mia, sempre achei estranhíssimo o facto dela saber quem nós somos todos e de estra na mesma faculdade que nós a tirar exactamente as mesmas cadeiras. Foi aqui, Pedro, que a tua farsa falhou. Aqui e quando fizeste um desenho para ela (sim, eu sei que és rebarbado e podias ter pensado que ela era uma porca, mas um desenho seria sempre demais...).
Onde está, essa sim, a musa verdadeira? Onde está Lara Geraldes, que comentava os nossos blogs assiduamente mas não com o vício da famigerada "Mia", claramente um heterónimo psicopata do Pedro?
Lara, se ainda vives e se não estás ofendida por te termos trocado por uma personagem que vive com abelhas, manifesta-te. Estamos todos pouco inspirados. Basta ver os post idiotas do Costa sobre mim e o Torres ( a propósito, eu na fotografia, sou o de barba, o Torres é aquele idiota podre de bêbado e com a boca aberta).

"Merda, o Citador não diz nada sobre isto"

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Sunday, November 13, 2005

Estúpidos.

Há muito que comentar e analisar sobre os recentes acontecimentos em França, e também muito a ponderar. Numa sincronização de mera coincidência, eu há umas semanas, depois da violência na capital francesa ter surgido mas ainda antes de eu tomar conhecimento de tal, vi o filme Colisão. Um filme que retrata, e muito perspicazmente, a meu ver, as tensões multi-raciais e multi-culturais presentes na sociedade altamente internacional que é os EUA. No entanto, o filme não oferece nenhuma solução; eventualmente sugere que a tolerância é o caminho a seguir, mas olha que novidade!
É claro que os franceses têm razão para estar preocupados, e não apenas pela violência que se tem materializado – é que estão a ser sabotados por dentro. França é dos franceses e para os franceses! Claro que os países exportadores de pessoas não têm as mesmas condições e não oferecem as mesmas possibilidades, é lógico. Mas se os exportados se refugiam em França, eles é que têm de se acostumar à vida francesa uma vez que eles optaram por se mudar para lá. É arrogante assumir o país que os adotou vai mudar para eles. (Não estou aqui a pôr em causa a dificuldade da vida dos imigrantes, que fazem, e bem, o que podem para melhorar as suas vidas.) Agora... o problema está em identificar o que é francês e o que não é; qual a identidade francesa? Não pensem que os ponderadores actuais favorecem os gauleses originais e amigos do asterix. É que os antigos imigrantes já são eles próprios franceses, e têm os mesmos direitos que os originais – o que gera ressentimento por parte destes relativamente à questão da identidade. Por um lado é natural que haja movimento populacional e evolução cultural, mas isso nunca aconteceu ao nível que estamos a presenciar; e por um outro lado há que perceber que se está a diluir uma forte identidade cultural... a este nível já não se pode considerar um enriquecimento!
O que eu acho que complica ainda mais a situação é França precisar da mão-de-obra imigrante; é verdade que existe desemprego, mas não será um choque para ninguém que os imigrantes tendem a empregar-se em trabalho de mão-de-obra mais intensiva e mal remunerada. Isto, no entanto, faz com que os imigrantes não ascendam tão alto na vida como os franceses, e o resultado é a continuação na pobreza e uma geração em crescimento que salta facilmente para a criminalidade – uma dupla marginalização adicional. É precisamente esta geração que vemos agora como o centro das atenções.
Parece me tudo uma questão de vantagens comparativas; em França há pobreza, mas não tanta como nos países exportadores de pessoas (ou pobreza) e logo apesar de um desemprego e de uma pobreza crescente em França – especialmente entre a segunda geração imigrante – esta é relativamente baixa, e portanto o pessoal continua a chegar...
Agora, acho que a violência só piora a situação dos imigrantes; claramente querem ficar e mudar as suas condições de vida. Mas será que não percebem que isto só aumenta a xenofobia, e incendia ainda mais as tensões culturais já existentes? Se antes, quando não protestavam ou protestavam pacificamente os imigrantes eram discriminados, é agora que eles destróem propriedade alheia e fazem a restante população entrar em pânico que vão ser respeitados?! É um sinal de falta de racionalidade. É um sinal de inadaptação. É um sinal de desespero. Seja o que for, foi estúpido.
E tal como o filme, sou incapaz de oferecer uma resolução...

"Can´t live with them... can´t live without them..."

23 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

O que é que o gato faz?

Foi num dia, até então alegre e solarengo, que Mia, a ainda criança de espírito, estava nos mesmos baloiços com o mesmo portátil a ouvir a mesma música que tinha sido a banda sonora da sua vida até então.. A banda sonora do filme 'A vida de Kafka' (sim, Mia tinha um gosto musical bastante sofisticado para tão tenra idade!) .
Foi por volta da hora mediana que Mia se lembrou de ir ver os seus mails... Nada, como habitual. Nem mesmo junk mail. Devia estar estragado. Depois lembrou.se de ir ver como estava o blog que ela tanto amava, e do qual não se conseguia soltar, e ver quais as reacções ao seu primeiro contacto por escrito com o blog. Estranhamente, o dia que até então radiava de sol tornou.se cinzento e pesado como uma bigorna, e pingava uma chuva-molha-parvos. Mia estava seca como um deserto. Ao som dum clique Mia ia perdendo os sentidos. Nao conseguia acreditar o que aqueles dois berlindes azuis viam. Pela primeira vez soubera o que era a dúvida. Dúvida que, numa vida tão cheia de nada mas ao mesmo tempo tão cheia de tudo, passada naquele eterno jardim com as belas abelhas e com o baloiço, não fazia sentido pois Mia não tinha dúvidas do que se passava ali. Era o blog, o baloiço, as flores, as abelhas e de vez em quando a camioneta do lixo. Pela primeira vez alguém duvidara da sua existência e agora sim, ela começou a ficar ensopada pela chuva. Mia sentia.se uma parva pois também ela começou a duvidar da sua existência. Não era possivel que ela não fosse real. Não. Estava ciente de que tudo ali era a sua realidade (pelo menos a que mais gostava!) e de que disso não ia abdicar.
Mais uma vez, e desta mesmo chateada, decidiu escrever para o seu amor (que tanto a desiludira!). Alguém ia pagar por esta difamação. Olhou e o primeiro nome que viu foi g. Tinha encontrado a sua vítima. Mia escreveu sem parar, pensando palavra por palavra durante 15 horas, altura em que já se tinha convencido que g era, de facto, o culpado de todas as suas lágrimas de raiva, de tristeza, de ódio para com o seu amor. Estava determinada a acabar com a vida desta "criatura tão pacífica", como ele se descrevia a si próprio.
O que Mia ignorava é que tanto g como todos os outros bloggers estavam sob o controlo de Miguel Costa, o 'Patrão' como ele os fazia chamar, que os obrigava a inventar novos comentadores para o fluxo do blog. Miguel Cruel, era o nome que nós lhe dávamos quando não estava por perto, denunciava depois os seus escravos para se livrar de qualquer culpa que, por ordem natural das coisas, iria concerteza acabar por cair sobre ele.
Mais um comentador. Paulo de seu nome. Mais uma invenção. Mia não comenta pois Paulo refere alguns dos seus desejos sexuais. Mia desconhece que um comentário deste cariz só pode provir de fino. Culpa g mais uma vez que, por sua vez, não sabe o que fazer. Já tentou tudo para a fazer desistir de tão ingénua ideia.
Mia não cede. Desliga o Pc e vai reflectir sobre o que fez. O dia tornou.se infindável e negro como o carvão. Mia só quer que acabe. Só quer voltar aos baloiços e aos dias solarengos com as abelhas, às flores e à camioneta do lixo que, de quando em vez faz uma visita, ao jardim de que tanto gostava. Mal sabe ela o que acabou de começar...

"Não pá. Quem ladra é o cão." - Não deixou registo.

3 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Mia não vem de Maria mas de cotovia com um M antes.


Mia era uma menina muito bonita de olhos azuis e cabelos castanhos às madeixas amarelas. Mia gostava de brincar ao Sol no jardim de casa de sua avó que tinha flores cheias de bonitas abelhas e um baloiço bem no centro do relvado fofo e fresco.
Mia foi feliz assim durante muito tempo, mesmo no dia em que resolveu ir dar uma vista de olhos ao ordinário, depois do vai-vem quotidiano no baloiço colorido, ao chegar da faculdade, para ver o Mundano.
Porém, aquilo que então fora uma quebra de rotina tornou-se um hábito e Mia era agora Mundano-addicted. Não aguentava viver um dia sem trinta leituras integrais do blogue. Era incapaz de andar de baloiço sem o portátil ao colo, e ficava com comichão dentro do ouvido e no cucuruto da cabeça se não comentasse ao menos uma vez por post.
Mia chumbou a Micro I, II, III, IIII, digo, IV e todas as demais e hoje vive no carregado, dentro de uma embalagem de um LCD de 974 polegadas, à beira de um riacho também cheio de abelhas, mas das porcas.
Muito se tem dito sobre o caso-Mia e sobre o atentado à saúde mental que Mundano perpetrou na sua vida. Porém Mia nunca nos acusou de nada, esteve sempre connosco e jamais passou um dia sem que Mia sorrisse no seu jeito cúmplice e amigo ao passear seus olhos pelas páginas às bolinhas cheias de letras.
Mia era feliz assim, Mundano era tudo para ela.

"Mais vale estudar bastante e ser-se muito aplicado e aproveitar cada hora do dia, do que não estudar nada e passar o dia a ler blogues e a dar de comer aos pombos, para depois ter-se má nota em testes intermédios de microeconomia!" - Feliciano josé

14 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Saturday, November 12, 2005

É uma questão de francesismos

Para relembrar os 'golden years' deste nosso blog e, porque atravessamos uma fase menos boa - vá lá.. má! - de inspiração (leia.se este post!), fui rever uns dos magníficos posts que nós outrora escreve(ra)mos. E, apesar da qualidade indubitável da maioria, houve um e, uma parte em particular que já transcreverei mais à frente, que me tocou de uma maneira muito especial. Falo dum post em cujo título se lê "Lirismo Mundano" e do particular verso que reza:

'Ao Costa um obrigado,
Por o 'blogociclo' ter retomado.
Ao Costa um bem haja,
E um afagar na sua penagem'

Só há poucos dias quando o reli é que notei o génio que este nosso Castro Henriques é. Mas antes..
Para os que só recentemente se juntaram ao 'fenómeno mundano' (como eu tão carinhosamente lhe chamo!) este obrigado deve.se ao facto de o nosso amigo Costa ter apagado um outro blog que já lá vai (o guarde Sta. Terezinha!) e, que como tudo tinha os seus defeitos e qualidades e, claro está, posts bons e maus, mas que.. por acaso nem vem nada a propósito para o busílis desta questão portanto fica quiçá para outra altura (ou não!). Como eu dizia, o Costa teve um ataque de fúria, numa daquelas suas teimas e numa noite, como em outras tantas, em que já vinha embriagado, sentou.se em cima (imaginem!) do ordinário, como diria o 'tustra', e disferindo um único golpe de rato apagou o que tanto trabalho e dedicação tinha significado. Ainda hoje está despedaçado (o Costa, porque o blog está MORTO!).

Mas o que eu queria mesmo era salientar o génio do nosso amigo CH ao referir (e agora reparem bem!) a penáge de Miguel. Para esclarecer a maior parte dos leitores que nunca o viram e, muito provavelmente jamais o verão, ele possui, de facto, uma leve penugem - mais até do que penáge (perdoa.me a correcção meu caro Pedro mas é esta a minha opinião) - que lhe cobre uma porção (cerca de 37.5689%) da face e uma outra (cerca de 25.6895%) das partes laterais do crânio. Quero, obviamente, com isto dizer que Miguel Costa é calvo que nem uma bola de bólingue. Aqui está a fotografia caso a minha descrição nao tenha sido clara o suficiente:


Agora observem bem e digam lá se o nosso amigo Henriques não tinha razão ao dizer que esta careca merecia uma afagadela... Lamento que esta imagem não possa ser mais esclarecedora no que concerne à penugem facial mas vocês imaginam concerteza.












Queria por fim saudar mais uma vez Pedro Castro Henriques por este momento que nos proporcionou e, porque não (?), aproveitar também para agradecer a Miguel Costa o remediar duma situação que a princípio parecia irremediável, mas cuja solução era tão trivial como esta.

Aqui fica o bem haja dum amigo e porque não um afagar na penugem (ou penáge!).

' Ffft ffft..' - o afagar na penugem

PS - Para que quiser ler este post de PCH está na secção (sim isto é tão grande que está dividido por secções!) 06/01/2005 a 06/30/2005 .

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Friday, November 11, 2005

O Epicentro da Civilização Lusitana

Há apenas uma grande zona urbana verdadeiramente civilizada no nosso país, Lisboa. É só na nossa ilustre capital que estão presentes e se verificam as condições que nos permitem considerar-nos um país civilizado. Não no Porto. Não em Setúbal. Não no Algarve. Desculpem, mas só, só mesmo, em Lisboa.
Que pensam vocês? Não aprofundei a minha abordagem nem a fundamentei deliberadamente para gerar, em ambiente científico e de boa educação, uma discussão sobre este tema. Eis uma resposta mais... civilizada(?) ao apelo mais do que justificado do nosso fundador erudita.

"Parava no café quando eu lá estava
na voz tinha o talento dos pedintes
entre um cigarro e outro lá cravava a bica,
ao melhor dos seus ouvintes

As mãos e o olhar da mesma cor
cinzenta como a roupa que trazia
num gesto que podia ser de amor, sorria,
e ao partir agradecia

são os loucos de Lisboa que nos fazem duvidar
que a terra gira ao contrário e os rios nascem no mar..." -Ala dos Namorados

1 Disparates, calúnias e abusos de Liberdade de Expressão

Face aos comentários e, depois de ter relido o meu post, achei por bem e pela sanidade de Miguel Costa, o ainda e para sempre (e é bom que não nos esqueçamos disto!) 'Patrão', decidi apagá.lo. Conhecendo o Costa há mais tempo do que qualquer um que escreva para este blog, sei bem que não ficou ofendido com nada do que aqui escrevi, por se tratarem de baboseiras. Se por acaso ele se tiver tornado num panasca nos últimos anos, facto que desconheço, é bom que me diga as coisas na cara tal como eu faria. Mas confio que não..

Notei que, ao contrário de PCH ou MC, há panascas que comentam os posts em anónimo. É pena que quem se interessa pelo blog não tenha cojones para se expressar livremente sem medo das consequências (inexistentes). Aliás, porque em anónimo não sabemos se a sua opinião é relevante ou não.

O objectivo deste post é por fim à minha intervenção em qualquer tipo de confusões e dizer que este nosso blog (que até aparece nos resultados do google comentado) está a perder o interesse à medida que vamos pondo estes posts que, em vez de falarem de coisas (des)interessantes como de costume, falam da situação do blog e de polémicas idiotas. Ah e não, não fiquei chateado com o fino.


"Deixem.nos trabalhar"(*) - Prof. Cavaco silva


(*) Ler de um modo cioso e com voz rouca, como se fôssemos o ilustre.

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Thursday, November 10, 2005

Nós, os Turcomenos

Hoje dei-me conta que o nosso feliz blog tem uma parte triste, muito triste até, no meu entender.
Não há discussão, não há debate, não há comentários e quando há nada ou quase nada acrescentam à ideia do post: ou são elogios ou criticas.
Cada um de nós vem cá, caga a sua sentença e vai embora.
Nem tenho a certeza se os restantes leem a senteça pelos outros "cagada". (eu leio com atenção o que todos cagam, e se fosse retrete nem me poderia queixar muito de falta de merda).
Quando alguém escreve é como se fosse o presidente do Turqueminestão. Não há discussão. Os outros não abrem o bico. Não que os impeçam, mas simplesmente não abrem, sabe-se lá porquê. Temos um direito e não o usamos.
Apelo a todos a todos para que passemos a aproveitar o facto de não sermos turcomenos.

"Martim, repete comigo: Não vou tomar mais drogas." O terapeuta do martim, numa das sessões

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Mais Sobre o Turquemenistão

Eu pessoalmente não gostava nada de ser o presidente do Turquemenistão - e sei o que estão a pensar, mas não é por ser outro país! Aliás, nem gostava de ser de lá (nem de lã, mas isso é outro assunto... para nunca abordar). Imaginem só: "la vai o turquemeno!" bem podia ser "lá vai o turco, men!" se aquele que proferisse a frase inicial tivesse alguma defeciência que fizesse com que depois de cada frase emitisse um som equivalente à nossa vogal o (porque no funso nem sabemos que alfabeto usam - GRANDE falha no teu resumo do país, Pedro, estou desiludido). Bom, isso é a primeira razão. A segunda é que deve ser um grande chatice - o próprio do país, diga-se. E porquê? Porque (e reparem na subtileza) se substituirem o T por CH, até uma mudança normal, o U por A, mais uma transformação monotónica que não afecta as nossas utilidades, e RQMENIST por TICE, teríamos, em vez de turquemenistão, chaticeão! O que, como o próprio sufixo implica, implica uma chatice grande; pela lei de transitividade: uma grande chatice. Pois é. Se eu fosse Jesuita teria um terceiro ponto, mas não sou por isso não tenho. Ou talvez tenha: simplesmente porque sim. O que não, dependendo de como se fraseia a pergunta/afirmação. E pronto.
Conclusão: não vou mandas assassinar o pres. do Turquemenistão para depois me instalar como líder implacável daquele quase-deserto-ou-pelo-menos-é-essa-a-ideia-que-tenho-daquilo-ah-por-acaso-tou-me-a-lembrar-que-aquilo-também-tem-petróleo!


"sim, tou num furo sem nada para fazer" -a minha resposta aos vossos pensamentos

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Wednesday, November 09, 2005

Sobre o turquemenistão


Não suspirem de alívio aqueles que julgam ser apenas mais um título despropositado aquele que se ostenta acima destas linhas, porque hoje darei um ar fresquinho de mudança aos meus posts e seguirei as normas consuetudinárias da escrita.

O Turquemenistão é um país no fim do mundo com mais do quintuplo do tamanho de Portugal e metade da população (enquanto cá há 114 macacos por km quadrado lá há 9,4). Deve haver muitas coisas com graça para se dizer acerca do Turquemenistão do tipo qual a moeda, qual o hino, quais os costumes, se também bebem leite com chocolate mas eu encontrei uma mais engraçada ainda, à qual desde já faço referência:

O turcomenistão (também assim se pode escrever) tem um presidente e um primeiro-ministro. O presidente chama-se Saparmurad Niyazov e o primeiro-ministro Saparmurad Niyazov.
Este senhor todo-poderoso de 55 anos resolveu aos 49, perguntar aos 9,6 macacos que habitam o quilómetro quadrado do Khalk Maslakhaty - Conselho do Povo e órgão representativo supremo que reúne integrantes de todos os poderes - se não o deixariam, capricho seu, ser presidente para o resto da vida, que já se tinha habituado às pantufas do palácio da república.
Eles disseram que sim, claro!
E assim Saparmurad Niyazov - que podia ser Shichipov Chocolocov que ninguém daria por isso - é boss de cinco vezes Portugal, podendo disso fazer o que bem lhe der na cana!

Sapamurad Niyazov tem mais que se lhe diga:
Aquele a quem os Turcomenos se vêem obrigados a chamar Turkmenbashi (pai de todos os turcomenos), é orfão de uma família pobre que morreu toda durante a Segunda Guerra Mundial e num terramoto em 1948; estudou Engenharia em São Petersburgo; patati patata; fez-se membro e foi eleito Primeiro-Secretário do Comité Central do Partido Comunista do Turquemenistão.
Desde que é Presidente Vitalício que não tolera qualquer tipo de oposição política sendo o único partido político legal e oficial o dele mesmo: o Partido Democrático(!). A sua fuça adorna tudo o que existe no Turquemenistão, desde as notas às garrafas de vodka, dos sapatos aos mostradores de todos os relógios fabricados no país. Também escreve mas não para blogues: dois livros foram por ele editados e são de leitura obrigatória a todos os Turcomenos e programa incontornável em todas as escolas. Os dias da semana foram renomeados com nomes de membros da sua família. Ele próprio escreveu o hino nacional em que se pode ouvir que, àqueles que difamarem a Terra-Mãe, deverão ser mutilados os braços. Saparmurad entendeu também que seria simpático adornar a vista da janela do seu Quarto Imperial/Presidencial e mandou, para os devidos efeitos, esculpir uma estátua de 15 metros banhada a ouro, ostentando a sua própria pessoa, para que fosse colocada num pedestral rotativo que encarasse sempre o brilho do Sol e da Lua
Esta enorme besta tem um metro e cinquenta cetímetros (os seus cabelos roçam os meus mamilos se estivermos de pé) e está ao comando do décimo maior produtor de algodão do mundo e, mais importante do que isso, de uma das maiores reservas de petróleo do Planeta.

Nunca se fala do Turquemenistão nos telejornais nem mesmo nos jornais de imprensa, mas dá que pensar, se bem que é melhor não pensarmos muito ou não conseguimos adormecer...
Nunca pensei que ainda houvesse disto no nosso planeta: tamanha ditadura tão naturalmente aceite!

"Halk! Watan! Türkmenbashi!" - em português: "Povo! Pátria! Líder!" - lema obrigado do Turquemenistão

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Tuesday, November 08, 2005

nº 202

Hoje lembrei-me de um velho amigo. Na verdade não é assim tão velho, ele até tem a minha idade, mas é velho, não por ser meu amigo há muito tempo, que até é, mas porque sei que o vai ser para sempre. (por acaso hoje não me lembrei de nenhum amigo mas achei que era uma boa maneira de começar este post)
Ao pensar nele (como disse na verdade não pensei em ninguém em especifico) dei-me conta que os amigos, os verdadeiros amigos, os amigos daqui, do peito, são aqueles que pudemos não ver durante quanto tempo for preciso mas quando os encontramos novamente é como se só se tivessem passado dez minutos desda ultima vez que os vimos. Nada mudou. As mesmas piadas, as mesmas alcunhas, a mesma indifrença de quem se vê todos os dias (apesar de já não se verem há anos e anos), porque na verdade é como se se tivessem visto todos os dias, porque sabem que o que quer que tenha acontecido nesses dias em que não se viram o amigo que ali está a sua frente é o mesmo, desda ultima vez.
Imagino-me a encontrar com o Peixe, por exemplo, daqui a 30 anos, as nossas vidas deixaram de se cruzar, por uma razão ou outra já não o via há 10 anos.
Ele para mim : " Então gordo da merda? A Jana?"
Eu: " Então peixe? Continuas sem tomar banho...Seu javardo, muitas porcas?"

E depois de ter-mos posto a conversa em dia despedimo-nos com um até amanhã, como se de facto nos fossemos ver amanhã, como se não soubéssemos que provavelmente poderiamos estar mais 10 anos sem nos vermos.

Não que seja obrigatório deixar de ver um amigo para que ele o verdadeiramente seja, mas se isso acontecer, por uma razão ou outra, vai estar tudo na mesma.

"Os amigos são para sempre" - Feliciano José

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Monday, November 07, 2005

Mas afinal...

"Naquela manhã, Pedrutustra havia acordado bem disposto.. Como ele próprio já referiu, 'gostava muito de acordar e, sem perda de tempo, pôr o seu cérebro a trabalhar. Esforçava-se todos os dias por reunir as ideias que havia tido em sonhos, de maneira a misturá-las com um pouco do bom-senso de quem já está acordado, mas pouco ainda, numa intermitência entre o devaneio e a objectividade.'
Não por ser este dia em especial, não por ter acordado bem disposto, mas por se tratar apenas de um dia (e de novo cito) 'hoje começaria pelo ordinário (ordinateur como dizem os franceses)'.
Saltando o facto de o sinal ADSL estar fraco e a parte da culpa que qualquer pessoa deve sentir por não visitar o blog, vamos a parte que interessa.
Será que notamos alguma semelhança entre Pedrutustra e Feliciano, o aclamado rei dos nerds? Senão vejamos: 'drutustra' acorda a pensar no ordinário, 'drutustra' encontra coisas que nunca ninguém antes encontrou sobre o nosso blog, muda características do blog de maneiras que ninguém sabe e finalmente, o que te entregou meu caro, adorna o nosso menino com música! Quem sabe se não foi o próprio a escrever o comentário 'brasileiro' sobre o blog?
Pedru quer impinjir a todo e qualquer um que entre no espaço Mundano, as mensagens sublimais que as musicas que SÓ ele põe no blog transmitem!"

Isto é o exemplo dum comentário que fino poderia fazer. Agora vem o que eu escreveria.

Meu caro pedro como é que tu consegues arranjar estas merdas, é uma pergunta que andou a rondar na minha cabeça a noite de ontem e a de hoje! Andei louco no help a tentar perceber como é que se põe música e nicles.. Mas por acaso partilho da opinião do fino; acho que podias partilhar connosco um bocado desta tua sabedoria oculta.

"bolas!bolas!bolas!bolas!bolas!bolas!bolas!" (*) - a maneira de vender bolas na praia que provou ter mais sucesso


(*) Ler com voz aguda e a uma velocidade considerável

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Ordem na casa

Foi naquele tempo, de força mas de tensão, que, como alguém disse, se esperava do patrão que exercesse a sua liderança conquistada a pulso, como outro alguém também disse.
Foi nesses dias que se exigia ao patrão, como lhe gostavam de chamar, que assumisse as rédias da situação, que devolvesse aquela tribo a paz e tranquilidade necessárias ao bom funcionamento da vida tribal.
Num tempo em que o filho pródigo voltava eram mais que suficientes as razões para imperar a felicidade no seio da tribo, muito embora ninguém soubesse porque razão o filho havia partido nem porque razão decidira voltar.
Um dos índios da tribo tinha a característica de ser um filho pródigo mas sem nunca chegar a sê-lo, esse ia indo e voltando e vendo e comentando como as coisas estavam a correr na tribo a que, às vezes, não se percebia se pertencia. Apesar de tudo este comportamento conferiu-lhe um papel bem visto dentro da tribo, era diferente dos outros, mas bem aceite e respeitado, era como que o comentador, ou como que o treinador de bancada.
Tudo correu bem até certo dia: até ao dia em que o bem-amado comentador decidiu por em causa um dos projectos de um membro da tribo que se sentiu debochado com a situação.
O chefe da tribo, porque a conjectura a isso o obrigava, decidiu intervir e dar "caminhos" para que as coisas corressem não melhor, mas na perfeição.
Ao comentador disse-lhe que continuasse a comentar, porque fazia parte do seu ser, mas que passasse também a, às vezes, trabalhar, em prol da tribo, como fazem aqueles que por vezes avaliou. Basicamente tirou-o, ou pediu-lhe que saisse, do seu pedestal de critica e avaliação. Que descesse até junto dos outros e que trabalhasse como eles. (Que escrevesse como eles e não sobre eles).
Ao outro disse-lhe somente que continuasse , que trabalhasse cada vez melhor e que nunca,sob qualquer circunstancia,destruisse o trabalho ja feito.
Ao que cheirava mal, mandou-o tomar banho.

"A seguir à tempestade vem a bonança"

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A queda do muro

Lembro-me, com pena, do remoto dia 13 de Agosto de 1961, dia último em que vi um bom amigo.

Lembro-me, com muito mais alegria, dos anos vividos antes desse dia.
Da esperança e do ânimo vividos no pós-guerra. Da alegria da imagem de Churchill, Truman e Stalin juntos num aperto de mão, para fazer acreditar ao mundo que a partir de aquele Agosto de 45 tudo seria diferente.

Lembro-me de, nesse tempo de liberdade, ter um velho amigo de copos, cuja barba era alvo de piadas permíscuas e javardices de cariz sexual pouco próprias para abordar neste post.

Lembro-me desse meu amigo à distância. Lembro-me (ou talvez não) das noites deambulatórias de bebedeiras despropositadas acabadas algures entre o estar quieto e o não fazer nada. Lembro-me de jantares na Trindade, das canecas de meio litro de imperial viva e amarela que nos ajudavam a lavar a boca e empurrar a carne (do pojadouro, por estarmos em crise) mal mastigada pela garganta abaixo. Lembro-me, de nesses jantares, cantarmos os parabéns a todos os que estavam na mesa sem que ninguém fizesse anos. Lembro-me de tentar tirar fotografias ao homem que nos tentava tirar fotografias. Lembro-me das noites de vício, das cartas mal postas sobre o velho pano verde, das vazas mal baldadas, dos pontos mal contados, dos dinheiros emprestados e dos perdedores endividados.

Lembro-me de tudo isso de viva memória e com contentamento.

Mas lembro-me igualmente da terrível noite de 12 de Agosto de 1961, em que Bernardo, andava sozinho pelos largos passeios da dislumbrante Friedrichstrasse, em que já se respirava o ar rarefeito do clima de tensão entre dois polos opostos. Ali aquele rapaz jovem, distraído por natureza, e ingénuo por idade, se deixou ficar, sem reparar que a sua bela Berlim se dividia em duas metades.

No dia seguinte, ao acordar, porco e mal lavado porque havia dormido na rua (Bernardo era pouco abonado e por isso vendia o corpo) apercebeu-se que acordara tarde demais para voltar ao mundo que amava.

Bernardo havia ficado do lado de lá.

Bernardo havia ficado do lado de lá da liberdade, da civilização, da opinião, da cultura, dos amigos, da família.... e Bernardo haveria de lá ficar por 28 longos anos.

Bernardo encontrava-se agora preso no Bloco Oriental da Alemanha Democrática idealizada por Stalin e agora concretizada por Kruschev.

Bernardo iria viver 28 anos de violação intelectual. E tal como oferecera o corpo aos clientes por dinheiro, oferecia agora a sua alma ao terrível governo de Kruschev, e mais tarde ao do demoníaco Brezhnev, e por fim ao do osculador Gorbachev e assistiria ao chanceler Honecker declarar que “Wird 50 und 100 Jahren noch bestehen bleiben, wenn die dazu vorhandenen Grunde noch nicht beseitigt sind.”, já no ano de 89.

E durante este período de violentação e opressão comunista, Bernardo, frustrado por se ver privado dos seus direitos, das suas amizades, entrou num estado de atrofio cerebral profundo e preocupante, durante qual (e por que não quis ser excepção) comeu, de facto, criancinhas ao pequeno almoço.

E, enquanto Bernardo sofria do lado de lá, nós prosperávamos do lado de cá num mundo capitalista com a tecnologia e a ciência ao nosso dispôr. Vivíamos despreocupados e a nossa situação melhorava a cada ano que passava. Já não pensávamos em Bernardos, e daquele velho e atrasado Bloco de Leste, só a selecção de futebol (a incrível RDA) era recordada, mas mesmo esses não quiseram regressar depois de disputarem o Europeu em 1980.

E foi então no dia 9 de Novembro de 1989 (ou terá sido no dia 5 de Novembro de 2005?) que o muro caíu e fez ruir sob as nossas cabeças, o peso do pó dos esquecidos, dos vagabundos sem nome, que durante 28 anos (198 posts) andaram esquecidos e perdidos, fechados, murados, sozinhos, afastados da civilização que é este Mundano que agora cresce e toma proporções de grande blog ocidental.

Resta saber se Bernardo voltou como dantes, disposto a juntar a sua sabedoria ao nosso abardinanço, ou se o regime comunista lhe lavou a cabeça de tal modo que já só dá um ar da sua graça enquanto saboreia a coxa tenra duma qualquer criança perdida.

Até saber, que sejas bem vindo.

“Mr Gorbachev, tear down this wall!”- Ronald Reagan, 1987/06/12

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Toots Thielemans

1. No som mando eu pelo menos por enquanto. E enquanto for meu esse domínio será Jazz a banda sonora do Mundano. Desta feita é Toots Thielemans. Que Don Vito rejubile!

2. Estou a tomar um partido: o do Guilas. E como tal vou apagar os posts que me foram postos em causa, ou talvez não já que foram todos. Não obstante a coisa está feia, é bom que o patrão tenha punho nisto.

3. Agora a parte intelectual do Post:
Apraz-me bastante a graciosidade da poesia bávara do século XVII. A predominância de rimas cruzadas e de uma estrutura verbal neo-classicista, aliada a uma honesta orquestação linguística de sensações fonéticas e impressões sensoriais (de uma contundência espiritual arrepiante, refira-se), fez de autores como Isaac Spielshenbergen ou Günter Verayën, verdadeiros vértices colossais da História da Literatura Mundial. Obras-primas como Mëin Einvendoven ou Pesrtlen Guirgüns-tösch, propulsoras maestras essenciais na viragem do Séc. XVII, de um estilo poético-intelectual que rompia em absoluto com o provincialismo rimático proto-ruralista até então vigente, fizeram da literatura bávara o expoente máximo da qualidade literária desses tempos.
Aconselho a todos!

"Deus manda que estudes" - 11º Mandamento de Deus segundo Feliciano José

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'Coisa feia, a inveja' (*)

Por razões do foro psicológico vi.me obrigado a retirar do blog o post que há apenas poucos dias tinha escrito. Não é possivel viver numa situação de discórdia. Estamos todos no mesmo barco e se alguém não concorda com alguma coisa que aqui é dita deve ser ouvido. Como tal e, para evitar futuras rixas que pudessem surgir entre mim e alguém que muito recentemente cometeu um atentado contra a minha integridade neste blog, cortei o mal pela raíz.

" ah o puto g e o caralho.. e tal tem 15 anos.." - pedro fino a tentar fazer assunto dum post o deboche e o fazer pouco de outros. Tse tse!

(*) peugeot

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Sunday, November 06, 2005

Ainda bem que o Mundano não é em Paris ou já tinha sido incendiado

Passa-se que a Clínica de Recuperação de Autistas em Estado Avançado de Definhamento (CRAEAD) era uma clínica boa. Isso mesmo, boa sem comparação. Boa a priori. Boa como a boa-vontade. Era mesmo uma boa clínica. Mais boa que melhor, mais boa que impecável, mais boa que espectacular: era boa! E como era boa chamava-se Clínica e não Hospital (embora também a fonética da sigla tenha influenciado a escolha de 'Clínica'). Explicado que está este ponto passemos ao seguinte: por ser boa, a CRAEAD garantia aos seus pacientes, ainda que todos eles em puro definhamento psico-motor, uma vasta diversidade de estruturas de entretenimento que garantissem um divertimento rejuvenescente a todo e qualquer padecente que folgasse ressusscitar. Vinte e quatro horas por dia era aparada a relva do campo de futebol; era batida a terra do campo de tènis; era regada a relva do parque de baloiços; eram substituídos os CD's na aparelhagem de som; eram oleados os travões das bicicletas; era limpado o pó aos livros da biblioteca; eram polidas as peças do tabuleiro de xadrez; eram registados os tempos nas pistas de atletismo, dos concorrentes ronronantes que corriam para a morte a 300 metros dali, deitados nas suas camas; eram medidos os saltos em comprimento na areia ainda virgem que chorava a melancolia dos velhos tempos em que vivera no Sahara, pisada sem piedade por camelos, cobras e ursos polares; era testada a segurança das cadeiras eléctricas que levavam niguém ao topo da montanha, pela qual descia em curvas delicadas e estreitas uma pista de esqui de neve alva e inviolada, esperando o toque orgiástico dos esquis que nunca reconhecera; eram scanados os discos rígidos dos computadores!

Bernardo acordou dia 4, não foi dia 5, Bernardo acordou e balançou-se que nem um pinguim até ao Departamento de Entretenimento: aí aconteceu o orgasmo intelectual pelo cortex frontal direito de todos os membros daquela clínica, ao verem um pinguim assustado meio encostado à ombreira da porta meio deitado no chão. Todo o resto do dia 4 Bernardo foi feliz a jogar à bola, a bater com a raquete no ar, a andar no escorrega, a ouvir música com os seus head-phones, a fazer cavalinhos na sua bicicleta, a ler a bíblia na biblioteca, a jogar xadrez sozinho, a bater os recordes da casa na pista de atletismo, a fazer castelos de areia, a fazer bonecos de neve, a passear-se pela web. À noitinha, já com os olhos em bico e com o coração a ameaçar estoirar, Bernardo leu o seguinte:
Directório Google - World > Português > Informática > Internet ...
Mundano - http://blogociclos.blogspot.com/ Crítica, humor e cotidiano. Por um
grupo de rapazes de Portugal.
Foi então que ocorreu outro orgasmo cerebral, o do Bernardo, de tão entusiasmado ter ficado com o sucesso de qualquer coisa que deixara orfã no dia do seu nascimento, de um rebento sem graça que era agora uma enormidade colossal! E como o orfão não tem ressentimentos (duvido até que tenha sentimentos!), Bernardo apareceu finalmente, qual filho pródigo em versão pai, qual Dom (ou será São?) Sebastião no seu cavalo branco mas às manchas, porque a perfeição às tantas farta.

Bernardo é como o pai que não ensina o filho a falar, deixa-o que aprenda sozinho para depois conversar sobre poesia!
Sê benvindo!

"Onde houver estudo há boa gente" - Feliciano José, dispensa apresentações

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Saturday, November 05, 2005

Paz...

Caríssimos, passados alguns meses de exílio, marcados por muita paródia e ultimamente por muito estudo, arranjo finalmente uma nesga de tempo para vos vir aqui brindar com mais uma mensagem plena de brilhantismo. Como sempre, esta mensagem pauta-se por um conteúdo inexistente, mas tal nao impede uma leitura agradável da mesma.

Constato com aprazimento que Miguel Costa continua com um débito de posts superior ao débito por parte de José Mourinho da frase "Vamos ser campeões", o que se traduz em 50 e picos posts por dia, mais coisa menos coisa. Parabéns Miguel, tu também és o campeão dos posts.

MVP continua a sua viagem pelo mundo da droga e ocasionalmente partilha as suas alucinações connosco neste espaço comum.

O nosso compadre Castro Henriques, qual Eça reencarnado, continua a espalhar magia literária, numa odisseia intelecutal, a qual, prevejo, apenas atingirá o seu clímax no dia em que for nomeado Ministro da Cultura.

O contador de histórias, aquele com quem podemos sempre contar para dois dedos de texto de puro entretenimento, é sem duvida o rábula Ricardo, o homem dos sete oficios, oficios esses que vão desde "rapaz de som", que se certifica que está tudo em ordem com o "microfone" do Major, a pseudo-violentador de velhas que se passeiam na rua, com as quais troca insultos e quase chega a vias de facto.

Ao puto g, apenas sujiro que arranje rapidamente um psicologo de modo a dissipar as questões existenciais que assolam a sua ainda curta existência de (presumo) 15 primaveras (supondo que apenas criancinhas de 15 aninhos se debatem com o significado ambíguo do termo fashion e do que é sê-lo ou nao; a partir de uma certa idade uma pessoa tem é de se tar a cagar pos outros...), mas também para que ele interprete os pesadelos que g tem tido com o Michael Jackson de tanga num carrocel em Neverland.

Agora fora de brincadeira, apenas quero cumprimentar o peixe pela sua performance invejável que tem dinamizado (e de que maneira!) este nosso blog, e dar as boas-vindas a Don Vito, e congratulá-lo por ser outro pilantra neste antro de pilantragem.

Um forte e pacificador abraço deste vosso companheiro

" Isso é praí de mil novecentos e troca o passo... " Moca, @ Jorge's

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Mundano - A Saga Continua


Mundano cresce a olhos vistos!
Imagem de um outsider acordado com a Carris.

"Antes ter dezanove num exame e ficar feliz e satisfeito e empenhado em melhorar, que ter apenas 17 e não saber que fazer com os sentimentos" - Feliciano José, líder espiritual dos nerds

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O Sr. Matias

Vou contar-vos a história do outro personagem, o Sr. Matias (um senhor barrigudo, de barba cerrada e com suor a escorrer pela face), antes que alguém o faça por mim.


O Sr. Matias não mudou muito desde aquela noite em que Jarge se afogou em mágoas.

O Sr. Matias, depois de ter sido despedido da tasca onde trabalhava por beber demais durante o serviço, lutou muito pelo fim da ditadura em Portugal para conseguir mudar de nome e, diz ele, teve um papel preponderante para a instalação da democracia portuguesa e, dizem alguns, é uma figura incontornável da realidade portuguesa do século XX.

O Sr. Matias uns anos antes da revolução fez a barba, engordou e mudou o seu primeiro nome.
Há uns anos que é conhecido como Mário Soares e hoje é candidato à presidência da Républica Portuguesa.

"Ovo é, galinha o põem"

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Ainda sobre Sandrinha

Sandrinha era esquecida.
Vivia "meio lá meio cá" como alguns dizem e com muito acerto, embora poucos saibam onde fica o lá e onde se encontra o cá. Era tão esquecida que chegara a esquecer-se que existia num destes dias. E deixou-se ficar sentada num banco de jardim, ainda hoje não sabe bem a fazer o quê, embora esteja certa de não ter feito grande coisa, tanto que quando quatro dias após o incidente chegou a casa se achava tal e qual como se tinha achado quatro dias antes, ou talvez já se tivesse também esquecido de como se achara anteriormente e fosse aquela sensação de semelhança apenas sujeição psicológica.
O problema de Sandrinha era grave porque se aplicava a toda a plenitude do seu ser: Sandrinha era mesmo esquecida a todos os níveis, não apenas no que dizia respeito a coisas que achamos passíveis de serem esquecidas: Sandrinha esquecia-se de si mesma, esquecia-se que era mulher quando ia à casa-de-banho, esquecia-se que estava vestida quando ia tomar banho, esquecia-se de dormir, esquecia-se de que é preciso andar, esquecia-se de piscar os olhos, esquecia-se de abrir a boca quando aí levava o garfo, esquecia-se de pegar no lápis ou de pôr a folha por baixo quando começava a escrever, esquecia-se de respirar, esquecia-se de que as paredes são sólidas e intransponíveis, esquecia-se de que estava sentada na retrete quando aí estava sentada e esquecia-se mesmo daquilo de que se relembrava.
Esta característica de Sandrinha era de tal modo preponderante na sua personalidade, que se notava tanto no trato com a sua pessoa, como se nota nas bordas da boca cheias de saliva condensada de alguém que fala sem boa dicção.
Sandrinha abortou um filho seu, está certo, mas Sandrinha fez mais embora se tenha esquecido, Sandrinha morreu por mais do que aquilo que em espírito lhe relembram:
Sandrinha esqueceu-se que tinha morto o seu pai, Sandrinha esqueceu-se que tinha cometido incesto com Ronaldo, Sandrinha esqueceu-se que tinha esfaqueado o seu cão cento e cinquenta vezes no peito, Sandrinha esqueceu-se que era puta e que trabalhava dia sim dia sim na avenida João XXI, Sandrinha esqueceu-se que tinha as panelas da cozinha almolgadas porque dava com elas nas cabeças das crianças que lhe pediam doces na noite de Halloween, Sandrinha esqueceu-se do que faziam todos aqueles miolos de vaca acinzentados pelo tempo num alguidar que tinha na casa-de-banho, Sandrinha esqueceu-se porque tinha desaparecido Jarge desde aquela noite em que o acorrentara ao veio de transmissão do seu carro.
Sandrinha esqueceu-se que se matou, não porque tinha abortado alguém que agora não recordava, mas porque não valia mais que uma moeda de dez centavos de 1978, porque era tão valiosa para os seus como diarreia dum porco infectado com H5N1.

"Mais vale um trabalho feito com rigor e ponderância, do que um rabisco à última hora" - Feliciano José, líder espiritual dos nerds

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Friday, November 04, 2005

O fim da triologia

( Nota: sem pensar muito nisso há que começar pelo post " Brutus", depois há que ler o poste " Hábitos e só depois ler este.Over and out.)

Os dias seguintes à morte de Sandrinha não foram nada fáceis para Ronaldo e Jarge. Todo e cada um dos dias seguintes, até ao resto das suas vidas.
Nunca conseguiram Ronaldo e Jarge perceber porque motivo aquela mãe e esposa feliz decidira de um dia para outro por um ponto final à sua vida que, aparentemente, era feliz, a roçar a perfeição.
Jarge foi o primeiro a sucumbir à tristeza. Numa noite fria, sentindo-se sozinho na sua cama de casal, outrora aconcheguedora, mas agora fatalmente vazia, saiu de casa em busca de algo que nem ele sabia o que era, talvez fosse a razão para o subito suicidio de Sandrinha. Caminhou cabisbaixo durante horas e horas, por caminhos que nem ele conhecia, logo ele, que conhecia o bairro e as redondezas como mais ninguém no bairro e nas redondezas. Ao fim de quatro horas de caminhada, quando Jarge já não sabia onde estava nem que direcção lhe apontava o Norte, a chuva começou a cair intensamente e em menos de trinta segundos já ele estava totalmente ensopado. Desesperado começou a correr, em frente, sem saber para onde ia. Passados 100 metros de correrias avistou uma luz acesa. Entrou. Era uma tasca ao estilo de loja de conveniência, aberta 24 por dias. Eram poucos os clientes que lá se encontravam aquela hora, uns cinco ou seis homens com aspecto duvidoso que pareciam ter sido derrotados pela vida há já muitos e longos anos. Na tasca estava também o empregado: um senhor barrigudo, de barba cerrada e com suor a escorrer pela face.
Como a chuva não parava de cair, nem dava sinais de ir dar tréguas assim tão cedo, Jarge acomoudou-se numa das sujas mesas vazias e pediu uma cerveja e uma "sandes de courato", o seu marisco preferido, como ele gostava de dizer. A chuvada não cessava e à primeira cerveja seguiu-se a segunda, e à segunda seguiu-se a terceira e assim, ao fim de algum tempo, Jarge já tinha perdido a conta às cervejas que tinha bebido.
Há largos anos que Jarge não apanhava uma bebedeira de tal tamanho...Às vezes bebia, é certo, mas só o suficiente para apanhar uma alegria nas festas de familia, ou nos bailaricos lá do bairro...
Quando já não se conseguia lembrar de quem era, Jarge levantou-se e pediu ao Sr. Matias (empregado da tasca) que lhe chamasse um taxi. Apesar da desarticulada fonética o Sr. Matias conseguiu entender Jarge e lá lhe pediu um taxi.
No dia seguinte Jarge dormiu até às cinco da tarde e como tal faltou ao trabalho. O seu encarregado não lhe perdoou a falta. A faina estava com excesso de pessoal e uma falha daquelas era, naquela altura de crise, imperdoável e a desculpa perfeita para despedir um trabalhador.
Jarge ficava assim desempregado.
Nessa fase especialmente dificil Jarge viu na bebida um escape para a tamanha desgraça que, de repente, lhe assolava a vida, que era até então perfeita.
Foi num desses dias que Jarge bateu pela primeira vez em Ronaldo.
Jarge perdeu-se nas ruas da amargura e entrou no mundo da droga e viria a morrer alguns anos mais tarde com uma overdose de Heroina.


Infelizmente não foi esse o destino de Ronaldo.
Quando o Pai se começou a perder Ronaldo teve de começar a trabalhar, deixando assim um incompleto nono ano no curriculo escolar. A principio as coisas não lhe correram bem, era muito tenro para trabalhar nas obras pelo que foi despedido ao fim de uma semana de trabalho como serviçal. Seguiram-se outros trabalhos em que Ronaldo falhou igualmente.
Ronaldo conheceu nesses tempos as pessoas erradas e chegou mesmo a entrar em esquemas ilicitos, foram as primeiras linhas do seu cadastro.
Mas não se preocupem, como havia dito, Ronaldo não se perdeu nos caminhos da droga nem do alcool (infelizmente, repito).

Num dos esquemas em que se meteu Ronaldo conheceu o dono de um ginásio que lhe ficou a dever um favor. Numa fase em que estava desempregado Ronaldo começou a ir ao ginásio e a encher, até que chegou o dia em que estava um autêntico armário.
Foi nessa fase da sua vida que começou a ser conhecido por Brutus.
Bem o resto, o resto voçês já sabem.

"Quando o mar bate na rocha, quem se lixa é o mexilhão" - dito popular

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Thursday, November 03, 2005

Criámos uma besta

Pedrutustra levantou-se de bom humor.
O galo tinha cantado pela décima quarta vez pelo que 'tustra' estava em boa forma, plenamente recuperado do dia estafante que se tinha lavado e germinado este em que acordava. Afinal os dias eram só um, mas muito grande, com genéricos de estrelas pelo meio para que pudéssemos descansar e dormir um pouco, como quem estica as pernas no intervalo de um filme de cinema
Pedrutustra gostava muito de acordar e, sem perda de tempo, pôr o seu cérebro a trabalhar. Esforçava-se todos os dias por reunir as ideias que havia tido em sonhos, de maneira a misturá-las com um pouco do bom-senso de quem já está acordado, mas pouco ainda, numa intermitência entre o devaneio e a objectividade.
Defendia ser esta a fase do dia em que os homens dispunham de mais capacidades mentais, em que ele próprio melhor conseguia pensar e em que as mais formidáveis ideias lhe assomavam à cabeça; por isso não folgava desperdiçá-la, dia sim dia sim, hoje sem excepção.

Após cinco minutos, talvez um pouco mais, de puro deleite intelectual, Pedrutustra sorriu e levantou-se: hoje começaria pelo ordinário (ordinateur como dizem os franceses):

Hoje enquanto estava na ronha deitado na cama, a pressionar repetidamente no botão esguio e tentador legendado de 'snooze', lembrei-me que havia algum tempo que não comia panquecas com melaço. Lembrei-me também que há coisa de dois dias que não lia o Mundano, e senti-me como um mau pai, que há muito não joga à bola no parque de baloiços, com o seu filho baixo, gordo e estúpido, de boné às riscas convergentes para o 'cucuruto' onde se ostenta uma botão sem buracos de uma outra cor.
Assim, depois de um gole de leite, vá lá, duas canecas de leite com Mokambo e açúcar (sacarose e não ermesetas) subi ao andar superior e dei de caras com o ordinário choramingando a sua orfandade.
O sinal ADSL estava em baixo e não consegui entrar nos domínios mundanos, dava erro. Não sei porquê, nem como, numa das vezes em que tentei entrar abriu-se uma página do servidor Sapo com os resultados da pesquisa 'blogociclos.blogspot.com'. Em desespero li os resultados e deparo-me com isto:

Mundano
Crítica, humor e cotidiano. Por um grupo de rapazes de Portugal.
http://blogociclos.blogspot.com/

Uma lágrima esquivou-se do meu olho: O meu, o nosso Mundano já não nos pertence só a nós, já é de todos os outros, daqueles que o classificam como quotidiano, humorístico e crítico.
Mundano já sai de casa sozinho, sem nos dizer nada. Mundano já anda por aí sem que nós saibamos, a violar miúdas e a bater em putos ou a ajudar velhinhos e a esbanjar dinheiro com gente pobrezinha: pode ser uma besta por um lado ou pelo outro...
Mundano é um gigante, criámos uma besta!

"Se estiveres a falar torna-se complicado beber limonada por uma palhinha" - Pedrutustra para consigo numa genial ideia ao acordar

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Wednesday, November 02, 2005

Permita.me discordar, mas eu sempre comi com croutons!

Era uma vez uma criança. Uma criança tão ou mais normal que as outras. Tinha um nome vulgar, Miguel, um rosto vulgar, negro, não era nem bonita nem feia, usava roupas vulgares, se não até vulgares demais. Mas cedo se descobriu que esta criança não era assim tão vulgar.. Tinha uma característica que de vulgar nada tinha, aliás! A criança de seu nome Miguel cantava qual rouxinol no tronco de sua árvore. Sua voz era doce como o mel e afinada como um diapasão. Por sorte, ou se calhar por isto mesmo e então porque haveria de ser Miguel uma excepção, a sua família era toda dotada na arte da música e rapidamente integraram o pequeno na sua banda. Aí começou a viagem desta criança que, há apenas momentos, era uma tão vulgar como qualquer outra. Sucessos atrás de sucessos, prémios atrás de prémios, a banda não parou de fazer música, vender música, fazer mais música e vender ainda mais música, até que chegou o dia. Miguel completara uma idade que não mais era tenra e que, por motivos de identidade, não vale a pena referir e decidiu deixar o leito da sua família e enfrentar este Mundo (capital M) que é o da fama.. sozinho! O que vale a pena referir é que Miguel singrou, e de que maneira(!), ao longo da sua carreira a solo, continuando a encher o público que tanto o amava e que ele reciprocamente também amava, duma maneira diferente, mas sim, amava, de novas e fascinantes músicas de vários tons.

Apesar do sucesso que fazia, o jovem turbado, perturbado, pela mentalidade da altura e as descriminações raciais que então existiam, decidiu fazer a mudança que alterou por completo a sua vida. O rosto uma vez negro como o carvão e o nariz embatatado, deram lugar ao branco artificial e a um nariz que de natural tinha apenas a cana. Fruto do precoce crescimento, Miguel não conhecia outro lugar que não as luzes da ribalta e portanto tudo o que ele fazia, todas as extravagâncias eram monitorizadas pelo público. Esta não foi excepção. Houve comentários, houve polémica mas o sucesso continuou, pois Miguel não brincava em serviço! A dada altura, percebeu.se que a música não era afinal a única paixão de Miguel. O então homem tinha um fascínio surreal pelas crianças. E digo surreal porque, tal como se provou mais tarde, a relação que ele tinha com os petizes nada tinha de sexual mas era sim de amizade profunda como se da mesma idade fossem. Miguel, com a sua colossal fortuna construiu uma casa em prol dos pequenos com todos os confortos e diversões que alguém daquela idade gostará e, aonde brincava com os seus amigos. As únicas pessoas que o compreendiam. O que é certo é que as crianças gostavam tanto de Miguel como ele delas e nenhuma se queixou por vontade própria.

Uma vida de sucesso que, por ter sido levada de maneira extrema acabou em declínio. Uma infância que passou como se não existisse, uma juventude sem os habituais passos... Afinal esta criança era apenas uma criança como as outras todas e todas as crianças precisam de infância..... mais tarde ou mais cedo.

"Em que é que eu estou a pensar?" - Manuel Pestana

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Hábitos

Há muitos anos que Sandrinha tinha uma vida feliz na companhia do seu primeiro e unico filho, Ronaldo, e do seu marido, Jarge . Orgulhavam-se de puderem dizer, com legitimidade, que eram uma familia feliz e também assim o consideravam os seus amigos, familiares e conhecidos. Eram de verdade uma familia feliz.

Ronaldo tinha agora 15 anos e desde o dia em que nascera fora a razão de viver e a fonte de felicidade de Sandrinha. Ganhara ela durante esses 15 anos o hábito, hábito que Jarge nunca conseguira entender, de comtemplá-lo durante o sono. Em todas as noites desses 15 anos após contemplar o seu rebento Sandrinha suspirava, depois sorria e antes de se ir deitar dava um terno beijo na testa de Ronaldo, como que a dar graças a Deus pelo seu Ronaldo, e por ter uma vida feliz, com tudo o que sempre quis e sonhou.
É que nem sempre fora assim. Tempos houve em que Sandrinha, uma jovem e irrequieta Sandrinha, bem diferente da Mãe Sandrinha, passou por maus bocados. Tempos turbulentos em que a vida lhe foi madrasta.

Até Sandrinha já se havia esquecido da razão que a tinha levado a contemplar o seu filho pela primeira vez. Era agora um simples e irreflectido hábito que a levava a fazer isso e isso permitia-lhe observar, viver e sentir o crescimento de Ronaldo. Parecia que não queria perder um só momento da vida do menino, vivia-a mais que a sua própria vida.

Mas numa noite Sandrinha acordou sobressaltada a meio do sono e levantou-se da cama num ápice, correu até ao quarto de Ronaldo e ali ficou a comtemplá-lo durantes duas horas. Durante duas horas a fio chorou enquanto ali estava ajoelhada aos pés de seu filho, sem nunca deixar de fitá-lo. Foi a ultima vez que Sandrinha comtemplou Ronaldo durante o sono. Foi nessa noite que aquele velho hábito passou a fazer parte do passado.

Nessa semana Sandrinha parou para pensar na sua vida, como nunca antes havia feito. Pensou em tudo o que fez desde que se lembrava de existir. Foram várias as vezes nessa semana em que Jarge apanhou Sandrinha a chorar a meio da noite, sem nada conseguir perceber.
Foi nessa semana que Sandrinha se lembrou do distante dia em que um seu outro filho morreu antes de nascer.
Foi nessa semana que ela sentiu raiva de Deus e O culpou por ter deixado que uma sociedade como esta emergisse, uma sociedade que a fez crescer e viver a pensar que era normal o que tinha acontecido.

Sandrinha cresceu numa sociedade que não condenava o aborto, que o havia, há séculos e séculos, liberalizado. Sandrinha cresceu a pensar que o aborto não era uma coisa má, que era normal e que não tinha qualquer consequência negativa, mas só vantagens. Não a podem culpar, foi isso que o mundo lhe ensinou e fez acreditar durante os seus 38 anos de vida.
Foi nessa semana que Sandrinha soube que há 18 anos atrás tinha cometido o maior erro da sua vida e, cheia de raiva, condenava Deus por a ter deixado crescer num Mundo que lhe ensinava coisas destas.
Nessa semana Sandrinha percebeu que afinal não eram duas células que estavam em jogo quando tomou a sua decisão (como sempre todos lhe haviam dito), que o que estava em jogo era a vida que não chegou a ser vivida , vida que inconsciente e irreflectidamente imaginou em todas as noites desses 15 anos enquanto comtemplava Ronaldo, vida que agora se arrependia de ter morto.
Mas nessa semana já era tarde demais para mudar o seu caminho. Percorreu o caminho que se avistava mais fácil e que todos lhe diziam para percorrer, com a porta completaente aberta, caminho esse que agora chegava ao fim.
Sandrinha encontostou nessa semana o cano de uma pistola à sua boca aberta e premiu o gatilho. Morreu e deixou um pai viuvo e um filho sem mãe. Morreu estupidamente porque nunca chegou a tentar ensinar o que tinha aprendido: Que abortar talvez não seja apenas eliminar duas insensivies e insignificantes células, que abortar talvez seja o pior caminho a fazer, apesar de parecer o mais fácil.
Morreu no dia em que se apercebeu que tinha matado o seu próprio filho, morreu quando percebeu que tinha morto o irmão de Ronaldo que nunca chegou a nascer.

"Jarge?" - Ronaldo a chamar por seu pai no momento em que se deparou com a sua balofa mãe morta aos pés de sua cama

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Tuesday, November 01, 2005

E nessa noite

E nessa noite em que uma palavra ecoava pelas bancadas vazias do enorme estádio de Milão o Porto não foi capaz e voltou a provar que os melhores dias já lá vão, apesar de ter tentado, apesar de quase ter conseguido.
E nessa noite eu, que nada tinha a perder se não o que iria deixar de ganhar, deixei de ganhar 54 euros, e só não perdi nada porque o que tinha a perder já estava perdido desde o remoto dia em apostei na improvável mas possivel vitória do Porto, que acabou por se revelar impossivel, pelo menos nessa noite e nesse enorme mas vazio estádio de Milão.
E nessa noite eu deixei de acreditar no Porto que eu e tu e todos nós conhecemos, o Porto de Mourinho e do "velho" Pinto da costa, que está lentamente a morrer.
E nessa noite eu soube que, como alguém disse um dia, o "papa está a morrer", que o "velho" Pinto da Costa está a esvair-se depois de 20 anos de glória e que está a dar lugar a um Pinto da Costa que não interessa, pelo menos tanto como o outro interessava.
E nessa noite eu festejei o golo do Porto, e sofri com os do Inter, nessa noite eu fui português e o Porto para mim foi Portugal.
Mas nessa noite o Porto não mereceu ter sido Portugal, e a partir dessa noite não mais eu deixei que o Porto fosse para mim Portugal, porque não é, nem merece ser.

"Ainda mato esse tal de Julio" - eu

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Honra??

Hoje, ao contrário do que tem vindo a ser habitual nas homilias do nosso querido pároco Armindo, ouvi um conceito interessante: a honra é um mito do passado.
De facto, pensei para comigo, (e continuo a partilhar da mesma opinião) hoje em dia a "honra" já não tem o mesmo peso ou significado que outrora detivera. Hoje em dia já não se morre por questões de honra - eu pelo menos não sou o estúpido que o faria. Por causas nobres, causas justas, isso talvez... e pela liberdade em princípio sim. Agora honra?! Don't think so!
Mas não quero que me interpretem mal; eu acho que a honra é uma coisa muito importante - no fundo trata-se da seriedade e da coerência de princípios transformados em acção - e eu pelo menos gostava de pensar que me comporto de forma honrosa. Acho é que a sociedade em geral já não dá tanta importância a essas coisas. Mais, acho que temos mais para que viver, e impor a honra não implica necessáriamente ser tão dramático como se chegou a ser nesta matéria.
Enfim... mais uma vez, chega-se à conclusão que o mundo está a descambar. Ou será apenas a parte descambada do mundo que está a crescer?

"Não, eu não quero o autocolante, daqui a nada está a cair. Isso é de propósito, não é?" -uma velha qualquer a reclamar depois de ter tido a sincera solidariedade de ajudar a Liga Portuguesa contra o Cancro ao doar 5 cêntimos

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Hoje à noite

Hoje à noite eu não vou ser portista mas para mim o Porto vai ser Portugal e eu, eu sempre fui português e sempre vibrei com Portugal.
Hoje à noite eu vou gritar como gritei nas noites em que o Porto mereceu que eu gritasse.
Hoje à noite o enorme estádio de Milão vai ter as bancadas vazias, tão vazias que o silêncio vai ser ensurdecedor e os golos vão ser mudos.
Hoje à noite são 11 contra 11 e mais ninguém a jogar nem a cantar.
Hoje à noite eu espero que o Porto se lembre do que fez noutras noites do passado, que se lembre como se faz e se conseguir, que o volte a fazer.
Hoje à noite eu quero e eu preciso que o Porto ganhe e o Porto quer e precisa de ganhar.
Ganha Porto, hoje à noite, que hoje à noite eu estou contigo e não há muitas noites como a de hoje à noite.

"Goloço do Porto" no instante em que eu acabo de escrever este poste (minuto 15 do jogo) o Porto marca o golo.

Aguenta-te porto que é bom para ti e é bom para mim.

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